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Rebaixado à Série C do Rio, São Cristóvão teme pelo fim

Rua de Londres - (Foto:Mauro Graeff Júnior)
Rua de Londres - (Foto:Mauro Graeff Júnior)

O São Cristóvão vive um dos momentos mais delicados da sua história. Rebaixado para a Terceira Divisão do Campeonato Carioca com uma rodada de antecedência, o time não tem ideia de como será o seu futuro. Segundo o conselheiro Raimundo Quadros, o prognóstico não é dos melhores. Afinal, ele teme até mesmo pela falência do futebol do clube:

- Esse é o princípio do fim. Nos últimos cinco anos, em quatro disputamos o Grupo da Morte. Uma hora isso ia acontecer. O clube não vai conseguir se segurar com as próprias pernas, a não ser que venha alguém e arrende o futebol.

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Durante toda a Série B, a equipe disputou 30 jogos, nos quais venceu apenas oito, empatou cinco e foi derrotada em 17 oportunidades. Ao longo da campanha, diversos problemas, como reclamações por atrasos de salários e acusações de falta de profissionalismo dos atletas.

Para completar, o São Cristóvão ainda disputou todos os jogos em casa com portão fechado. O motivo: a falta do laudo do Corpo de Bombeiros, que alegou que o Figueira de Mello não tinha condições estruturais de receber os torcedores.

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Falta de investimento

De acordo com Raimundo Quadros, o tradicional clube da Zona Norte do Rio de Janeiro só vive essa situação por causa da falta de investimento. Para ele, é praticamente impossível competir com times de grandes empresários ou equipes de outras cidades que recebem grande apoio das prefeituras locais:

– Times como Portuguesa, Campo Grande e São Cristóvão não conseguem mais se sustentar. A gente disputa com Tigres do Brasil, Audax, Artsul, que têm forte apoio de empresários. Ainda há casos como de Quissamã e São João da Barra, que as prefeituras investem pesado.

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Toda essa situação acontece em um clube que revelou o Fenômeno Ronaldo. Além disso, ostenta quatro jogadores convocados para Copas do Mundo: Zé Luiz, Doca e Theóphilo (1930) e Afonsinho (1938).

NO FUNDO DO POÇO

Na elite
Estreou em 1913 e até 1979 jogou na Primeira Divisão do Carioca, exceto o de 1933. Foi campeão em 1926, vice em 1934 e oito vezes terceiro colocado (a última vez em 1943). Caiu pela primeira vez em 1979.

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Cadete Ioiô
Com a criação de divisões no Estadual, conquistou o acesso em 1982, mas caiu no ano seguinte. Só disputou a elite mais duas vezes, em 1993 e 1995. E voltou a cair.

No Acesso
Depois de 1995, quando terminou o Carioca sem vencer nenhuma partida, o São Cristóvão jamais voltou à Primeira Divisão do Rio.

No poço
Na Segundona de 2012, o São Cristóvão terminou a primeira fase em antepenúltimo de seu grupo. Foi para o Grupo da Morte após perder em casa para o Mesquita. Terminou em penúltimo lugar e, assim, caiu para a Terceirona do Rio em 2013.

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COM A PALAVRA
Raimundo Quadros
Conselheiro do São Cristóvão

São Cristóvão não caiu agora. Este processo começou há anos e anos. Eu quero morrer antes de ver o clube morrer. É claro que não vai acabar no ano que vem, nem no outro. Mas aos poucos isso pode acontecer. Não se tem mais fôlego. É o princípio do fim. A não ser que venha o Ronaldo (Fenômeno), por exemplo, e arrende o clube. Ou algum patrocinador forte que queira usar a marca. Mas com as próprias pernas não vai aguentar. Não é só questão de boa vontade. É que não tem como mesmo.

As pessoas têm que entender que times como Bonsucesso, Portuguesa, Campo Grande e São Cristóvão não aguentam se sustentar. E ainda disputam com Tigres do Brasil, Audax, Artsul. É difícil. Ainda tem Quissamã, São João da Barra e outros nos quais as prefeituras locais investem pesado. Como vamos disputar com esses clubes? É como se eu morasse em uma favela, nunca tivesse estudo e fosse disputar algo com alguém da Zona Sul. É muito dinheiro em jogo. Para nós, é uma covardia. A gente não aguenta.

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