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Análise tática do Guffo: Zubeldía arma o Fluminense para brigar forte na Libertadores

Time quer ser protagonista quando encontra espaço e pune com verticalidade

Zubeldía em Remo e Fluminense (Foto: Marcelo Gonçalves/ Fluminense FC)
imagem cameraZubeldía no comando do Fluminense contra o Remo (Foto: Marcelo Gonçalves/ Fluminense FC)
Autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, esse texto não reflete necessariamente a opinião do Lance!
Dia 06/04/2026
22:16

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O Fluminense entra para brigar forte na Libertadores se conseguir sustentar a intensidade que construiu no Brasileirão. A vitória por 3 a 1 sobre o Corinthians e o empate com o Coritiba, somados aos números da temporada, ajudam a explicar isso. Na Série A, o time tem médias de 1,7 gol por partida, sofreu 1,1 e manteve 60% de posse. Não é um elenco que vive só de controle territorial; é um time que quer ser protagonista quando encontra espaço e pune com verticalidade.

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O principal mérito de Zubeldía está justamente em transformar o Fluminense num time de transição muito mais letal. A base do modelo passa pela organização sem a bola, quase sempre num 4-4-2 bem compacto, com os pontas baixando para fechar corredor e encurtar o espaço entre linhas. A partir daí, a recuperação vira combustível para a aceleração. Hércules, por exemplo, apareceu várias vezes como o homem da chegada, da infiltração, do rebote e da segunda bola. Martinelli organiza, René ajuda a dar direção por dentro, e o time encontra fluidez para sair do bloco médio e atacar em poucos toques.

Isso ajuda a entender por que o Fluminense produz tanto em volume. São 15,3 finalizações por jogo, 7,2 no alvo e xG (gols esperados) de 1,8. Isso tem um significado: cada finalização do Flu tem 12% de probabilidade de gol, na média. Não são números de um time reativo e travado. São números de uma equipe que consegue gerar ataque em sequência, sobretudo quando acerta a leitura do momento da pressão adversária. 

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Na Libertadores, o buraco é mais embaixo

A Libertadores, porém, cobra uma coisa que o futebol brasileiro nem sempre cobra com a mesma brutalidade: consistência física e adaptação ao contexto. O grupo do Fluminense é acessível na teoria, mas nenhum torneio continental permite relaxamento prolongado. Bolívar, Independiente Rivadavia e La Guaira não assustam tanto, mas a combinação de deslocamentos, altitude, sequência de jogos e desgastes, muda a equação. São 14 partidas em 50 dias. Isso não é detalhe. É uma variável central para medir até onde esse time consegue sustentar a mesma agressividade.

E foi justamente por isso que o empate com o Coritiba teve tanto valor de leitura. Zubeldía poupou sete titulares porque entendeu que o calendário não perdoa e que o corpo dos jogadores precisa ser administrado com critério. Martinelli e Hércules, por exemplo, são peças cuja minutagem exige cuidado. O treinador pensa o jogo também pela fisiologia, e isso é uma marca importante. Em mata-mata e fase de grupos, quem erra na gestão do elenco acaba pagando depois, principalmente quando o time depende de intensidade para manter o seu melhor funcionamento.

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O risco, no entanto, está muito claro. Quando a intensidade cai, o modelo perde parte do poder de fogo. Em jogos mais físicos, especialmente em altitude ou em cenários de maior pressão, o Fluminense pode baixar demais a frequência das ações ofensivas e começar a viver de proteção em vez de iniciativa. Não é coincidência que a gestão de esforço apareça como tema central. Um time que ataca forte com poucos toques também se desgasta rápido se não controla o calendário e as substituições.

Preservar o físico sem perder identidade

Por isso, a resposta para a pergunta sobre o potencial do Fluminense na Libertadores é positiva, mas com ressalvas importantes. Sim, o time pode surpreender. Sim, há mecanismos para isso: compactação sem a bola, transição rápida, chegada de segunda linha, profundidade pelos lados e capacidade de produzir volume. Mas a campanha vai depender menos do brilho ocasional e mais da capacidade de Zubeldía em preservar o motor físico sem desmontar a identidade do time.

Se conseguir fazer essa administração, Zubeldía arma o Fluminense para brigar forte na Libertadores. Entra com argumentos reais para avançar e incomodar. Se não conseguir, a mesma verticalidade que hoje empolga pode virar vulnerabilidade quando o calendário apertar. É por isso que a pergunta correta não é se o Fluminense joga bem. É se ele consegue continuar jogando assim quando o torneio apertar de verdade. E aí mora a diferença entre uma campanha boa e uma campanha que vira história.

John Kennedy - Fluminense
John Kennedy comemora gol (Foto: Marcelo Gonçalves/ Fluminense FC)
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