Ex-Seleção de vôlei supera trauma de lesão e ajuda atletas no pós-carreira
Campeão mundial e prata em Pequim 2008, Samuel Fuchs atua como preparador físico e faz treinos com atletas de base

"Pendurar as joelheiras" não costuma ser uma decisão fácil de se tomar. Para Samuel Fuchs, campeão mundial em 2006 e prata em Pequim 2008 com a Seleção Brasileira, encerrar uma trajetória encurtada por dores crônicas levou a questionamentos sobre o futuro longe das quadras. As respostas vieram quase uma década depois, quando o ex-oposto, aos 42 anos, transformou as vivências com problemas físicos em uma oportunidade de ajudar a melhorar a vida útil de atletas de alto rendimento.
Nove anos após sua aposentadoria, o curitibano, destaque em diferentes épocas pelo Minas, se formou em Educação Física e atualmente faz parte de uma agência de gestão de carreira de jogadores de vôlei, onde trabalha como preparador físico. Sua atuação no Team GM se dá, principalmente, com quem está em período de férias ou em temporada no exterior, onde o cuidado com a saúde dos atletas deixa a desejar em relação ao Brasil, como explica o ex-jogador.
— Aqui no Brasil se dá muita atenção a essa parte física, de fisioterapia. Lá fora, existem lugares em que essa estrutura não é tão boa assim. Às vezes, o atleta tem uma lesão e a comunicação entre ele e o staff médico fica comprometida. Às vezes, o preparador físico tem uma metodologia que não bate muito com aquilo que o atleta está acostumado a fazer. Existem clubes que dão atenção ao atleta, e eu não quero parecer injusto. Mas, basicamente, para que o atleta não se sinta desamparado fora do país, ele vai poder entrar em contato comigo, com o nutricionista, com o fisioterapeuta… Essa equipe que o Team GM criou para estar dando esse suporte — contou Samuel, em entrevista exclusiva ao Lance!.
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Lesão no ombro e impacto na carreira

A falta de assistência médica adequada foi justamente o que causou a interrupção precoce da carreira de Samuel Fuchs. O oposto rompeu o tendão supraespinhal do ombro direito quando atuava na Rússia, pelo Lokomotiv Belgorod, e jogou à base de infiltrações por cerca de um ano. Ele passou por uma cirurgia de reconstrução no local após as Olimpíadas de Pequim, seguida por um longo e duro processo de recuperação.
Fuchs voltaria a vestir camisas de peso na Superliga, mas as limitações físicas impediram que ele fosse mais longe, inclusive na Seleção Brasileira. Em 2015, o então atacante do Minas recusou o convite de Bernardinho para representar novamente a Amarelinha, por reconhecer que não aguentaria a carga de treinamentos. Dois anos depois, veio a despedida das quadras.
— Isso é algo que, durante um bom tempo, me assombrou. Eu fiz o possível, todas as espécies de tratamentos que estavam à disposição aqui no Brasil. Fui inclusive para os Estados Unidos algumas vezes. Fiz o que pude, mas nunca mais tive a mesma potência. Inclusive, quando eu me aposentei e fiquei aqueles anos todos sem saber exatamente o que fazer, muito foi por conta de uma insatisfação pessoal. Depois de pensar bastante, refletir e conversar com pessoas que passaram por situações parecidas, eu ressignifiquei algumas coisas e hoje estou pronto para estar novamente no esporte, para transmitir aos mais novos para que eles não cometam os mesmos erros que eu — desabafou Samuel, que afirmou arrepender-se de ter abdicado dos estudos, aos 17 anos, para se dedicar integralmente ao vôlei.
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Vida fora das quatro linhas e futuro como técnico
Foi superando a incerteza de qual rumo tomar dali em diante que Samuel fez um supletivo, completou o Ensino Médio, cursou o Enem e conseguiu bolsa em uma faculdade particular de ensino a distância (EaD). Em 2025, a galeria de conquistas, que já contava com uma medalha olímpica, um ouro pan-americano, um título mundial, três de Liga Mundial e dois de Superliga, recebeu mais uma: o canudo de formatura em Educação Física.
— Quando parei de jogar, eu percebi que tinha cometido um equívoco. Claro que o descanso é importante para o atleta, mas são muitas horas entre um treino e outro. Às vezes, durante uma viagem, em que a gente tem um tempo grande no ônibus, no avião. Acho que o atleta pode pensar de uma maneira um pouco mais à frente sobre aquilo que quer fazer no pós-carreira e se preparar, porque, quando a gente menos espera, essa hora chega — aconselha o ex-jogador.

Mesmo focado em contribuir para a aptidão física de seus agenciados, Samuel Fuchs ainda possui um pé — ou, melhor, as mãos — na parte técnica do vôlei. As aulas dadas a pessoas de diferentes idades, bem como as mentorias realizadas com atletas de base, o mantêm em contato direto com a quadra.
Ele reforça que está em um momento de aprendizado em ambas as frentes, mas não descarta investir a fundo na carreira de treinador e, eventualmente, comandar um time da Superliga.
— Acho muito interessante essa troca com jogadores da mesma posição que eu. Às vezes sou procurado por um ponteiro, um oposto. Então, essa área de treinamento de voleibol tem sido bem bacana. Nesse momento, estou me permitindo aprender mais sobre essa questão de ser técnico, de me relacionar com as pessoas, de transmitir de maneira clara e didática para os atletas ou alunos aquilo que eu penso sobre o voleibol. Quem sabe ali na frente eu possa estar voltando para o esporte de alto rendimento, para uma equipe de Superliga. Isso acho que só o tempo vai dizer — acrescentou.
Campeão da Superliga, Samuel Fuchs é homenageado pelo Minas
No dia 14 de agosto, o Minas apresentou oficialmente o elenco para a temporada 2026/27, em evento realizado na Praça da Estação, em Belo Horizonte. A cerimônia também marcou o lançamento do novo uniforme, inspirado no que foi utilizado no tetracampeonato da Superliga Masculina, em 2006/07.
Ex-jogadores que participaram do último título nacional da equipe mineira foram homenageados. Além de Samuel Fuchs, o líbero Serginho e o levantador Rafinha estiveram presentes para comemorar o aniversário de 20 anos da conquista.
Nomes como Lucarelli, Maique e Honorato estão entre os principais reforços do clube da Rua da Bahia, que terá como primeiro desafio o Campeonato Mineiro, em setembro. O grupo comandado pelo técnico Peu Uehara estreia no dia 23, às 19h (de Brasília), contra o Monte Carmelo, na Arena UniBH.


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