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Opinião: ressalvas à parte, os nossos estrangeiros também não são os melhores

Dificuldades do futebol brasileiro vão além do limite de jogadores do exterior

PorPedro WerneckRio de Janeiro (RJ)
23/09/2026 15:52
Flaco Lopez, do Palmeiras, e Messi se abraçam de joelhos em comemoração a classificação da Argentina para a final da Copa do Mundo 2026
Flaco López, do Palmeiras, foi o único representante do futebol brasileiro entre os convocados da Argentina de Messi (Foto: Odd Andersen / AFP)

A notícia da redução do limite de estrangeiros no Brasileirão foi recebida com alarmismo nas redes sociais e entre os colegas da imprensa esportiva. A preocupação é válida. Trata-se de uma aposta arriscada e na contramão de outras ligas. Mas apresento um contraponto importante: os estrangeiros do futebol brasileiro também não são os melhores.

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Explico: há receio no incentivo à utilização de jovens brasileiros devido à facilidade com a qual os gigantes europeus conseguem tirá-los daqui. Sim, os atletas que permanecem não são os mais completos. Neste cenário, os gringos são tratados como solução para manutenção da qualidade do campeonato. No entanto, os nomes de fora que atuam aqui também são aqueles que "sobraram", ou seja, não despertaram interesse do futebol europeu, foram para a Europa e voltaram ou ainda vão para lá.

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Julián Álvarez saiu do River Plate para o Manchester City. Moisés Caicedo, hoje no Chelsea, foi do Independiente del Valle para o Brighton. Luís Díaz, craque do Bayern de Munique, deixou o Junior de Barranquilla para acertar com o Porto. Os extraclasses inevitavelmente seguem o caminho do futebol mais endinheirado.

Isso não significa que o Brasil não usufrua do talento de vários estrangeiros, alguns que acredito até que poderiam ter construído carreiras expressivas na Europa, como Arrascaeta e Jhon Arias. Mas é importante ressaltar: quando um clube perde uma joia como Neymar, Vini Jr ou Rodrygo, a reposição não será um atleta de nível similar de outro país. Esses já estarão com passagem comprada para Londres, Madri ou Paris.

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Arrascaeta aproveitou a falha do goleiro Quintana para empatar o jogo entre Flamengo e Del Valle pela Libertadores
Arrascaeta, ídolo do Flamengo, é um dos estrangeiros mais importantes do futebol brasileiro (Foto: Mauro Pimentel / AFP)

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A nova regra exigirá mais do scout dos clubes e premiará os movimentos mais assertivos. Não adianta mais se encher de gringos na torcida para que um ou outro sobressaia. As vagas precisarão ser preenchidas por quem realmente pode fazer diferença. E fica a reflexão: quais times hoje contam com cinco jogadores de outras nacionalidades de fato fundamentais?

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Dito isso, reforço: as críticas à nova medida são pertinentes. Enquanto as ligas europeias se enchem de estrangeiros, estaremos limitando as suas entradas. Se isso significar um crescimento considerável da nossa formação de jovens, ok, mas só uma canetada não será suficiente para alcançar esse objetivo.

A nossa equiparação com o futebol europeu, porém, só seria possível mediante crescimento financeiro e de organização, a ponto de viabilizar a permanência das nossas joias por mais tempo ou permitir a disputa de igual para igual pela contratação dos melhores gringos.

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