LANCE!
06/01/2017
07:00
Rio de Janeiro (RJ)

A indefinição do governo do Estado sobre o futuro do Maracanã põe em risco um patrimônio que não é apenas do Rio ou dos cariocas, mas de todos os brasileiros.

A insistência em não realizar uma nova licitação, tornando o processo totalmente claro e amplamente aberto a um maior número de interessados, como querem Flamengo e Fluminense, contraria o bom senso. E, mais do que isso, passa ao largo do sentimento nacional de que é preciso tratar da coisa pública com transparência e com espírito republicano.

Os sinais emitidos pelo Palácio Guanabara apontam em direção do consórcio formado pela empresa francesa Lagardère e a nacional BWA, com apoio da Ferj. Mas há pelo menos um segundo interessado, o grupo CSM, GL Events e Amsterdam Arenas. Uma comissão formada pelo governador Luiz Fernando Pezão, que tinha prazo para emitir parecer em 28 de dezembro, mas pediu prorrogação, está avaliando se eles cumprem as exigências impostas no edital que levou a Odebrecht a assumir o estádio em 2013.

A imposição da empresa francesa pode inviabilizar o Maracanã. A posição do Flamengo, com apoio do Fluminense, parece definitiva: é não jogar mais no estádio. E, como se sabe, não existe estádio sem clube para jogar. E só com uma efetiva participação na gestão do estádio a dupla Fla-Flu aceita discutir o assunto.

O presidente Bandeira de Mello chegou a dizer que o Maracanã precisa mais do Flamengo do que o Flamengo do Maracanã. Ele tem razão. Mas essa não é a razão que deve nortear esse processo.

Um dos primeiros atos do novo prefeito Marcelo Crivela foi encomendar um estudo sobre a municipalização do estádio. Pode até ser um caminho. Mas só amplo entendimento entre o governo do Rio, a prefeitura, os clubes e os antigos concessionários, para a definição de um modelo que atenda aos interesses do futebol carioca e de seus protagonistas e não dos atores de um jogo de cartas marcadas, pode levar as torcidas rubro-negra e tricolor a fazer de novo o Maraca explodir em cores e emoção a cada nova partida.