Pedro Emanuel valoriza atuação do Vasco contra Fluminense: 'Orgulho'
Treinador destaca competitividade no empate sem gols com o Fluminense

O técnico Pedro Emanuel saiu satisfeito com a atuação do Vasco no empate sem gols com o Fluminense, neste sábado (1º), pelo jogo de ida das oitavas de final da Copa do Brasil. Em entrevista coletiva após o clássico no Maracanã, o treinador afirmou que a equipe apresentou um nível de competitividade que o deixou orgulhoso, apesar de lamentar o resultado.
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— Saio com o sentimento é de orgulho. Fomos extremamente competitivos. É um clássico no Maracanã, é minha estreia desde já, mas me deixa satisfeito pela atitude. Logicamente, queremos mais, podemos fazer mais e vamos fazer mais. Mas é um bom indicador. Só não saio satisfeito porque não ganhamos. Estamos na primeira mão, os primeiros 90 minutos de 180, e chegar ao empate em 0 a 0 é perfeitamente natural neste momento da eliminatória — destacou Pedro Emanuel.
Evolução da equipe
Questionado sobre a evolução do Vasco e o desempenho apresentado diante de um adversário acostumado a controlar a posse de bola, Pedro Emanuel destacou que um dos objetivos era equilibrar o jogo e elogiou a maneira como a equipe iniciou a partida.
Segundo o treinador, o Cruz-Maltino conseguiu circular bem a bola e controlar parte das ações, mas faltou maior objetividade nas jogadas ofensivas para transformar o domínio em chances claras de gol.
— O Fluminense é um dos times com mais posse de bola do nosso campeonato. O objetivo inicial era equilibrar isso, e a forma como iniciamos foi um bom indicativo: com qualidade na posse e circulação. Faltou, de fato, um pouco mais de objetividade no último terço. Isso vem da confiança de que estamos falando. Mas acreditamos no processo, no valor, e na nossa equipe. Foi evidente isso hoje — comentou o treinador português.

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Competitividade como marca
Ao encerrar a resposta, Pedro Emanuel reforçou que o principal aspecto positivo foi a postura apresentada pelo Vasco. O treinador afirmou que a equipe demonstrou estar viva na temporada pela forma como competiu e pela conexão criada com a torcida durante o clássico.
— Para mim, estar vivo é ser competitivo. É arrastar, como arrastamos hoje, a torcida para o nosso lado até ao final. Há um mérito muito grande dos jogadores. Com mais ou menos qualidade, podemos discutir isso, mas a atitude que tiveram foi fantástica e é uma forma de jogar com a qual eu me identifico bastante. Hoje fomos competitivos até o fim e, apesar do empate, estamos apenas no meio do jogo.
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Este já é o Vasco de Pedro Emanuel?
— Acreditamos que o trabalho que vamos desenvolver vai poder dar melhores frutos a nós. Não temos tido tempo. Tem que dar valor à capacidade que o grupo teve de absorver as nossas ideias, estar receptivo às mudanças para nos ajudar a melhorar individual e coletivamente. Nisso o grupo tem sido exemplar. Trabalha exemplarmente, estava em um momento pior, mas pouco a pouco está recuperando a confiança e acreditando em si mesma. Isso vai nos ajudar a ser melhores. Estamos no caminho que eu pretendo, tentando ganhar mais vezes. Mas, se tivermos essa atitude e compromisso, todos os planos que colocamos para os jogos os jogadores têm cumprido à risca. Às vezes com mais ou menos qualidade, mas faz parte do processo e estamos aqui para isso, os fazer acreditar na equipe.
Opção por David e três volantes
— Estou rodando não só os atacantes, mas todos. Quero frescor na equipe, quem tem trabalhado durante a semana tem merecido as oportunidades. Por isso mesmo, é apresentar a cada jogo a melhor equipe disponível, física e mentalmente, e a melhor estratégia para cada jogo. Naturalmente, isso toca o ataque, assim como o meio-campo.
— Você falou sobre três volantes, às vezes vocês têm que definir o que é volante, porque estamos colocando jogadores nas mesmas posições, mas não. Há jogadores que têm essa capacidade, e o Ramon (Rique) é um desses, um (camisa) 8, claro, que inicia a construção e pode chegar à frente, e nos permite chegar, tal qual o Tchê Tchê. E, infelizmente, não conseguiu marcar o gol, porque acho que seria a cereja no bolo para o Tchê Tchê, que tem sido um guerreiro, alguém com muitos anos no futebol, tal como o Jair, a quem dei a braçadeira de capitão hoje porque acho que merece. Representa muito para o grupo, para o clube, tem uma história bonita. É um exemplo daquilo que pretendemos para o Vasco, alguém com esse caráter para que nossa equipe seja melhor, tenha humildade, caráter. São dois bons exemplos.
Jogadores que podem construir no meio-campo
— Temos vários, tanto é que hoje, muitas das vezes, o Tchê Tchê deu o início de construção. É muito importante para nós, porque quanto mais jogadores de qualidade pudermos introduzir, mais bola limpa sai para podermos atacar. Agora, precisamos de tudo um pouco, dependendo do jogo, das características do adversário. Sobre o Jair, não é uma gestão (de minutos) tão simples como eu, talvez, deveria ter feito um bocadinho mais cedo com o Andrés. O Andrés caiu bastante no momento da segunda parte. Vou ser sincero, talvez o Marino pudesse em algum momento entrar de um lado para o outro, mas acho que era arriscado para ele. O Marino está a procurar recuperar a confiança dele e, se calhar, não era. A mesma coisa com o Jair. Jair teve 11 meses. Tem sido bastante solicitado. Voltar e readaptar-se, o próprio corpo dele a readaptar-se àquilo que é jogar é muito diferente do que é treinar. Não queremos pôr em risco a evolução que ele está a ter, para que ele volte a ter a importância que sempre teve nas equipas por onde passou e muito aqui no Vasco. Teve um azar, a vida é mesmo assim, e ele agora está a recuperar, a ganhar confiança, e nós queremos que ele continue assim, sem nenhuma quebra nesse processo.
Dupla Jair e Thiago Mendes
— Se formos ver por possibilidades, eu tenho sempre em cima da mesa todas. Hoje pus na mesa jogar eventualmente com dois volantes para termos consistência, mas não foi essa a ideia. O Jair é um exemplo daquilo que é o acreditar que se consegue voltar a um nível, mesmo não estando num nível físico elevado. Tem a capacidade e experiência para acrescentar qualidade à equipe, como vimos hoje. Essa foi a ideia de introduzir o Jair para ter mais qualidade com bola, mais capacidade, sair mais limpos da zona média, ler o jogo defensivamente mais alto, mais baixo, junto da linha defensiva. Foi o que procuramos hoje e ele concretizou na perfeição. Representou aquilo que é o caráter que nossa equipe tem e vai continuar tendo cada vez mais para podermos ser melhores. Ajuda bastante quem está à volta dele, irradia tranquilidade, serenidade na tomada de decisão. Mesmo na linha defensiva, se reparar, também tivemos uma construção mais ligada. Faltou um pouco de critério no momento em que passávamos da primeira para a segunda e terceira fase, mas o adversário também joga e cria dificuldades. Temos que saber dar a volta nisso. Hoje foi um bom exemplo daquilo que podemos fazer: sermos competitivos, estarmos vivos. Estamos bem vivos, jogando um clássico no Maracanã com a nossa torcida. Hoje fiquei novamente apaixonado porque nossa torcida é isso, nos empurra para frente e nos faz acreditar até o final. Hoje novamente fiquei apaixonado.
Ausência de Thiago Mendes
— Sendo sincero, depois de ver esse jogo, até eu estava com vontade de entrar lá. Já não posso e não consigo. Mas sim, é um dos capitães, alguém que tem voz forte no grupo e na qualidade que põe no nosso jogo, na capacidade que a equipe tem de ser mais efetiva. Ele contribui bastante para isso. Estamos felizes porque vai voltar, mas, no segundo jogo, as equipes se conhecem um pouco melhor, vai haver uma ou outra mudança, não sabemos. Temos que avaliar bem tudo aquilo que sejam as melhores opções. Acredito que será mais um excelente jogo competitivo. Não vimos um jogo tecnicamente muito bem jogado; vimos, sim, um jogo muito disputado, como deve ser um clássico, vivido com intensidade do primeiro ao último minuto. Falta o recorte técnico, tem que voltar a estar presente. A capacidade de improviso, fazer a diferença quando temos a bola e ter a coragem de não só assumir as decisões, mas não ter medo de ser feliz.
Como produzir mais gols?
— Tentarmos ser mais eficazes e mais efetivos no último terço é alvo da nossa preocupação. Não temos tido muito tempo para poder aprofundar isso a tempo. Há um rodízio que temos vindo a fazer e há combinações que só com o tempo se consegue aprofundar. Apesar de já estarem aqui há algum tempo, está-se a pedir dinâmicas diferentes para esses jogadores que vão rodando no nosso meio-campo, no nosso ataque e mesmo na nossa lateral. Os únicos que têm rodado menos e que vão chegar à oportunidade deles (são) Freitas e Saldivia, que entrou um pouco no último jogo após lesão. Mas todos os outros têm oportunidades, e isto é o futebol: é mostrar quando temos as oportunidades.
Oportunidades para Marino Hinestroza
— Marino é um jogador jovem, que na temporada passada foi fantástico, vem com grandes expectativas, mas em muitos momentos a culpa não é só dele. A equipe também não o tem ajudado, a forma como as coisas têm se desenrolado também não tem ajudado. Têm tido menos oportunidades, têm tido um pouco mais de dificuldade neste sentido. Temos tentado apoiá-lo e não acredito que ele seja um desistente. Parece ser um jogador extremamente combativo, agressivo. Agora, não deixa de ser um jovem ainda que vem para uma realidade diferente, uma cultura diferente e, naturalmente, quer mostrar cada toque na bola. E nem sempre o futebol é assim, nem sempre a equipe o pode ajudar. Mas eu quero muito mais dele.
Alterações táticas durante o jogo
— Não queria abrir muito, no sentido de não passar muita informação. Depois, eventualmente, poderemos. É reconhecer aquilo que seja a qualidade e a capacidade do adversário, e o rival de hoje, de fato tem bastante qualidade. Estas variações de forma, um 4-2-3-1 ou 4-4-2, você pode chamar o que quiser, a dinâmica que vai ser introduzida é que vai fazer dessas alterações. Porque, se nós tirarmos uma foto em diferentes momentos, às vezes, até estamos com 5-4-1, outras vezes 5-3-2 ou 5-2-3. Portanto, isto depende do momento. Agora, essas nuances eu quero nas minhas equipes, pretendo que elas tenham capacidade de adaptação, que o próprio jogador saiba o que pode fazer em cada momento. Isso para mim é o mais importante, ir para dentro do campo identificado com aquilo que é nossa estratégia como equipe e o seu desempenho individual.
Cobrança de faltas
— Naturalmente vemos quem tem mais condições e características para efetuar esse momento do jogo, que é importante. Também o momento da equipe não ajuda alguns dos jogadores a assumir e bater esse tipo de faltas. Mas vamos treinar.

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