Felipe Rolim: Sem garantia, uma espera da CBF por Ancelotti na Seleção é válida
Colunista do LANCE! fala sobre a busca do Brasil por um novo técnico

Tite é passado. Rei morto, Rei posto. Não ficará na memória das próximas gerações, como a minha já pouco lembra de Dunga ou Lazaroni. A História das Copas do Mundo é de quem ganha e, excepcionalmente, de quem nos arrebata e não ganha porque o futebol é assim. Nesta exceção há Telê e Rinus Michels.
Abre-se o debate do próximo ciclo, e cautela é artigo escasso. O novo técnico parece ter que ser para ontem e ser alguém que largue imediatamente seu clube no Brasil ou esteja entre os melhores do mundo. Como se Seleção fosse clube e como se treinar o Brasil, para um estrangeiro, tivesse que ser algo irrecusável a partir da sondagem ou convite, quando a verdade é que o ciclo foi de terra arrasada na CBF, e Tite foi o único pilar que se manteve de pé.
A CBF troca de comando em abril de 2018 com o banimento de Marco Polo Del Nero de qualquer atividade ligada ao futebol. Em junho de 2021, é a vez de Rogério Caboclo ser afastado, pela primeira vez, do comando da entidade por denúncia de assédio sexual, tendo seu cargo ficado vago em definitivo em fevereiro de 2022, com Ednaldo Rodrigues assumindo após votação em março deste mesmo ano. Ednaldo chega, inclusive, já sabendo que Tite não ficaria para um próximo ciclo, uma vez que o treinador havia revelado ao SporTV que sairia após a Copa do Mundo.
Durante o ano de 2022, nenhum movimento dentro da CBF foi feito para a sucessão. Há ex-jogadores da Seleção que trabalham na CBF, mas nenhum deles com jeito de que assumiria o cargo de técnico. A Seleção Sub-20, historicamente, não ascende seus treinadores para a principal e no período não foi diferente, tendo começado o ciclo com Carlos Amadeu, que passou o bastão para André Jardine (abril de 2019), e que hoje é comandada por Ramon Menezes.
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Com esse breve contexto, natural que o novo técnico seja de fora da CBF e que comecem as especulações e balões de ensaio. O maior balão veio de fora do Brasil, com um espantoso aceno de que Carlo Ancelotti poderia ser o técnico, não agora, mas em um futuro próximo. Ancelotti casa com o sentimento de megalomania, é um técnico de primeira grandeza no futebol mundial, reconhecido por dirigentes, jogadores, torcidas e adversários. Uma das poucas unanimidades. Fez um trabalho tático inesquecível no Milan e encontrou espaços para todos os tipos de egos no Real Madrid, Bayern, Chelsea e PSG. Conciliador, seu livro "Liderança Tranquila" é baseado em relatos de grandes personagens do futebol que com Carleto trabalharam.
Mas o futebol não é feito de garantias e nem de boas intenções, principalmente em um torneio tiro curto de seleções como a Copa do Mundo. Ancelotti seria sinônimo de aprendizado, de quebra de barreiras com o comando de um estrangeiro em nossa seleção e do sempre necessário intercâmbio. Seria quem traria duras verdades de modo afável e que concederia entrevistas sem rompantes de outros estrangeiros também no radar das especulações, como Abel Ferreira e Jorge Jesus.
Copa do Mundo se ganha jogando bem em sete jogos, e o Brasil já conseguiu com trabalhos mais longos (Parreira recebendo a Seleção após a Copa América de 1991) e trabalhos mais curtos, como Zagallo em 1970 e Felipão em 2002. Não há fórmula para ganhar. Porém, se há a possibilidade de um técnico de renome mundial assumir a Seleção, essa hipótese deve ser valorizada. Por tudo que o profissional traria, sendo o Ancelotti ou outro nome do mesmo calibre, e para que o sarrafo para se sentar naquele banco verde e amarelo seja sempre alto.

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