Bruno Guimarães pede por 'continuidade' na Seleção até 2030
Volante lembra período conturbado que antecedeu Copa do Mundo deste ano

Um dos líderes da Seleção Brasileira para este novo ciclo de Copa do Mundo, o volante Bruno Guimarães espera que a equipe nacional tenha "continuidade" até a disputa do Mundial de 2030. Na Austrália, onde o Brasil está reunido para três amistosos nesta data Fifa, o jogador do Arsenal lembrou o período conturbado que a Seleção precisou encarar nos três anos e meio que antecederam o Mundial deste ano, com sucessivas trocas de treinadores e mudança, inclusive, no comando da CBF.
➡️Na Seleção, Bruno Guimarães diz que bate mais mil pênaltis
— Sem dúvida, o mais importante é a continuidade. A gente sabe que no último ciclo de Copa do Mundo a gente acabou trocando de treinadores muitas vezes, muitas ideias diferentes. Obviamente que a gente, jogador, tem que fazer o balanço nosso e ver o que não foi bom a última Copa, reconhecer que a gente poderia ter feito muito melhor, mas agora a gente precisa, do meu ponto de vista, trazer a torcida brasileira junto com a gente — declarou Bruno Guimarães, em entrevista coletiva concedida em Brisbane, onde a Seleção está concentrada.
Guimarães reconheceu que o Brasil está em débito com a torcida, mas pediu apoio.
— Sabemos que eles (torcedores) estão muito magoados depois de tudo o que aconteceu. A gente só vai conseguir fazer isso jogando bem, com boas atuações, ganhando jogos. A gente conta muito com o apoio da nossa torcida, que as pessoas acreditem na gente.
Sobre o início do novo ciclo, com busca por renovação na Seleção Brasileira, Bruno Guimarães ressaltou a importância de se fazer isso de forma estruturada. E comentou sobre o papel dele e de outros remanescentes da equipe.
— Acho que o mais importante é passar confiança para os mais jovens, para quem está chegando a primeira vez. Minha primeira convocação foi em 2020 e desde lá muita coisa aconteceu na minha vida até aqui. Quando eu cheguei, todos os mais velhos me passaram confiança para que eu pudesse me sentir o mais à vontade e em casa possível, para desempenhar o meu melhor futebol. Eu acho que agora eu estou nessa missão.
Na avaliação de Bruno Guimarães, "não dá para mudar tudo da noite para o dia", mas a proposta da comissão técnica, de levar uma série de novos jogadores para estes primeiros amistosos, é importante para que Ancelotti consiga "abrir o leque".
— Os que ficaram da última Copa do Mundo, eu, o Gabriel (Magalhães), o Vini Jr, o Raphinha, o Douglas (Santos), o Marquinhos, a gente tem um papel diferente, tem um papel de liderança, obviamente. Se você pegar os novos jogadores aí, tem jogadores de 18, 19, 20 anos. Eu tenho 28 e estou me sentindo velho perto dos caras. Mas acho que a gente tem um papel diferente, é ajudar eles bastante. Vimos ontem (terça) no treino alguns jogadores ainda errando um pouco por estar com receio, que é normal, é natural de não estar se sentindo em casa, mas a gente tem aqui para ajudar, como fazer uma passagem de bastão para os mais novos.

Outros trechos da entrevista de Bruno Guimarães na Seleção Brasileira
Safra de jogadores
— A gente sempre vai ser uma potência. Você vê, vou dar o exemplo do Allan agora indo para o City também, do Estêvão que foi para o Chelsea há pouco tempo… A gente revela muitos jogadores, a gente não deixou de revelar, a gente só tem que lapidar nossas joias. Temos um cara com muita experiência no cargo (Carlo Ancelotti) que pode fazer isso, e eu acho importante ele trazer novos jogadores, obviamente mantendo uma base, e que ele possa descobrir mais jogadores que possam agregar no futuro da seleção.
Saída do Newcastle e começo no Arsenal
— O Newcastle é um clube que eu tenho uma história muito linda, fui o primeiro capitão a ganhar um título lá depois de 70 anos, junto com meus companheiros, então a gente marcou nosso nome na história do clube. Eu já estava há quase 5 anos no clube, sentia dentro de mim que eu precisava de um desafio novo, já estava pronto para isso, e sou muito grato ao clube por tudo que me proporcionou. Agora, começando minha trajetória no Arsenal, já começando bem, começando com o pé direito. Uma nova responsabilidade, no qual eu queria muito dar esse passo. Tenho que focar, porque sair de uma rotina que eu já estava acostumado no clube e começar outra requer um pouco de tempo, um pouco de adaptação, mas eu acho que estou indo bem. Estou muito feliz e empolgado com os novos desafios.
Novo ciclo de Copa do Mundo
— O clube serve muito para você ganhar casca para a Seleção, a gente sabe que são quatro anos, mas muita coisa acontece. Daqui a pouquinho (2028) já tem a Copa América também, que é um objetivo nosso, muito grande. Agora é começar um novo ciclo com o pé direito, obviamente que tem muita coisa para ser testada, a gente está indo hoje (quarta) para o nosso primeiro treino com todos os jogadores juntos também, é importante frisar. Então tem muita coisa pela frente, é óbvio que o objetivo maior é sempre uma Copa do Mundo, que é o maior sonho do nosso povo, mas a gente sonha também com a Copa América, a gente sonha em conquistar títulos. A gente está carente de títulos, é algo importante para a gente, e nós jogadores queremos fazer isso também aqui.
Sobre eventual retorno ao Brasil
— Tenho vontade de voltar para o Brasil sim, jogar no Vasco ou no Athletico, que são os times que eu tenho muita gratidão. Mas não penso nisso agora, para ser sincero. Eu acabei de chegar no Arsenal, então estou muito focado. Wuero ser campeão lá, quero jogar, quero fazer minha história com essa camisa nova. Mas enfim, para o futuro, a Deus pertence.
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