Cuca admite preocupação com risco de rebaixamento do Santos
Peixe não venceu após o retorno do Brasileirão

O Santos deixou escapar uma vitória que parecia encaminhada na Vila Belmiro e terminou o reencontro com a torcida após a Copa do Mundo com um empate por 2 a 2 diante da Chapecoense. O resultado levou o Peixe aos 22 pontos e fez a equipe subir para a 15ª posição do Brasileirão, mas a situação na parte inferior da tabela continua exigindo atenção. Para Cuca, a distância para a pontuação considerada segura ainda é um motivo de preocupação, principalmente diante do número de rodadas que restam.
O treinador reconheceu que o Santos precisava ter aproveitado melhor a oportunidade de somar três pontos em casa. A equipe abriu o placar com Neymar, sofreu a virada no segundo tempo e conseguiu evitar a derrota apenas aos 40 minutos, quando o camisa 10 converteu uma cobrança de pênalti. Apesar da reação, Cuca avaliou que o empate teve gosto amargo diante das circunstâncias da partida.
— Hoje era jogo para se impor e vencer. Era jogo para ter vencido. Não poderia escapar os pontos como escapou. Não conseguimos ser felizes em 15 dias. Vínhamos de vitória sobre o Cuenca e perdemos do Botafogo. Vencemos fora, goleada, na hora de firmar, empatamos com gosto de derrota. Agora tem que firmar nos próximos jogos para comprovar. Temos que ter uma boa sequência de resultados para respirar mais tranquilo — afirmou Cuca.
Meta dos 45 pontos aumenta pressão sobre o Santos
A preocupação do técnico passa diretamente pela matemática do campeonato. Com 22 pontos conquistados, o Santos ainda precisa construir uma campanha consistente na reta final para alcançar a marca de 45 pontos, número historicamente utilizado como referência na luta contra o rebaixamento. Restam 18 partidas, o que significa que o time precisa somar pelo menos 23 pontos para atingir essa pontuação.
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Cuca deixou claro que a situação exige uma reação imediata e uma sequência capaz de afastar o clube definitivamente da disputa contra a parte de baixo da tabela.
— Sobre a tabela, eu acho que preocupa, porque faltam 18 jogos e você precisa alcançar aquele número, entre aspas, "mágico", que são os 45 pontos. Nós temos 22, então precisamos fazer pelo menos mais 23 pontos nesses 18 jogos. Então, preocupa, e preocupa muito — disse o treinador.
O empate diante da Chapecoense ganhou um peso ainda maior porque o Santos chegou a controlar boa parte da partida e teve volume suficiente para conquistar a vitória. Segundo Cuca, a equipe finalizou mais de 20 vezes e teve 11 escanteios, números que mostram a presença ofensiva do time, embora a falta de eficiência tenha impedido uma vantagem mais confortável.
— Se você pegar o jogo passado, a equipe evoluiu. E, neste jogo, evoluiu de novo. Eu acho que nós não jogamos bem, mas, mesmo assim, finalizamos mais de 20 vezes e tivemos 11 escanteios. A bola ficou lá na frente, a gente tentou fazer o gol de todas as formas, mas o adversário estava bem fechado — explicou.
Falhas defensivas aumentam preocupação de Cuca
O problema, na avaliação do treinador, esteve principalmente na maneira como o Santos sofreu os dois gols. A equipe tinha vantagem numérica nas jogadas que terminaram nas redes, mas não conseguiu transformar essa superioridade em segurança defensiva. Para Cuca, os erros de posicionamento permitiram que a Chapecoense encontrasse espaços justamente em um momento no qual o Peixe precisava controlar a partida.
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— Dá pra salvar do rebaixamento. Cada jogo é um aprendizado. Tínhamos um a zero, não precisamos nos expor. Fizemos uma linha errada, nos posicionamos mal em duas jogadas da linha de fundo do lado esquerdo. Falhamos duas vezes, mesmo sendo numericamente maiores que ele. Martelamos, conseguimos empatar. Mas o resultado foi muito ruim — afirmou.

O técnico também detalhou os dois lances e destacou que o problema não estava relacionado à falta de jogadores na área. Segundo ele, o Santos tinha superioridade numérica nas duas jogadas, mas falhou na organização e acabou permitindo a reação do adversário.
— No primeiro gol, nós tínhamos seis jogadores contra três. Numericamente, estávamos bem posicionados, então não era um problema físico. No segundo gol, pior ainda: tínhamos sete jogadores dentro da área para defender contra apenas dois adversários. Fomos infelizes e acabamos marcando um gol contra — analisou.
A sequência da partida também teve impacto psicológico sobre o time. Depois de abrir o placar e controlar o jogo, o Santos sofreu o empate e, pouco depois, a virada, ficando obrigado a correr atrás do resultado. Cuca entende que o momento vivido pelo clube aumenta a pressão sobre os jogadores e pode afetar a confiança da equipe quando os adversários conseguem marcar primeiro.
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— Na primeira finalização deles, a gente já sofreu o gol. Você não consegue empatar logo, e isso desestabiliza, porque cria uma pressão enorme, um desconforto natural e merecido pelo momento que a gente vive. A equipe perde parte da confiança e passa a ter que buscar o segundo gol — afirmou.
Técnico defende recuperação dos jogadores
Em meio à pressão pela campanha no Brasileirão, Cuca também evitou transformar os erros individuais em julgamentos definitivos. O treinador defendeu a recuperação dos atletas e citou João Ananias, que acabou envolvido diretamente em um dos momentos decisivos da partida, além de Luan, criticado por falhas no jogo anterior contra o Botafogo.
A postura de Cuca é de preservar o elenco e buscar soluções internamente, em vez de responsabilizar jogadores pelos resultados negativos. Para o técnico, a recuperação emocional e técnica dos atletas será fundamental para que o Santos consiga reagir nas próximas rodadas.
— Não é para dizer: "Tira o Ananias, ele não joga mais". Da mesma forma, não é porque o Luan foi mal em dois lances contra o Botafogo que ele não vai jogar mais. Nós vamos recuperá-lo, porque o Luan é um bom jogador. Todos sabem disso. Ele vacilou, pronto. E hoje nós também vacilamos. Mas a nossa função é recuperar os jogadores, e é isso que nós vamos fazer — disse.
Com o empate, o Santos ganhou duas posições e chegou aos 22 pontos, mas ainda não conseguiu abrir uma margem confortável em relação à zona de rebaixamento. A preocupação de Cuca, portanto, não está apenas na classificação atual, mas na necessidade de construir uma sequência de resultados que permita ao clube respirar com mais tranquilidade.
O treinador sabe que o equilíbrio entre desempenho individual e organização coletiva será determinante para a reação santista. O retorno de Neymar, que marcou duas vezes na partida, uma delas na cobrança de pênalti aos 40 minutos do segundo tempo, oferece ao time uma referência técnica importante para a reta final da competição, mas a presença do camisa 10 precisa vir acompanhada de uma equipe capaz de transformar domínio em pontos.
— Você tem que encontrar o equilíbrio entre a melhor equipe tecnicamente e a melhor equipe coletivamente — concluiu Cuca.
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