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Em algumas pistas, Cacá Bueno não fica 100% seguro

Tatoo Neymar (Foto: Reprodução da internet)
Tatoo Neymar (Foto: Reprodução da internet)

O manifesto lido pelo pai Galvão Bueno na TV após o acidente com Gustavo Sondermann mexeu com Cacá Bueno. Mas o tricampeão da Stock nem pensa em parar, apesar de não se sentir 100% seguro em algumas pistas.

PARTE 1: Cacá Bueno exige mais segurança nas corridas
PARTE 2: Para Cacá Bueno, formação dos pilotos é deficiente
PARTE 4: Cacá Bueno 'sem estômago' para ser dirigente



Veja a terceira parte da entrevista exclusiva de Cacá Bueno ao LANCENET!

LNET!: Diante de tantos problemas, estresses e de um amigo que se perde, você se sente cansado e repensa em correr aqui?
CB: É claro que sim! A gente tem família, amigos... Eu amo o que faço, nem mesmo depois de o meu irmão ter sofrido um grave acidente na Europa (Popó Bueno teve fraturas em vértebras e até hoje tem pinos) eu pensei em parar. Mas você pensa que poderia ter feito algo de mais útil, não só a alegria e dar um lindo espetáculo. Será que eu não poderia ter feito algo a mais em prol do nosso esporte? Hoje tenho pelos resultados uma importância dentro do automobilismo nacional e um canal aberto com a imprensa para falar sobre alguns assuntos. Ano passado, nós conversamos e eu disse que a Vicar dá muita importância ao que eu falo, acha que estou querendo me meter na parte promocional. A gente critica não pelo prazer de criticar, mas porque há espaço para melhora. Depois de um acidente desse, a gente pensa mais ainda. Não fui só eu, fui chamado pelos outros para fazer parte da comissão. Todos tiveram aquela atitude de "vem cá", "vamos lá", "vamos nos unir", "vamos melhorar". Sem querer fazer sensacionalismo. Infelizmente a gente perdeu um amigo. No velório cumprimentei o pai do Gustavo e ele me abraçou e disse "não deixe isso ficar assim, que não seja em vão". E sei que ele disse o mesmo para outros pilotos. É esse o sentimento hoje. Se a gente tiver de botar a cara para bater e se indispor, a gente vai. Mas seria excelente que a gente só precisasse conversar. A gente só quer fazer o nosso trabalho trabalho com segurança.

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LNET!: Rendeu muita polêmica a frase do diretor de provas Sérgio Berti. Em 2007, houve a perda do Rafael Sperafico e falou-se muito mas passaram-se três anos e meio e aconteceu algo semelhante. O que faltou?
CB: Faltou organização e brigar mais, por parte de nós pilotos. Quando eu ouço dizerem que após a morte do Rafael nós não fizemos nada, não é verdade. Pedimos, sim, mudanças na Curva do Café naquela época. Mas a gente pediu, não exigiu. Essa é a mudança de postura que precisamos. A gente chegou a testar uma chicane que não está bem feita. Faltou pulso nosso em exigir mais mudanças. Aprendemos isso e vamos modificar. Vamos enviar um documento oficial mostrando claramente os pontos que precisam ser melhorados, registrando de forma oficial para que um acidente não seja tratado como fatalidade, mas irresponsabilidade.

LNET!: Nesse cenário de união dos pilotos, temos também o lado das equipes, várias lideradas por ex-pilotos. Como elas estão nesse contexto? CB: Logicamente existem itens do regulamento que a gente contesta e geraria um tipo de custo para as equipes. Mas volto a perguntar: quanto custa uma vida? A gente não pode medir custos para ter alguns itensmelhores. A gente não está pedindo um motor mais potente ou pneu mais aderente. A gente está pedindo itens para melhorar a nossa segurança, a dos mecânicos e de todos. Cerca de 90% dos itens não estão relacionados ao acidente do Gustavo.

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LNET!: O teu pai fez um manifesto após o acidente do Gustavo. Isso mexeu contigo?
CB: Envolve família e ele está preocupado, porque tem dois filhos que correm não só nesse carro como em outros (WTCC, TC 2000 e Trofeo Linea). O esporte a motor é perigoso e temos a consciência disso, mas não é para ter e pronto, acabou. É para que se faça o máximo para minimizar os riscos. Não há esporte no mundo com mais itens de segurança do que o automobilismo. Ele ficou preocupado como qualquer um que se sentiu abalado com a perda de um companheiro. Meu pai tem muito mais idade e logicamente não é a primeira vez que vê isso e ele sabe que não vamos parar, que amamos o que fazemos e fazemos razoavelmente bem. Ele fez um apelo de pai, naquele momento não foi o Galvão Bueno. Infelizmente a minha mãe é falecida e, lembro bem das palavras dela, fez de tudo para a gente não correr. Ela não gostava, mas no dia em que ela viu que não tinha mais jeito, chegou para a gente e disse: "Por favor, tenham cuidado e lutem pela segurança; se não tiver dinheiro para comprar um jogo de pneu novo, não vai comprar, mas vai comprar o capacete que precisar". Não me importo que a gente chegue a 220 ou 270 km/h, mas que os itens de segurança estejam lá. Não basta cumprir o regulamento FIA, se pudermos fazer mais, vamos fazer. A Nascar tem itens muito além do que a FIA exige.

LNET!: Você sempre entra para andar o máximo e ganhar, mas hoje se sente 100% seguro quando entra num carro?
CB: Não penso nisso, mas estaria mentindo se dissesse que me sinto 100% seguro. Em determinados locais, a gente não se sente 100% seguro. A gente sabe do risco, mas por amor ao esporte, às vezes por inconsequência, sentamos no carro e corremos. Outro piloto pode falar que sim, mas eu não me sinto. Eu me sinto muito seguro, há muitos trabalhando por isso, mas 100% em alguns lugares, não.

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