Análise tática do Guffo: o dilema de Neymar na Seleção
Encaixar Neymar seria fácil, não fosse sua mobilidade limitada por lesões crônicas e seu atual estado físico

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O modelo de jogo de Ancelotti no esquema 4-2-4 exige intensidade coletiva, transições rápidas e pressão coordenada. Se trata de um esquema tático que prioriza bloco compacto e dinâmica sem bola. Encaixar Neymar nisso seria fácil, não fosse sua mobilidade limitada por lesões crônicas e seu atual estado físico. Há uma forma de encaixar Neymar, mas isso gera um dilema mais difícil que o da Tostines.
Tite já testou o menino Ney como "falso 10" com sucesso: flutuando entre volantes e atacantes, infiltra na área, associa por dentro. Jogando, claro, no 4-3-3 que se organizava defensivamente em duas linhas de 4. Aqui na minha coluna em outubro do ano passado, soltei a ideia: para isso, a Seleção demanda um centroavante móvel como Matheus Cunha ou João Pedro para recompor. Sem isso, tem um preço: volantes expostos e laterais sobrecarregados.
Ancelotti precisa calcular o tempo e o custo tático
O problema é o custo tático. Com Neymar em campo, o jogo gira em torno dele: bolas centralizadas, ritmo cadenciado esperando seu improviso. No 4-2-4 da forma que Ancelotti quer que funcione, pede velocidade coletiva e pressão alta. A bola passa pouco pelo meio. Aparentemente, o treinador não está montando a Seleção a partir das características de ter um meia-atacante como Neymar em campo.
Por isso, para falar do encaixe do seu maior artilheiro na Seleção, Ancelotti precisa de um plano B urgente. Neymar não é só habilidade; é atalho tático. Ele bem fisicamente, sabe jogar no espaço entre linhas, pune erros e força ajustes inteiros dos adversários. Em um torneio como a Copa do Mundo, isso vale ouro.

A ideia de ter Neymar acalma mais que sua ausência
Para o torcedor no geral, ter Neymar no grupo é uma tranquilidade. Existe o pensamento mágico de que já que ele é um craque, ele pode entrar em qualquer momento e "resolver" o jogo sozinho. E se fosse o Neymar de 2015, eu nem discutiria isso. Mas em 2026, isso não acontece mais. Seja pela condição física do camisa 10, seja pela intensidade do jogo coletivo dos adversários.
Por tanto, para encaixar Neymar, ou Ancelotti muda seu modelo de jogo, criando um time mais cadenciado e que jogue no 4-3-3 ou 4-2-3-1; ou tenta encaixá-lo nesse 4-2-4 atual, com um centroavante de mobilidade que faça as coberturas dos espaços deixados por Ney. Abrir mão de um camisa 9 pelo craque do time. Pela ausência na formação desse time, e pela sua condição física, Neymar é um dilema para Ancelotti. Melhor ter um dilema que não ter nada, não acham? Por isso, sou a favor de tê-lo no grupo da Copa.
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