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Insone, médico, 'mentiroso' e com DNA santista: conheça Odílio Rodrigues

29/02/2016 22:18

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Odílio Rodrigues sofre de insônia e deixa a cama todos os dias antes de o sol nascer. No entanto, o expediente do presidente do Santos na Vila Belmiro só começa por volta das 10h30, já que de segunda a sexta-feira ele bate cartão como médico do estado. O reumatologista, porém, já não lida com pacientes, apenas com sistemas. Além de mandatário do Peixe, Rodrigues é autorizador de procedimentos de alto custo, como exames específicos ou cirurgias mais complexas.

Amante da medicina e defensor ferrenho do SUS (Sistema Único de Saúde), Odílio já foi secretário de saúde de Santos por sete anos, chefe na Santa Casa e professor universitário. Hoje, porém, diz pensar 24 horas no clube de coração. Eleito duas vezes vice, ele assumiu o cargo de presidente do Peixe no mês passado, quando Luis Alvaro Ribeiro se licenciou alegando problemas de saúde.

Por conta das seguidas internações do antigo mandatário, Odílio já vinha assumindo as rédeas do Alvinegro. Agora, porém, se sentiu mais à vontade para dar a sua cara para a gestão santista. Funcionários, parceiros, empresários, prestadores de serviços e até torcedores já notaram as diferenças entre o novo presidente e Luis Alvaro. Nas negociações, menos conversa e mais agilidade,  fato que agrada a agentes de atletas e membros do departamento de futebol. Na gestão, um homem racional, mas conservador. Nas entrevistas, menos polêmicas ou declarações folclóricas, e algumas mentiras – justificadas, segundo ele.

– Não vejo problema em mentir ou omitir informações para a imprensa em benefício do Santos – disse certa vez.

Odílio admira e se aconselha com Luis Alvaro, mas tem estilo diferente. É menos afeito às câmeras e microfones e não dá tanta abertura a torcedores organizados, por exemplo. Seus opositores acusam-no também de ser provinciano e "fechar" o clube na Baixada. Ele nega.

Descendente de espanhóis, o dirigente (Odílio não gosta do termo cartola) nasceu e cresceu em Santos. Acostumou-se a frequentar a Vila Belmiro, mas o jogo que mais lhe marcou foi bem longe dali.

– A imagem do bicampeonato mundial sobre o Milan, no Maracanã, nunca saiu da minha retina – diz, lembrando 14 de novembro de 1963.

O presidente se orgulha de ser de uma família 100% santista, ou "sem nível de contaminação", como ele brinca. Sua mulher, seus quatro filhos e netos são sócios do clube. Tradição que começou há quase um século com o pai de Odílio, que foi vice-presidente e ocupou outros cargos na diretoria e no Conselho do clube.

Se na infância e início da adolescência ele sonhava em ser jogador de futebol – era meia na várzea e nas peladas de praia – hoje há quem aposte que Odílio almeja vôos mais altos, como ser prefeito de Santos. O dirigente desconversa. Há também quem garanta que ele tentará a reeleição no ano que vem, embora boa parte dos conselheiros do clube interpretem que o estatuto não permite. O presidente evita polemizar.

– Não falo de eleições.

Ele fala de cortar gastos, em elaborar um novo organograma mais racional e recolocar o Peixe na briga por títulos. Fala também dos sacrifícios que o cargo no clube lhe exigem e das cobranças dos torcedores alvinegros, que até na saída da missa dominical lhe perguntam sobre o dinheiro da venda de Neymar. Nada que tire o pouco sono que ele tem...

Odílio Rodrigues assumiu a presidência há um mês, quando Luis Alvaro se licenciou


Presidente diz que põe a mão na massa

Odílio acredita que uma de suas maiores qualidades é o fato de ser participativo e estar junto dos funcionários do clube no dia a dia, colocando a mão na massa. Segundo o presidente, ele passa entre nove e dez horas por dia na Vila Belmiro.

– A liderança tem que ser consentida, não pode ser imposta. Isso é um modelo de liderança superada. Você tem que se colocar a serviço das pessoas. Se os gerentes sabem que eu estou aqui todo dia reunido com eles, eles vão me respeitar – afirmou o mandatário alvinegro.

O presidente santista passa a maior parte do tempo em sua sala, no estádio do Peixe, mas também costuma frequentar o CT Rei Pelé. Todas as segundas-feiras ele se reúne com o técnico Claudinei Oliveira, o gerente de futebol Zinho e o superintendente de esportes André Zanotta para discutir os rumos do time. O olheiro Sandro Orlandelli também participa dos encontros.

Semanalmente também há uma reunião geral com os gerentes de todos os departamentos do clube.

– Colocar a mão na massa é a minha grande virtude. Por ser apaixonado pelo trabalho e por tudo que faço, me dedico integralmente. Funcionários contam comigo o dia inteiro – comenta o mandatário.

– Estou integrado a tudo que acontece. Por participar aqui o dia inteiro e ser chamado para discutir todos os processos, dos mais simples ao complexo, tenho mais facilidade para liderar, já que as pessoas me conhecem, confiam, veêm que estou ali – completou o dirigente.

Às quinta-feiras, Odílio se reúne com os membros do Comitê de Gestão. Como a equipe é nova, os encontros têm sido demorados e chegam a durar mais de cinco horas.



Bate-Bola com Odílio Rodrigues, presidente em exercício do Santos, ao LANCE!Net

Pensa em voltar a ocupar um cargo público, seja como secretário de saúde, prefeito ou vereador ?
Eu estou no fim de uma carreira de médico, lutei muito pela saúde pública e continuo lutando. Como aceitei vir para o Santos, não dá para fazer as duas coisas. Vou me dedicar a essa outra paixão.

Como é a vida de presidente de clube? Tem mais ônus ou bônus?
Tem de ter dedicação exclusiva, ficar de oito a dez horas, renunciar ganhos. É preciso fazer sacrifício financeiro, familiar e até da imagem. Uma coisa é ser visto como médico, outra é como cartola. Antes, todo mundo me agradecia por atender as pessoas, dar aula. Hoje falam do dinheiro do Neymar, se vai cair... e as cobranças são ríspidas.

O que ganha, então?
O bônus é fazer isso por ideal e paixão. Custa mais para quem está do meu lado. Acordo contente todos os dias por servir ao clube que aprendi a amar desde cedo.

Como gostaria de ser lembrado pela torcida santista no futuro?
Ao lado dos membros do Comitê, como alguém que ganhou títulos, diminuiu a dívida, aumentou o faturamento e o quadro associativo.

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