
Rio 2016: Ágatha/Bárbara e a única derrota de Walsh: 'Transcendental'
Americana chegou ao jogo contra as brasileiras com 25 vitórias e apenas um set perdido em Olimpíadas
Kerri Walsh chegou aos Jogos do Rio 2016 carregando um retrospecto perfeito em Olimpíadas. Tricampeã olímpica com Misty May-Treanor, ela havia vencido todas as 21 partidas disputadas em Atenas 2004, Pequim 2008 e Londres 2012. Em todos esses jogos, havia perdido apenas um set! No Brasil, parecia que a sequência ia continuar. Até as semifinais, cinco vitórias em sequência. Todas sem perder nenhum set. Mas tinha uma Ágatha e uma Bárbara no meio do caminho. Na partida que valia a vaga na final, as brasileiras fizeram um jogo irretocável e fizeram a americana sentir pela primeira vez o gosto da derrota olímpica.
A vitória por 2 sets a 0 (22/20, 21/18) veio em um jogo duríssimo, com a torcida que lotou a Arena da Praia de Copacabana indo à loucura. A cada ponto, a cada vibração, a estrutura montada apenas para os jogos parecia que viria abaixo.
A preparação para a semifinal foi extensa. Em busca de uma difícil vitória, Agatha e Bárbara estudaram o jogo das norte-americanas por cinco horas seguidas, entre vídeos de partidas das adversárias e conversas sobre o que as brasileiras deveriam colocar em quadra. Segunda Ágatha, ela já sabia "exatamente o que Walsh e Ross iriam fazer", o que se concretizou no aguardado duelo.
— Eu lembro até hoje vividamente o sentimento que eu tive, as emoções que vieram ali. E a gente estava tão feliz, tão feliz comemorando, que depois, quando a gente estava no quarto, a gente falava: "Você tem noção de que a gente está na final olímpica em casa? Nossa primeira Olimpíada". E aquilo foi tão bom, um sentimento de gratidão tão grande. E foi ótimo, com certeza, ir para a final.
A derrota foi a única da carreira de Walsh em Jogos Olímpicos. Ao lado de April Ross, a norte-americana, aos 37 anos, terminou a campanha no Rio 2016 e a carreira olímpica com o bronze. Ela se aposentou das quadras após não se classificar para as Olimpíadas de Tóquio 2020.
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Da preparação para a final até a prata

A semifinal foi disputada tarde da noite, já de madrugada, e as horas até a final foram um mix de emoções e pouco sono para as brasileiras. Até aquela fase, as brasileiras tiveram um dia de folga entre os jogos, mas a decisão seria disputada logo na sequência da semi. E, mudando ainda mais o cronograma, Bárbara foi chamada para o teste de doping, o que fez com que a dupla deixasse Copacabana apenas às 3h (de Brasília) da manhã.
Na chegada à concentração, na Urca, Zona Sul do Rio de Janeiro, Ágatha e Bárbara nem tinham mais comida à disposição, e a solução foi pedir pizzas. Enquanto isso, Laura Ludwig e Kira Walkenhorst, adversárias da final, já descansavam e se concentravam para a decisão horas depois.
Na sonhada final olímpica, Ágatha e Bárbara acabaram superadas pelas alemãs por 2 sets a 0 (21/18 e 21/14). Para Ágatha, a preparação diferente pesou no resultado, mas não pode ser usada como desculpa. Ainda assim, considera que a partida poderia ter sido melhor jogada.
— Essa parte do descanso foi muito diferente entre os dois times. Mas isso não é desculpa, o time alemão vinha numa ascensão absurda. Eu acho que poderia ter sido um jogo melhor. A final foi um 2 sets a 0 muito rápido para elas, sendo que a gente vinha apresentando durante a Olimpíada jogos maravilhosos, absurdos, com muita energia. Eu acho que, na final, a gente ficou muito diferente dos outros jogos.

Apesar de subirem ao pódio sem o ouro, Bárbara descreve a sensação de pisar no símbolo olímpico como um "orgulho".
- Acho que a importância daquela medalha é, primeiro de tudo, o orgulho de poder representar o país nos Jogos Olímpicos em casa. Ter toda aquela vibração, aquela energia da torcida… Foi assim… mágico! Foi transcendental.
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