Análise: o caminho do Brasil para superar a Itália passa pelo saque e bloqueio
Seleção venceu as italianas na primeira semana da competição. Agora, disputam uma vaga na grande final

O Brasil chega à semifinal da Liga das Nações Feminina de Vôlei (VNL) diante do maior desafio possível. A equipe de José Roberto Guimarães enfrenta neste sábado (25) a Itália, atual campeã olímpica, mundial e da VNL. O favoritismo é italiano, principalmente porque as adversárias chegam com força máxima, enquanto a seleção brasileira terá quatro desfalques importantes: Julia Kudiess, Gabi Guimarães, Tainara e Nyeme.
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Apesar do cenário desfavorável, a campanha brasileira mostra que há caminhos para equilibrar a partida. A própria VNL já ofereceu um exemplo disso.
Na primeira semana da competição, em Brasília, o Brasil derrotou a Itália por 3 sets a 2 e encerrou a sequência de 39 vitórias consecutivas das europeias. O resultado, no entanto, precisa ser analisado com cautela. O técnico Julio Velasco preservou praticamente toda a equipe titular. Paola Egonu, Alessia Orro, Myriam Sylla e Anna Danesi não viajaram ao Brasil, e a seleção italiana utilizou uma formação alternativa, ainda que com nomes importantes, como Ekaterina Antropova e Loveth Omoruyi.
Agora, o cenário é diferente. A Itália terá em quadra a base campeã olímpica de Paris e chega embalada por uma campanha dominante, com apenas duas derrotas em toda a competição (para o Brasil e para os Estados Unidos).
Ataque italiano exige pressão desde o saque
Os números mostram por que a Itália é considerada a equipe mais consistente da VNL. A eficiência ofensiva das europeias ficou acima de 32% em sete partidas da fase classificatória e atingiu 38% na vitória por 3 sets a 0 sobre os Países Baixos, nas quartas de final, o melhor índice da equipe no torneio.
Ao mesmo tempo, as italianas cresceram muito no bloqueio ao longo da competição. Depois de registrar sete e nove pontos no fundamento durante a primeira semana, passou a alcançar marcas de 13, 12 e 14 bloqueios na terceira etapa da VNL, mostrando a evolução da equipe com o retorno das principais jogadoras.
Curiosamente, o saque não tem sido o principal diferencial italiano. Em diversas partidas, a equipe apresentou eficiência neutra ou até negativa no fundamento, como contra Sérvia (-5%), Estados Unidos (0%), Canadá (0%) e China (0%). Isso mostra que a força da seleção comandada por Julio Velasco está na organização coletiva, no bloqueio e, principalmente, na eficiência do ataque.
Para o Brasil, a estratégia passa justamente por impedir que esse sistema funcione. Na vitória da primeira fase, a seleção brasileira pressionou o passe italiano e dificultou a construção ofensiva adversária. Mesmo diante de uma formação alternativa, as italianas terminaram aquela partida com apenas 28% de passes positivos, um dos piores índices da equipe na competição.
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Brasil precisa recuperar eficiência ofensiva
Se a defesa evoluiu, o ataque brasileiro ainda preocupa. Durante a primeira semana da VNL, o Brasil teve média de 41,7% de eficiência ofensiva. Nas duas semanas seguintes, esse número caiu para 30,8%, uma redução de quase 11 pontos percentuais, reflexo das oscilações enfrentadas pela equipe ao longo da fase classificatória.
Por outro lado, a recepção segue sendo um dos pontos fortes da seleção. O Brasil encerrou a primeira fase com média de 50,2% de passes positivos, mantendo regularidade mesmo diante dos adversários mais fortes. Além disso, houve redução significativa no número de erros. Depois de cometer 107 e 110 erros nas duas primeiras semanas, a equipe fechou a terceira etapa com apenas 71, demonstrando maior controle das ações e melhor tomada de decisão.
Vitória do Brasil sobre o Japão mostrou evolução brasileira
Se o primeiro confronto com a Itália aponta um caminho tático, a vitória sobre o Japão reforçou que o Brasil chega em crescimento à reta decisiva.
Depois de perder o primeiro set, José Roberto ajustou rapidamente a equipe. A entrada de Luzia fortaleceu o bloqueio, e o Brasil terminou a partida com 15 pontos no fundamento, desempenho fundamental para a virada.
A central destacou que a receita para enfrentar a Itália passa pela disciplina tática.
— É um adversário que a gente tem feito grandes confrontos em todas as competições. É a mesma coisa: ser pragmático na parte tática, ter muita paciência. É um time com um poder de ataque muito forte e a gente vai ter que neutralizar elas pra passar pra próxima etapa — afirmou Luzia.
Outro aspecto positivo foi o desempenho das ponteiras. Ana Cristina marcou 30 pontos, enquanto Julia Bergmann anotou outros 24. Juntas, foram responsáveis por 54 pontos e lideraram a reação brasileira tanto no ataque quanto na defesa.
Após a classificação, Julia Bergmann ressaltou a confiança adquirida pela equipe durante a competição.
— É sempre jogo difícil, né? Mas eu acho que a gente chegou num nível que consegue competir com qualquer equipe no mundo. Agora é descansar, principalmente, dormir bem, comer bem e depois se preparar para o jogo da Itália.

Coletivo será a principal arma
Sem Julia Kudiess, líder da VNL em bloqueios até sofrer a lesão no joelho, além das ausências de Gabi, Tainara e Nyeme, o Brasil perde qualidade individual. Em contrapartida, chega à semifinal mostrando evolução coletiva.
Para surpreender a principal favorita ao título, a seleção precisará repetir os ingredientes que deram resultado na vitória sobre o Japão e no triunfo sobre a Itália na primeira semana: saque agressivo para quebrar o ritmo da recepção adversária, bloqueio consistente, paciência nos ralis e uma distribuição ofensiva capaz de dividir responsabilidades entre Ana Cristina, Julia Bergmann, Diana, Rosamaria e Luzia.
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