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Murilo: 'Somos os maiores de todos os tempos'

Relógio - Contagem Regressiva Gudalajara 2011 (Foto: EFE)
Relógio - Contagem Regressiva Gudalajara 2011 (Foto: EFE)

O tricampeonato mundial do vôlei brasileiro, no último domingo, coroou a melhor fase da carreira do ponta Murilo. Com atuação destacada durante todo o torneio, ele foi eleito o Jogador Mais Valioso (MVP), feito que também conseguira na Liga Mundial, em agosto.

Nesta terça-feira, poucas horas após chegar ao Brasil, o concorrido Murilo esteve na redação do LANCENET! para uma entrevista exclusiva. Apesar do cansaço, a felicidade pelo tri e pelo bom momento transparecia no rosto do jogador, que se considera parte da geração mais vitoriosa de todos os tempos.

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L! Entrevista recebe com exclusividade Murilo


Confira abaixo os principais trechos deste bate-papo:

Luiz Paulo Montes: Durante o Mundial, e até na preparação, vocês tiveram de lidar com algumas lesões. Como foi isso?

A gente sempre tem um sentimento de superação. Dante sentiu dores nas costas, Serginho (líbero) teve de operar, Marlon com a doença (colite ulcerativa), e eu com dores nas panturrilhas. Nunca tivemos tantos problemas como desta vez, mas usamos esse fator para nos unirmos ainda mais.

Fábio Aleixo: Em algum momento passou pela cabeça que não daria para conquistar o título?

Lógico que passa, mas tentamos olhar as coisas pelo lado positivo. Mas ficamos preocupados com o que poderia acontecer com tantas lesões. Deu um pouco de medo.

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Lucas Pastore: Desta vez, até Bernardinho se machucou (rompimento do tendão-de-aquiles do pé esquerdo). Sentiram falta dele um pouco mais ativo?

Ele ficou limitado mais na movimentação, mas não deixou de falar nunca. Às vezes, usava até a muleta para extravasar um pouco (risos).

F.A.: Com uma equipe tão vencedora, de onde vocês tiram motivação para continuar jogando?

De novo, é a superação. A gente se dedicamuito nos treinamentos, somos o time que mais treina no mundo, sem dúvidas. Usamos isso como uma motivação para a equipe. Tem de baixar a cabeça e ralar mesmo.

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L.P.M.: Essa nova geração da Seleção já conseguiu reconstruir a Família Bernardinho?

Tenho dúvidas se algum dia ela deixou de existir. Sai jogador, entra jogador, mas a família continua e também engloba a comissão técnica. Bernardinho tenta trazer o máximo de jogadores possíveis para verem como é o grupo e para que façam parte desta família. Passamos muito tempo juntos, ainda mais com companheiro de quarto. Então, a gente acaba se apegando.

F.A.: Com quem dividiu quarto na Itália? Como era a convivência?

Com Marlon (levantador). É um cara muito tranquilo. É um cara maravilhoso, fica dizendo que eu ronco à noite. Mas teve uma noite na qual não dormi direito e vi que ele também ronca um pouco, então fiquei mais tranquilo (risos).

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L.P.: Como você sentia o Marlon com a doença que ele estava, acompanhando tão de perto?

Ele veio falar comigo, saber se estava incomodando, se queria que trocasse de quarto. Mas não havia necessidade. Ele não conseguia se mexer, ficava se contorcendo de cólicas, não se alimentava. Mas queria ajudar, de alguma forma. Nem que fosse carregando água para os companheiros. Por isso decidiu-se que ele ficaria com o grupo.

L.P.M.: O que passava na cabeça de vocês antes do polêmico jogo contra a Bulgária, na segunda fase?

Não nos reunimos especificamente para decidir o que fazer naquele jogo. Reuniões são frequentes no grupo, até para decidir programação. Foi tudo normal.

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F.A.: Você faria alguma coisa diferente do que foi feito neste jogo?

Não. Não me arrependo de nada, acho que ninguém se arrepende. Escolhemos o caminho que achamos que era certo, não prejudicamos ninguém. Foi muito inteligente da nossa parte termos poupado alguns jogadores.

L.P.: Foi uma decisão do grupo ou ordem da comissão técnica?

Decisão nossa, ordem não existe. Estão falando como se tivéssemos atacado as bolas 50 metros para fora contra a Bulgária. Não foi assim. Bruno acordou mal e Bernardinho disse que não achava necessário ele se desgastar. Não era hora de arriscar, era um torneio longo.

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F.A.: Qual a sensação de fazer parte de uma equipe que rivaliza com a geração de 90 da Itália para ser a melhor de todos os tempos?

Acho que nós já somos os maiores de todos os tempos. A Itália não tem título olímpico, o Brasil já tem dois (1992 e 2004). Não há mais nada para se discutir. Só não temos como ganhar título europeu, né? (risos)

L.P.M.: E a rivalidade contra a Itália? Na semifinal, eles provocavam vocês mesmo perdendo.

Sim. Vermíglio (levantador) é uma coisa incrível. E não entendo o que acontece com os árbitros. As provocações são nítidas, passíveis de punição. O árbitro pode dar cartão amarelo e não faz nada. Mas essas provocações ficam mais pelos italianos. Nós queríamos jogar. O nosso tapa na cara deles foi tirá-los da final do Mundial.

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F.A.: E rolam ofensas pesadas entre vocês e os italianos?

Se esquentar o clima, rola. E é em italiano, pois eles não entendem português e queremos que saibam o que estamos falando.

L.P.M.: Falando em arbitragem... Era um temor de vocês para o jogo contra a Itália, na semifinal?

Era. Achei que eles erraram infantilmente às vezes. Os bandeirinhas estavam mal-intencionados. Mas entramos preparados para que, se tivessem erros, continuássemos focados no jogo.

L.P.M.: Campeão e MVP da Liga e do Mundial... Acha que é o melhor momento da sua carreira?

É, com certeza. Vim conquistando meu espaço, jogando aos poucos. Disputei a Olimpíada de Pequim, em 2008, embora não fosse titular. Joguei quatro anos na Itália, em alto nível. São fatores que me fizeram amadurecer.

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L.P.M.: Você está traçando um caminho parecido com o de Giba. Vê-se preparado para assumir o posto de capitão e de sucessor dele quando ele se aposentar?

Pelas características, acho que sim. De liderança, de influência dentro da Seleção. Mas ele ainda tem dois anos com a gente, é bastante tempo. Mas para mim seria uma honra herdar este posto que sempre foi tão bem representado.

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F.A.: O fato de nenhum outro brasileiro ter ganho prêmio individual no Mundial mostra que foi uma conquista do grupo?

Com certeza. Dá para ver que nossa equipe é mais aproveitada, temos mais peças de reposição caso aconteça alguma coisa. O nosso objetivo era o tricampeonato.

L.P.M.: Passou na sua cabeça que seria o melhor do Mundial?

Tentava não pensar nisso. Não queria que atrapalhasse, ainda mais em um esporte tão coletivo.

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