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Odair Santos encara nova realidade após mudar de classe no atletismo

Fernando Henrique pelo Fluminense (Foto: Paulo Sérgio)
Fernando Henrique (Foto: Paulo Sérgio)

Depois de brilhar por muitos anos na classe T12 (baixa visão), o fundista paraolímpico Odair Santos, de 30 anos, está, desde o fim de agosto de 2010, se adaptando à mudança para a classe T11 (cego total). Vítima de retinose pigmentar, doença genética que afeta a retina e o nervo óptico, ele ainda enfrenta dificuldades, mas já começou a demonstrar que tem tudo para repetir na nova classe o sucesso da anterior. E, assim, conquistar a inédita medalha de ouro na Paraolimpíada de Londres-2012.

Em janeiro, disputou o Mundial de Atletismo de Christchurch, na Nova Zelândia, e quebrou o recorde mundial nos 1.500m. Na ocasião, cravou 4m04s70. No último domingo, na primeira etapa do Circuito Paraolímpico, em São Paulo, melhorou a marca ao obter 4m04s32.

Antes, no sábado, Odair quebrou o recorde mundial nos 800m rasos ao cravar 1m58s47. O tempo pulverizou a marca anterior, 1m59s99, que pertencia ao britânico Robert Matthews desde 1986.

– Ainda não consegui me acostumar. Eu enxergava até pouco tempo e, de repente, ser reclassificado e ter de correr vendado complicou tudo. Mas estou trabalhando para recuperar as marcas que eu tinha na T12. Já consegui dois recordes mundiais e espero obter outros. Meu maior objetivo é brilhar nos Jogos de Londres, pois não tenho ouro em Paraolimpíadas – disse o fundista.

Fora das pistas, a adaptação tem sido ainda mais complicada. Se nas competições Odair afirma estar no ambiente que frequenta desde os 10 anos, quando começou a praticar atletismo por influência do tio, fora dela os obstáculos são maiores.

– Existem muitas coisas que atrapalham, como as calçadas cheias de buraco e o preconceito das pessoas. Eu até consigo andar sozinho, pegar o ônibus, mas com dificuldade. Tenho de andar devagar para não tropeçar e me machucar – disse ele.


Quem é:
Nome:
Odair Santos

Nascimento:
17/5/1981, em Osvaldo Cruz (SP).

Deficiência:
Cego, vítima de retinose pigmentar.

Classe:
T11 (cego total).

Medalhas:
Ouro nos 400m, 800m e 1.500m na classe T12 no Parapan-Americano de Mar Del Plata-2003; ouro nos 1.500m, 5.000m e 10.000m na classe T12 no Parapan-Americano Rio-2007; prata nos 1.500m e 5.000m e bronze nos 800m na classe T12 na Paraolimpíada de Atenas-2004; bronze nos 800m, 5.000m e 10.000m na classe T12 na Paraolimpíada de Pequim-2008; ouro nos 1.500m, 5.000m e 10.000m na classe T11 no Mundial de Atletismo de Christchurch, em janeiro deste ano.

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Bate-bola:
Odair Santos
Fundista paraolímpico em entrevista ao LANCENET!

Por que os atletas cegos são obrigados a correr vendados?
Porque na classe T11 tem alguns atletas com doenças como a retinose que, por mais que a pessoa perca a visão, não fica tudo escuro. A pessoa sempre vê uma claridade. Então, para igualar os atletas, todos são obrigados a correr vendados.

Você começou muito cedo no atletismo, com 10 anos. Nessa época já tinha problema de visão?
Eu via meu tio (o corredor de rua Valdivino dos Santos) treinando e tomei gosto pelo atletismo. Com o passar do tempo, fui vendo que poderia ser atleta profissional. Eu descobri que tinha retinose aos 9 anos. Só que no início era bem menos severo. Eu lia e escrevia normalmente.

E por que você escolheu as provas de fundo para competir?
Porque eu gostava muito do estilo do Paul Tergat. Eu via ele ganhando a São Silvestre, Olimpíada. Daí surgiu minha preferência.

E como está sendo sua adaptação para correr com atletas-guias?
Está sendo bacana pois os guias são pessoas maravilhosas, que me ajudam dentro e fora das pistas. Eu utilizei guia em Pequim-2008, mas não era obrigatório na classe em que competia (T12). Mas na T11 os atletas são obrigados a usar.


Com a palavra:
Samuel Nascimento
Atleta-guia de Odair Santos, em entrevista ao LANCENET!

Fiquei muito contente com o convite para ser atleta-guia do Odair pois o considero como um ídolo. Eu acompanho de perto o quanto ele sofre e batalha para ser um atleta. Nós começamos a trabalhar juntos em fevereiro de 2010 e essa é uma experiência totalmente diferente para mim.

A dificuldade de se correr com um deficiente visual é que eu tenho de ir na passada dele. Eu sou menor do que o Odair, mas tenho a passada maior. Então, eu tenho de dar passos mais curtos e coordenar os movimentos do Odair. Sou eu quem passa a estratégia a ser feita durante uma corrida, o momento de fazer uma curva, por exemplo.

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Classificação funcional:

Provas de campo e pista
Usa-se a letra F (field, campo em inglês) nas provas de arremesso, lançamento e saltos; e T (track, pista em inglês) nas provas de velocidade e fundo. A divisão é a seguinte: 11 a 13 (deficientes visuais); 20 (deficientes mentais); 31 a 38 (paralisados cerebrais, sendo de 31 a 34 para cadeirantes e 35 a 38 para ambulantes); 41 a 46 (amputados); e F51 a F58 e T51 a T54 (competem em cadeiras atletas com sequelas de poliomielite, lesões medulares e amputações). Há ainda a F40 (anões).

Homens e mulheres
A classificação é a mesma para ambos os sexos. Entretanto, os pesos dos implementos utilizados no arremesso de peso e nos lançamentos de dardo e disco variam de acordo com a classe de cada atleta paraolímpico.

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