
Rio 2016: a despedida olímpica das bicampeãs Jaque, Fabiana e Sheilla
"Final antecipada" impede sonho de medalha pela terceira vez seguida
O clima era de euforia no Ginásio do Maracanãzinho. Jogando em casa e favorita ao pódio, a seleção feminina de vôlei havia alcançado as quartas de final dos Jogos Rio 2016 sem perder um set sequer. Porém, quando a China marcou o último ponto e confirmou a vitória por 3 sets a 2 naquele dia 17 de agosto, a festa virou silêncio. O sonho do tricampeonato olímpico chegava ao fim.
Para Sheilla, Jaque e Fabiana, remanescentes do grupo que conquistou as medalhas de ouro nas Olimpíadas de Pequim 2008 e Londres 2012, a eliminação precoce também significou o último capítulo com a camisa da seleção brasileira em Olimpíadas.
O duelo com a China
Apesar do favoritismo e do fator casa, a busca pelo tri não seria simples. Era preciso conter a empolgação de competir tão perto dos familiares e amigos para manter o foco. Mas o Brasil cumpriu com as expectativas na primeira fase: vitórias por 3 a 0 sobre Camarões, Argentina, Japão, Coreia do Sul e Rússia garantiram a liderança do Grupo A. A expectativa era de pegar um adversário mais tranquilo nas quartas de final, já que o cruzamento seria com o quatro colocado do outro grupo. Mas não foi o que aconteceu.
A China também chegou aos Jogos Rio 2016 como uma das favoritas mas, diferente do Brasil, não fez uma primeira fase convincente. Pelo contrário, somou apenas vitórias sobre Porto Rico e Itália, que acabaram eliminadas, e sofreu três derrotas para Estados Unidos, Holanda e Sérvia. O jogo que era esperado para acontecer na final, acabou acontecendo muito antes.
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No primeiro set, o jogo se desenhava favorável para o Brasil, que construiu vantagem cedo e venceu por 25/15. Mas as asiáticas cresceram em quadra e contaram com um nome que assombraria os brasileiros por muito tempo: Zhu Ting. A ponteira de 1,98m foi a carrasca do ataque e principal pontuadora da partida, com 28 bolas no chão. Apesar da luta das brasileiras, foram as rivais quem saíram de quadra com a vitória por 3 sets a 2 (25/15, 23/25, 22/25, 25/22 e 13/15) e a vaga para a semifinal.
— Aquele jogo contra a China que foi uma fatalidade. Faz parte, a gente estava jogando com uma grande equipe do outro lado, que foi campeã. A gente perdeu para o campeão, não foi pra qualquer time. O nosso objetivo a gente cumpriu, estávamos ali, fazíamos o trabalho certinho… Mas o principal a gente não conseguiu - relembrou Jaque, que ainda voltaria à seleção como líbero em 2018, mas por pouco tempo.

De fato, não houve mais quem parasse a China que, ironicamente, foi quem alcançou o tricampeonato olímpico no Rio de Janeiro. Depois de vencer o Brasil, a equipe bateu Holanda e Sérvia para subir ao lugar mais alto do pódio.
Uma década depois, Sheilla ainda lembra daquela partida com certa tristeza. A oposta, que havia planejado a despedida da seleção na Rio 2016, ainda esperava, nos últimos pontos, por um desfecho diferente em sua última dança olímpica. Em 2019, após três anos afastada do vôlei, a mineira retornou à seleção a convite do técnico Zé Roberto, mas acabou cortada da lista final para os Jogos de Tóquio, disputados em 2021.
— Não queria sair perdendo e sem uma medalha. Olho para aqueles Jogos com tristeza, mas com uma tranquilidade muito grande de que eu fiz tudo o que era possível dentro e fora de quadra pra chegar da melhor maneira possível. Infelizmente, não era pra ser nosso - contou.
Ainda em quadra após a derrota para a China, a capitã Fabiana se lamentou dizendo que "não queria sair daquele jeito". O sentimento, expressado no ápice da dor, se transformou ao longo dos anos. Assim como Sheilla, a central também voltou a defender a camisa amarelinha em 2019, mas viveu uma grande mudança de vida durante o ciclo olímpico de Tóquio: se tornou mãe do pequeno Asaf.
— Nós acreditávamos muito naquele grupo e jogar uma Olimpíada em casa era um sonho. Mas aprendi que o esporte também é feito de derrotas. Foram elas que me ensinaram algumas das maiores lições da minha vida. O tempo me fez entender que um único jogo nunca será maior do que tudo o que vivi vestindo a camisa da Seleção - concluiu.

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