Processo, formação e títulos: Allan Barcellos e o sucesso do Palmeiras na base
Técnico do sub-20 detalhou métodos de trabalho, relação com Abel Ferreira e João Paulo Sampaio e desafios na base em entrevista ao Lance!
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Trabalho, processo e projeto foram palavras recorrentes ao longo de toda a entrevista com Allan Barcellos, técnico da equipe sub-20 do Palmeiras. Sempre interligadas ao conceito de aprendizagem. Bacharel em Educação Física, o treinador trocou o sonho de ser jogador pelo de educador e, a partir de uma oportunidade no sub-9 do Grêmio, iniciou sua trajetória no futebol.
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Entre os anos como treinador no Sul do país e a chegada ao São Paulo, onde percorreu todas as etapas da formação até assumir a última categoria da base tricolor, Allan Barcellos manteve um objetivo no radar: trabalhar com João Paulo Sampaio, coordenador da base do Palmeiras desde 2015 e considerado o responsável por transformar o clube num grande formador de talentos, como Estêvão, Endrick e Gabriel Jesus.
Em seus primeiros contatos com profissionais do Palmeiras, ainda em abril, Barcellos não recebeu a orientação para adotar uma forma específica de jogo, nem da comissão técnica de Abel Ferreira nem de João Paulo Sampaio. A única diretriz foi seguir conceitos considerados inegociáveis pelo clube: formar jogadores agressivos, competitivos e com fome de vitória.
— Nunca é pedida uma maneira especifica de jogar ou jogar igual o departamento profissional, pelo contrário. Existem conceitos, comportamentos que são inegociáveis para a instituição. Aquilo que tem como inegociável em seu processo de formação de jovens jogadores. Identidade (para o Palmeiras) são jogadores agressivos, competidores, com fome de vitória e mentalidade vencedora. Ter uma formação saudável, mas que também busque vitórias — detalhou Allan.
Desde 2020, o Palmeiras promoveu mais de 50 jogadores formados nas categorias de base ao elenco profissional. O processo alia um lucro bilionário ao clube, com a venda de seus ativos, à conquista de títulos no período, incluindo duas Copas Libertadores e dois Campeonatos Brasileiros.
Para Barcellos, o êxito na transição entre base e profissional é fruto da clareza nos processos adotados pelo Palmeiras, além de valores seguidos por todos os envolvidos.
— Todas as pessoas que trabalham com futebol de formação no Palmeiras são muito bem-intencionadas, ao ponto de querer formar um jogador em sua essência, naquilo que tem de melhor enquanto performance, mas também que busque títulos e vitórias. Equilibrar essa balança é muito difícil. Os departamentos do clube hoje têm clareza quanto à visão, missão e valores. Isso aproxima do sucesso. A gente entende que sucesso são bons jogadores performando em nível profissional e com uma mentalidade vencedora — afirmou.

Amor ao futebol, processo e chegada ao Palmeiras
São 14 anos dedicados ao futebol, todos voltados à formação nas categorias de base. O sonho de ser jogador de futebol e a frustração por não possuir os atributos técnicos necessários transformaram-se em combustível para uma nova área de formação que, no futuro, o integraria novamente aos gramados, agora em outra condição.
— Sempre almejei ser jogador de futebol, sempre tive esse sonho, assim como grande parte das pessoas que hoje trabalham com o futebol. Não tive a competência técnica necessária para alcançar o alto rendimento, mas posteriormente fui estudar Educação Física com o sonho de ser professor, não especificamente na modalidade do futebol. Mas durante esse período na minha formação, eu recebi um convite para fazer um processo de estágio no Grêmio, isso em 2013, e acabei entrando nesse mundo um pouco mais competitivo. Em 2014, entrei como contratado na categoria sub-9. Fiquei por nove anos no Grêmio, passando por todas as etapas de iniciação esportiva do clube.
Foi quando Allan se mudou para outro clube com tradição em revelar talentos nas categorias de base.
— Já no sub-13, recebi um convite para ingressar nas categorias de base do São Paulo, onde fiquei até o ano passado, chegando até a categoria sub-20. Uma trajetória curta, mas que me fez refletir sobre todas as etapas de formação — explicou.
No Palmeiras, encontrou algo que considera fundamental para a transição entre base e profissional: a proximidade entre as pontas. Tanto a categoria sub-20 quanto o elenco profissional realizam suas atividades na Academia de Futebol, o que facilita a integração entre as áreas, a avaliação dos profissionais envolvidos e a troca de ensinamentos.
Barcellos detalhou a rotina de João Paulo Sampaio, sempre presente no dia a dia da base, e os contatos com a comissão técnica de Abel Ferreira, que tem como elo o auxiliar técnico Vítor Castanheira.
— Aqui no Palmeiras, a gente sabe que o João (Paulo Sampaio) é uma figura representativa no que diz respeito à formação de base. Ele está constantemente, diariamente, integrado a esse processo, discutindo com todos os treinadores das etapas de formação para que a gente entenda o melhor cenário para cada atleta. Para além dos treinamentos, o João também está presente em todos os jogos. A gente também tem o Castanheira, auxiliar do Abel, que é o responsável direto por fazer esse processo de integração entre o sub-20 e o profissional. Então, nós temos pessoas capacitadas e direcionadas para dar a melhor fluidez às informações sobre esses jogadores — explicou.
Modelo de jogo
Apesar de não ter a exigência de praticar a mesma filosofia de futebol adotada no profissional, Allan Barcellos acredita ter um modelo de jogo e trabalho semelhante ao de Abel Ferreira. O treinador do sub-20 vê o português como uma referência em nível mundial, pelo trabalho de longo prazo aliado às conquistas.
Para ele, ambos buscam equipes equilibradas, agressivas e, principalmente, que procurem o gol a todo momento e imponham seu estilo diante do adversário. Ao mesmo tempo, têm na parte defensiva algo inegociável para os atletas que jogam sob seu comando. No fim, resume o equilíbrio entre os setores como fator determinante para o sucesso.
— Hoje eu sou um privilegiado porque, naquilo que a gente tem enquanto modelo de jogo e ideia, obviamente respeitando aquilo que é a identidade cultural e aquilo que é inegociável para a instituição, a gente está vivendo no Palmeiras algo que se aproxima muito do que temos como ideia. Temos, se não a principal referência, uma das principais referências a nível mundial, mas obviamente a nível nacional, que é o nosso treinador Abel Ferreira. Por tudo que vem fazendo, por tudo que vem performando em nível profissional e também por todo auxílio que dá aos jovens jogadores — celebrou.
— O modelo de jogo se aproxima muito no que diz respeito a uma equipe equilibrada, que ataca de forma muito agressiva, que busca o gol o tempo inteiro. Mas que também tem respeito à fase defensiva, que é um conteúdo inegociável para o jogador, para que ele possa cada vez mais ser um jogador moderno no que diz respeito às fases do jogo. Se eu pudesse resumir, é aquilo que a gente tem enquanto equilíbrio de jogo: buscar o gol o tempo inteiro, ser agressivo com a bola, mas, obviamente, ser equilibrado nas fases do jogo no que diz respeito a perder a bola, roubá-la e mantê-la - finalizou.
Em sua primeira temporada à frente do sub-20 do Palmeiras, Allan Barcellos classificou a equipe à final do Brasileirão da categoria após eliminar o Red Bull Bragantino nas semifinais. A decisão, contra o Vasco, será disputada nos dias 26 de agosto, no Rio de Janeiro, e 2 de setembro, em São Paulo. De acordo com apuração do Lance!, o clube paulista acerta os detalhes finais para mandar o segundo jogo no Nubank Parque.
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