José Renato Quaresma explica saída do Comitê de Gestão do Santos
Empresário pediu o desligamento após sofrer complicações da Covid-19

Ex-integrante do Comitê de Gestão do Santos, José Renato Quaresma falou pela primeira vez desde sua saída do clube em entrevista ao canal Esporte por Esporte. O empresário pediu desligamento para cuidar de sua saúde no início de junho. Ele teve complicações pós-Covid-19 e estava afastado do cargo desde maio. Quaresma era o membro do CG mais próximo ao futebol.
- Passei bem o Covid, tive só uma pequena variação depois que o chamado D-dímero subiu muito. Estava proibido pelo médico de subir a serra, uma situação que demorou um pouco a mais para se resolver, foi o tempo que eu não pude viajar com a delegação e tive que ficar em Santos, tentando resolver as coisas daqui. Depois tive um problema de síndrome de ansiedade, o que pegou um pouco mais. Foram adventos da Covid, tive que me tratar e me afastar. Não sabia se esse período ia ser mais longo ou mais curto, mas tudo dando certo e tenho agradecer por estar com a saúde em dia - explicou o empresário.
Ainda sem um substituto em seu lugar, Quaresma falou sobre a decisão de saída e o desgaste físico no primeiro impacto da mudança de diretoria. O empresário também comentou da possibilidade de um licenciamento.
- Saúde em primeiro lugar. Tive um desgaste, não dentro do clube, mas um desgaste físico e isso corroborou muito para que eu tomasse a decisão de ter que sair para me cuidar. A decisão de sair foi minha em cima de cuidar da minha saúde, o processo desgastante que tivemos nos primeiros meses para todos do clube no CG foi enorme. Não vou me colocar maior que ninguém, mas eu assumi o CT no dia 15 de dezembro e antes tinha um convite do Rollo, que pediu para que eu fosse até o CT para verificar algumas coisas. Realmente a gente acabou detectando muitos problemas que foram passados ao Rollo, depois da eleição passamos ao Rueda e ao CG. Assim que a gente recebesse a faixa para entrar a administrar o clube no dia 1, no dia 4 já tínhamos um jogo contra o Boca Juniors na Argentina.
- Muitas situações que tivemos que resolver, tivemos um tempo muito curto. Resolver em uma gestão do Rollo, que ainda estava trabalhando, tivemos que ajustar para chegar na Argentina com o time motivado, equalizado, com potencial de jogar bem e fazer uma boa semifinal (Libertadores) para ir a final. Realmente, foi bem trabalhoso e não me arrependo de nada. No mês de janeiro só fui uma vez na minha empresa e havia necessidade de uma assistência maior ao clube. Os jogadores em mudança de diretoria ficam com algumas dúvidas, não sabem como a diretoria vai agir e se manter.
- Teve muita fofoca, muita desculpa política nesse meio envolvendo e sentíamos que quanto mais errado dava, mais as pessoas festejavam. Isso influência na vida do atleta, do treinador que estava. Todos sentiram esse processo de mudança de diretoria porque realmente é difícil, sabíamos de tudo isso. Tínhamos jogo no dia 4 depois de uma semana mais um jogo e uma final de Libertadores. Nesse meio tínhamos o Campeonato Brasileiro que tínhamos que estar trabalhando também para conquistar a pré-Libertadores caso alguma coisa desse errado. Foi um processo que tivemos que chegar e atuar.
- Nós poderíamos ter pensado em um licenciamento, mas comentei com o presidente que não acho justo. Quem assume um papel importante no clube, na situação que o clube está hoje ele precisa se dedicar. Tenho a consciência tranquila dos três meses que tive que me dedicar em várias situações de apaga fogo, incêndio e problemas para ajudar o clube. Eu não me sentiria bem em querer ficar no cargo só para me afastar e sem deixar ninguém trabalhar. Isso eu coloquei para o presidente, ele sugeriu que eu me afastasse e fui eu que decidi me desligar.

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