Seleção tem Pré-Olímpico no Maracanãzinho como nova chance de salvação
Brasil disputa o Sul-Americano no mesmo ginásio onde conquistou vaga nas últimas Olimpíadas

Maracanãzinho, outubro de 2023. A Seleção masculina de vôlei vencia a Itália no tie-break, de virada, e garantia vaga nas Olimpíadas de Paris. A vitória emocionante na última rodada do torneio pré-olímpico, e logo diante de um dos maiores rivais, veio para salvar um ano marcado pelas campanhas ruins do Brasil na Liga das Nações (VNL) e no Campeonato Sul-Americano, onde uma hegemonia de 28 títulos consecutivos havia sido quebrada pela Argentina.
Três anos depois, a Seleção Brasileira volta ao mesmo ginásio para se reerguer diante da sua torcida. Após a eliminação inédita na primeira fase da VNL, a Amarelinha busca reconquistar o posto de campeão sul-americano e, consequentemente, carimbar o passaporte para Los Angeles 2028.
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Brasil no Pré-Olímpico 2023: da desconfiança à conquista
O Pré-Olímpico de 2023 foi o último disputado entre seleções de todo o mundo, antes das competições continentais passarem a distribuir vaga aos seus respectivos vencedores. O torneio era dividido em três grupos de oito equipes, onde todas se enfrentavam em turno único e as duas melhores colocadas de cada chave se classificavam automaticamente para Paris 2024.
A sede escolhida para o Grupo A foi o Maracanãzinho, no Rio de Janeiro. À época treinado por Renan Dal Zotto, o anfitrião Brasil teve como adversários Alemanha, Catar, Cuba, Irã, Itália, Tchéquia e Ucrânia.
A vitória tranquila na estreia por 3 a 0 sobre o Catar não preparou os brasileiros para o que estava por vir. Em uma sequência de atuações oscilantes, a Seleção precisou de cinco sets para vencer Tchéquia e Ucrânia, times considerados menos fortes. Entre esses dois jogos, uma derrota surpreendente por 3 a 1 para a Alemanha, que viria a terminar o Pré-Olímpico como única invicta e líder do grupo.
Foi contra Cuba que a reação começou a ser ensaiada. O Brasil chegou a perder a primeira parcial, mas virou para 3 a 1 e garantiu a sobrevivência no torneio. No duelo seguinte, 3 a 0 sobre o Irã e "final" confirmada contra os italianos. As duas seleções precisavam do resultado para conquistar a vaga olímpica.
Sete anos depois do ouro na Rio 2016, o Maracanãzinho testemunhou novamente um triunfo do Brasil sobre a Itália, esse mais dramático. 3 sets a 2, com direito a virada no placar, e festa verde-amarela para comemorar a classificação para os Jogos Olímpicos.
O principal destaque da campanha brasileira foi o oposto Darlan, que somou 112 pontos e terminou como sétimo maior pontuador da competição. Em sua estreia como titular na Seleção, o jovem de então só 21 anos mostrou não ter sentido o peso da camisa e do ginásio lotado. Muitas vezes, inclusive, ele foi responsável por contagiar os torcedores com suas vibrações explosivas.
Depois da euforia, veio o choque. Renan Dal Zotto anunciou logo após a partida que não seguiria à frente da Seleção Brasileira. Devido à pressão pelos resultados negativos nos campeonatos anteriores, o técnico comunicou à CBV a decisão de deixar o cargo no dia anterior ao confronto contra a Itália, enquanto comissão técnica e jogadores não foram avisados para não atrapalhar a concentração. Então coordenador de seleções, Bernardinho reassumiu a equipe e completou o ciclo de Paris 2024.
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Exemplo a ser seguido no Sul-Americano

Lucarelli é um dos remanescentes do grupo que conquistou a vaga olímpica em 2023. O ponteiro de 34 anos acredita que o aprendizado com as quedas precoces na VNL e no Campeonato Mundial do ano passado ajudou no fortalecimento do time visando ao Sul-Americano, algo parecido com o processo que a Seleção enfrentou para o último Pré-Olímpico.
— A gente tem que aprender com esses erros que a gente comete, como foi na Liga das Nações esse ano, ou até no Mundial do ano passado, e tentar melhorar nas competições futuras. Acho que a qualidade do time deu um salto em relação ao início da temporada, e vamos tentar reproduzir agora nesse Sul-Americano. Sabemos da importância que (o campeonato) tem. E que o Maracanãzinho, mais uma vez falando de Olimpíadas, nos traga bons resultados — projetou.
Questionado sobre qual é a lembrança mais viva na memória daquele torneio, o capitão da Seleção não hesitou em escolher o ace que deu números finais ao duelo contra a Itália.
— O último ace, não tem como. É um momento que eu nunca vou esquecer. Acho que todo jogador sempre sonha em fazer o último ponto. Então, ser agraciado naquele momento, de fazer o último ponto, foi muito especial — respondeu Lucarelli.
Por outro lado, Fernando Cachopa recorda dos adversários mais duros, citando Itália e Alemanha, e do espírito aguerrido do time de Renan Dal Zotto. Hoje titular da Seleção, o levantador era reserva de Bruninho.
— No Pré-Olímpico, passamos um sufoco danado. Eu lembro que era um time que pensava muito em jogar todas as partidas como se fossem as últimas. O que eu mais me lembro é o jogo contra a Itália. Acho que foi uma ótima partida para os dois lados, foi decidida no detalhezinho. Nesse nível agora, é mais ou menos assim. Acho que toda partida entre duas equipes é decidida no limite. A campanha não foi tão boa, perdemos para a Alemanha. Ninguém esperava, a Alemanha veio aqui e passou o carro em todo mundo — relembrou.

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