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Como os pontos corridos transformaram o Brasileirão em modelo de sucesso

Torneio virou produto estável e lucrativo para clubes e patrocinadores

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Thiago Braga
São Paulo (SP)
Dia 27/01/2026
08:00
Atualizado há 42 minutos
Taça troféu do Brasileirão Campeonato Brasileiro (5)
imagem cameraTaça troféu do Brasileirão Campeonato Brasileiro (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

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O Brasileirão de 2026 começa nesta quarta-feira (28), inaugurando uma nova fase na história da competição. Pela primeira vez, o torneio nacional terá início em janeiro — um ajuste necessário diante da disputa da Copa do Mundo entre 11 de junho e 19 de julho. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) reduziu os estaduais para onze datas e antecipou o pontapé inicial do Brasileirão, que começa com oito partidas, incluindo o duelo entre São Paulo e Flamengo, no MorumBis, confronto entre dois dos maiores campeões nacionais.

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Desde 2003, quando o formato de pontos corridos substituiu o sistema mata-mata, o Brasileirão passou por um processo profundo de consolidação técnica, esportiva e comercial. De lá para cá, o campeonato adotou as práticas dos grandes torneios europeus e reforçou sua previsibilidade estrutural — um fator determinante para o crescimento de receita e audiência.

O Cruzeiro foi o primeiro campeão da "era dos pontos corridos", e desde então, Palmeiras, Flamengo e Corinthians lideram a lista de conquistas nesse modelo, com quatro títulos cada. A partir de 2006, a competição fixou-se com 20 clubes e calendário definido — algo que, segundo especialistas, foi essencial para dar segurança comercial aos participantes.

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Formato que trouxe estabilidade

— Os pontos corridos ajudaram a dar estabilidade e aumentar as receitas dos clubes. Isso é uma dúvida que acho que foi sanada realmente ao longo desses últimos anos, desde que mudaram o formato — analisou João Ricardo Pisani, mestre em gestão esportiva pela Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos.

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Para Eduardo Bandeira de Mello, ex-presidente do Flamengo e defensor da profissionalização do futebol nacional, o sistema consagra o mérito esportivo.

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— Sou fã do sistema de pontos corridos. É o único que apura efetivamente o melhor time do campeonato — exaltou.

Ele ressalta que a previsibilidade de datas e jogos é um ativo vital para clubes com grandes torcidas e projetos estruturados.

— No Campeonato Brasileiro, você sabe que vai jogar as 38 rodadas. Na Libertadores, eu posso até comprar a passagem hoje para Montevidéu, mas não sei se o Flamengo vai estar lá — brincou.

Renda, exposição e profissionalização

Pisani destaca que o formato atual ampliou a previsibilidade e profissionalizou o planejamento financeiro das equipes.

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— Deram a certeza de um calendário. Você tem 380 partidas, o que impacta diretamente no quanto se oferece de produto, no número de inserções, em métricas usadas para construir o plano de negócios de um campeonato — explicou.

Esse ajuste estrutural, segundo ele, também favoreceu a entrada de investidores privados no futebol brasileiro.

— Os direitos de transmissão tendem sempre a renovar-se por um preço igual ou maior, e isso embasa as teses de investimento. Fundos e capital privado passaram a ver o esporte como um produto consolidado, com entregas garantidas e crescente valorização — completou o especialista.

O modelo dos pontos corridos ampliou a competição e a arrecadação dos clubes. Entre 2003 e 2025, a média de público quase triplicou, saindo de 10.468 torcedores por jogo em 2003 para 25.548 em 2025. As maiores marcas foram registradas nas edições de 2023 (26.502) e 2024 (25.781), consolidando a estabilidade de público nas últimas temporadas.

— Do ponto de vista de renda, você ganha mais exposição, mais jogos, mais estádios cheios, mais oportunidades de engajamento. Isso impacta diretamente nas receitas e no fortalecimento dos clubes — avaliou Pisani.

Além do impacto econômico, a estrutura de pontos corridos trouxe isonomia. Hoje, cada time sabe exatamente quantos jogos fará e quanto pode projetar de arrecadação em bilheteria, patrocínios e direitos.

— Você tem uma entrega maior e a certeza de que vai jogar aquele número X de partidas. Um clube pequeno que sobe tem desafios na gestão, mas já entra num cenário previsível, o que não acontecia antes — observou.

Bandeira de Mello também vê no modelo uma oportunidade de planejamento comercial:

— É super importante ter um torneio nacional em pontos corridos porque você consegue fazer planejamento com renda, vender carnês de ingressos e programar o que fazer com as receitas — explicou.

O Brasileirão 2026 chega com novidades esportivas, como o retorno de Athletico e Coritiba e a presença do Remo, de volta à Série A após 32 anos. Mas o grande triunfo segue fora das quatro linhas: a consolidação de um modelo que trouxe modernização e sustentabilidade ao futebol brasileiro.

Flamengo levanta o troféu de campeão brasileiro (Foto: André Mourão / Lance!)
Flamengo levanta o troféu de campeão brasileiro (Foto: André Mourão / Lance!)
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