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Tifanny entra com liminar na justiça para jogar final da Supercopa com o Osasco

Defesa da jogadora pode recorrer à Justiça Comum caso não obtenha decisão favorável

PorAnna Carolina Ramos•Rio de Janeiro (RJ)
16/10/2026 11:12
•Atualizado há 0 minutos
Tifanny cerra os punhos e ergue o direito durante comemoração de ponto marcado pelo Osasco, em jogo contra o Fluminense pela Copa Brasil feminina de vôlei
Tifanny liderou o Osasco em quadra na vitória sobre o Fluminense (Foto: Carol Oliveira/ Osasco Voleibol Clube)

A defesa de Tifanny Abreu acionou o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) do Voleibol para tentar garantir a participação da atleta nas competições oficiais da temporada 2026. Em entrevista ao Lance!, o advogado da jogadora, Dr. Luis Fernando Novaes, afirmou que um mandado de garantia com pedido de liminar foi protocolado após a Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) indeferir a elegibilidade da atleta para a Supercopa. Caso haja demora excessiva no julgamento do pedido de urgência, a estratégia da defesa será recorrer à Justiça Comum.

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Segundo o advogado, a CBV deveria ter apresentado a negativa de elegibilidade até o dia 14, mas o documento teria sido entregue apenas no dia seguinte. A defesa, então, entrou com o pedido na Justiça Desportiva cerca de três horas depois de receber a decisão da entidade.

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— A CBV entregou a negativa da elegibilidade dela para a Supercopa fora do prazo. Eles tinham que ter entregue até o dia 14, e eles entregaram dia 15, às 18 horas. Nós ingressamos com um mandado de garantia na Justiça Desportiva nesse momento, três horas depois da negativa deles — afirmou ao Lance!.

Agora, a defesa aguarda uma manifestação do Tribunal de Justiça Desportiva da CBV sobre o pedido de liminar. De acordo com o advogado, a preocupação é que uma eventual demora impeça Tifanny de entrar em quadra já para a decisão da Supercopa, que acontece nesta sexta-feira (16). Caso a Justiça Desportiva não conceda a liminar ou demore para analisar o pedido, a defesa pretende levar a discussão para a Justiça Comum.

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— O pedido de liminar tem que ser julgado rapidamente, mas a gente sabe que a CBV vai fazer aí uma operação tartaruga para ou não julgar ou dar uma decisão formalista para não dar tempo hábil para ela entrar em quadra. Então essa é a nossa preocupação nesse momento. Se demorar, assim como na Justiça Desportiva, na Justiça Comum também seria feito um pedido de liminar para que ela possa ser autorizada a jogar — explicou.

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O argumento central da defesa está relacionado ao histórico de Tifanny no vôlei brasileiro. Segundo Novaes, a atleta já atua regularmente no país há cerca de cinco anos e, por isso, uma mudança nas regras de elegibilidade não poderia simplesmente retirar uma condição que ela já exercia. É a partir dessa interpretação que a defesa sustenta a existência de um direito adquirido.

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— Nós entendemos que ela tem um direito adquirido. (…) A CBV não pode editar um novo regulamento que tira o direito de uma atleta jogar, e uma atleta que vem jogando sistematicamente nos últimos cinco anos. Então esse é o principal ponto — afirmou.

Independentemente do prazo para uma eventual decisão, a defesa garante que Tifanny pretende seguir buscando o direito de atuar. A intenção é manter a disputa até o fim. Caso fique fora da final na Supercopa, a jogadora espera retornar ao Osasco para a Superliga, que inicia na próxima segunda-feira (19), contra o Brasília Vôlei.

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Procurada pelo Lance!, a CBV informou que ainda não havia sido notificada oficialmente sobre o processo. Por esse motivo, a entidade afirmou que não iria se pronunciar sobre o caso neste momento.

Tifanny ataca em Sesi Bauru x Osasco pela final do Campeonato Paulista feminino de vôlei
Tifanny ataca em Sesi Bauru x Osasco pela final do Paulista de vôlei (Foto: Felipe Wiira/Sesi-SP)

E não foi a primeira vez

Essa não é a primeira vez que a atleta é barrada em campeonatos nacionais ou internacionais. Em 2025, a oposta não pôde participar do Mundial de Clubes, realizado no ginásio do Pacaembu, em São Paulo, segundo decisão da FIVB (Federação Internacional de Vôlei). Na ocasião, o Osasco saiu com a medalha de bronze.

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O mês de fevereiro deste ano, então, voltou a ser marcado por disputas na justiça sobre o direito de Tifanny de defender sua equipe. No início do mês, a atleta foi excluída pela federação internacional do Sul-Americano de clubes, em que sua equipe terminou vice-campeã.

Dias depois, quando o pesadelo parecia ter terminado, mais um problema para a jogadora. A Câmara Municipal de Londrina aprovou, no dia 26 de fevereiro, um requerimento que visava impedir a participação da oposta Tifanny Abreu na semifinal da Copa Brasil de Vôlei Feminino, que seria disputada contra o Sesc RJ Flamengo.

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O requerimento – aprovado com 14 votos a favor e três contra – colocava em xeque a realização do evento. A vereadora Jessicão (PP), autora da proposta, sustentava que a escalação de Tifanny era indevida perante a legislação municipal, o que poderia acarretar na suspensão do alvará do jogo, multa de R$ 10 mil e perda de patrocínios.

Um detalhe, porém, colocava em xeque não somente a participação da oposta, mas de todas as atletas inscritas na competição. Isso acontece porque a Lei Municipal 13.770, que sustenta a proibição, apresenta uma confusão no campo da ciência. Ao tentar definir quem estaria proibido de jogar por "contrariedade ao sexo biológico", os parlamentares misturaram conceitos de identidade de gênero e orientação sexual, criando um "limbo" que, na prática, impediria qualquer ser humano de entrar em quadra.

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A CBV entrou, então, com uma liminar para que a Copa Brasil não fosse afetada e para que Tifanny pudesse participar da semifinal. Por fim, a participação da oposta foi garantida pela ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu a eficácia da lei municipal, classificando-a como um "retrocesso nas políticas de igualdade" e um atentado à dignidade humana.

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