Bola aérea defensiva e falta de atenção afastam o Vasco das vitórias
Dos 23 gols sofridos pelo Cruz-Maltino nesta temporada, 11 foram oriundos de cruzamentos

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Após um início promissor sob o comando de Renato Gaúcho, o Vasco atravessa seu primeiro momento de instabilidade na temporada com o treinador. A equipe acumula quatro partidas sem vencer — três empates e uma derrota — em um recorte que expõe um padrão preocupante: eem três desses jogos, o Cruz-Maltino saiu na frente, mas cedeu o empate e desperdiçou pontos importantes.
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O cenário voltou a se repetir no último sábado (11), diante do Remo, quando o Vasco sofreu o gol de empate na reta final do segundo tempo. Após a partida, Renato Gaúcho voltou a demonstrar incômodo com a dificuldade da equipe em sustentar resultados. Para o treinador, os gols sofridos passam mais por falhas internas do que por méritos dos adversários, especialmente pela falta de concentração ao longo dos 90 minutos.
— Dificilmente a gente tem tomado gols por méritos do adversário, são falhas nossas. Essas falhas têm que acabar, tem que ter mais atenção. Tenho conversado bastante com eles, trabalhado no vídeo, mostrado o certo e o errado. Infelizmente, estamos tomando gols que não podemos — afirmou o técnico, destacando que o time deixou escapar, no mínimo, seis pontos recentes.

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Essa não foi a primeira vez que o treinador abordou o tema. Após a derrota de virada para o Botafogo, Renato já havia ressaltado que a desatenção tem sido determinante nos resultados negativos.
— No futebol tem que ter atenção durante os 90 minutos. Não tem jeito, você tem que estar ligado o tempo todo, não importa quem é o adversário. Eu falei pra eles que nós deixamos escapar no mínimo um ponto hoje. Deixamos dois contra o Coritiba por falta de atenção.
Bola aérea é o calcanhar de aquiles do Vasco em 2026
Além da questão da concentração, outro problema estrutural segue impactando diretamente o desempenho vascaíno: a fragilidade na bola aérea defensiva.
O empate sofrido contra o Remo ilustra bem essa dificuldade. No lance do gol, o zagueiro Marllon venceu pelo alto após disputa com Saldivia, evidenciando uma deficiência recorrente na equipe.
Os números ajudam a dimensionar o problema. Dos 23 gols sofridos pelo Vasco nas 21 partidas disputadas em 2026, 11 tiveram origem em jogadas aéreas. Nove deles saíram diretamente de cruzamentos, enquanto outros dois surgiram após cortes incompletos da defesa, que permitiram a finalização adversária na sequência.

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A questão, no entanto, não é nova. Ainda sob o comando de Fernando Diniz, a equipe já apresentava dificuldades nesse tipo de lance. Após derrota por 1 a 0 para o Bahia, em fevereiro, o treinador apontou problemas de posicionamento e falhas na marcação coletiva como fatores determinantes.
— Quando a gente tomou gol de bola aérea, não foi falha do Cuesta ou do Saldivia. Geralmente alguém falha na marcação individual, e hoje foi uma falha de posicionamento. Ficou um vazio ali, eles atraíram a gente para dentro da pequena área, a gente foi e eles fizeram uma jogada pra trás e tinha que ter pelo menos um jogador naquele posicionamento onde a bola entrou. A gente tem procurado trabalhar o máximo para que a gente evite gol de bola aérea, principalmente de bola parada.
Quem também analisou o cenário foi o ídolo vascaíno Mauro Galvão, capitão da conquista da Libertadores de 1998. Em contato com o Lance!, o ex-jogador destacou que a responsabilidade pela marcação em bolas aéreas não deve recair apenas sobre os zagueiros, mas sim sobre toda a equipe.
Segundo ele, o problema é coletivo e envolve desde a pressão sobre quem cruza até a ocupação dos espaços dentro da área. Para Mauro Galvão, é essencial dificultar a chegada da bola em boas condições e, quando isso não for possível, garantir agressividade na disputa pelo alto.
— Nos últimos jogos, o Vasco apresentou esse problema contra o Cruzeiro em duas situações, nos gols, depois contra o Coritiba e novamente diante do Remo. É uma questão que, na verdade, é coletiva. O time precisa resolver isso junto, porque o atacante também marca, os meias, os volantes, não é só a defesa. Muitas vezes se coloca a responsabilidade apenas nos dois zagueiros, mas é o time todo. Isso passa por treinamento: evitar que a bola chegue com facilidade aos atacantes e, quando chegar, alguém precisa atacar a bola.
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O recorte recente reforça o diagnóstico. Nas últimas três partidas pelo Campeonato Brasileiro — contra Botafogo, Coritiba e Remo —, o Vasco abriu o placar em todas, mas não conseguiu sustentar a vantagem. Dos quatro gols sofridos nesses jogos, três foram em jogadas aéreas, evidenciando a repetição de um erro que tem custado caro.
Entre falhas de atenção e dificuldades na bola parada, o Vasco vê vitórias escaparem em detalhes. A correção desses problemas passa por ajustes táticos, maior concentração e, sobretudo, por uma resposta coletiva dentro de campo. Caso contrário, o roteiro recente tende a se repetir — e os pontos continuarão ficando pelo caminho.
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