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Leila Pereira exalta força das mulheres e diz: 'Não tenho medo de absolutamente nada'

Dirigente falou sobre machismo, liderança feminina e os desafios para mulheres ocuparem espaços de poder no futebol

Rio de Janeiro (RJ)
11/09/2026 12:15
Leila Pereira durante Confut
Leila Pereira responde perguntas no Confut (Foto: Nathália Gomes/Lance)

A presença feminina nos espaços de poder do futebol ainda é um desafio, mas Leila Pereira acredita que sua própria trajetória mostra que é possível romper barreiras. Durante o Confut, no Rio de Janeiro, a presidente do Palmeiras falou sobre machismo, preconceito, liderança e a importância de as mulheres buscarem espaço na gestão do esporte.

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Ao falar sobre a pressão que enfrenta no dia a dia, a dirigente deixou claro que não permite que ameaças ou cobranças interfiram na forma como conduz o clube.

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— Eu não admito, não admito ameaças, violência, e quando as coisas ultrapassam o limite, eu procuro a Justiça. Sabe, o Poder Judiciário resolve. Entende? Então, eu não ligo absolutamente, isso não me amedronta, tá? Eu sou uma mulher que eu não tenho medo de absolutamente nada. Eu faço o que é certo, eu faço o que eu acho que é melhor pro meu clube.

Leila também afirmou que ouvir diferentes opiniões faz parte de sua rotina, mas que não abre mão da responsabilidade de tomar as decisões.

— Eu fui eleita para representar o Palmeiras. Eu ouço as pessoas, principalmente os profissionais que trabalham diariamente comigo, mas a decisão é minha. Eu não abro mão de decidir.

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'Não podemos nos vitimizar'

Questionada sobre a presença feminina nos clubes, Leila destacou a própria trajetória como exemplo de que mulheres podem ocupar posições de comando.

— Eu sou o maior exemplo de que as mulheres podem fazer o que quiserem. Sou a primeira mulher presidente do Palmeiras e uma das poucas mulheres a ocupar a presidência de um grande clube da América do Sul. O Palmeiras é tradicionalmente um clube machista, mas nós, mulheres, não podemos nos vitimizar.

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Ela lembrou ainda dos passos que precisou dar antes de chegar à presidência.

— Quando coloquei na cabeça que seria presidente do Palmeiras, sabia que teria alguns degraus pela frente. Primeiro fui eleita conselheira. No Palmeiras também somos muito poucas mulheres. Em um universo de cerca de 300 conselheiros, somos em torno de oito mulheres.

'As mulheres também precisam querer e correr atrás'

Para Leila, além de mudanças estruturais, é necessário que as próprias mulheres busquem ocupar os espaços de decisão.

— Mas as mulheres também precisam querer e correr atrás. Quando decidi que seria presidente, fui candidata e eleita conselheira com uma votação histórica. Depois fui reeleita conselheira, novamente com uma votação recorde.

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A dirigente ressaltou que sua eleição para comandar o clube não aconteceu apenas pelo apoio feminino, mas também pelo reconhecimento de sua capacidade de gestão

— Quando fui candidata à presidência, era uma mulher concorrendo em um clube extremamente machista. Mas eu tinha competência e mostrava resultados. Quem me elegeu não foram apenas as mulheres. A grande maioria dos homens também reconheceu em mim uma pessoa capaz de administrar o clube profissionalmente, independentemente do gênero.

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Leila Pereira - Avião Palmeiras
Avião comprado por Leila Pereira (Foto: Reprodução/Instagram Leila Pereira)

Mais mulheres em cargos de liderança

Leila citou as mudanças que promoveu na composição da diretoria como uma forma de incentivar outras mulheres a ocuparem posições de liderança e rebateu o preconceito de que elas não teriam conhecimento suficiente para comandar clubes de futebol.

— No meu primeiro mandato, coloquei duas mulheres como vice-presidentes. Isso nunca havia acontecido na história do Palmeiras. No segundo mandato, tenho uma mulher como primeira vice-presidente. É isso que posso fazer para estimular outras mulheres: mostrar que é possível. Mas é preciso correr atrás. Para nós, tudo é mais difícil, não tenho dúvida nenhuma.

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A dirigente também destacou que administrar um clube de futebol não significa necessariamente tomar decisões técnicas dentro de campo, mas saber escolher profissionais capacitados para cada função.

— Sempre existe o preconceito de que mulher não entende de futebol ou das regras do futebol. Mas a mulher entende de administração de futebol. Não é papel da presidente discutir com o técnico qual é o melhor esquema tático. É papel da presidente escolher bons profissionais e excelentes profissionais para cada área. O técnico é quem precisa tomar as decisões técnicas.

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Para Leila, a própria trajetória no comando do Palmeiras mostra que mulheres podem ocupar posições de liderança e administrar grandes clubes de forma profissional.

— Acho que o maior exemplo para nós, mulheres, é um clube gigante como o Palmeiras ter uma presidente mulher e ser administrado de forma responsável e profissional. Nós, mulheres, podemos o que quisermos, mas precisamos lutar por isso.

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