Relembre denúncias recentes em confederações olímpicas no Brasil
Investigação em curso na CBDA soma-se a outros indícios de irregularidades na gestão dos esportes brasileiros nos últimos anos, como taekwondo, tiro esportivo, basquete e vôlei

O esporte brasileiro viu no último ciclo olímpicos uma sequência de escândalos em confederações esportivas. O mais recente envolve a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), cujo presidente, Coaracy Nunes, e outros três dirigentes são acusados pelo Ministério Público Federal (MPF) de São Paulo de desvio de recursos públicos e fraude em licitações. O LANCE! lembra os últimos episódios e seus desdobramentos.
Esportes Aquáticos
O esquema foi descoberto pela Operação Águas Claras, que resultou em uma ação de improbidade administrativa do MPF, ajuizada na última quarta-feira. De acordo com o órgão, que pede o afastamento imediato de Coaracy, o dinheiro desviado destinava-se à compra de equipamentos e materiais para a preparação dos atletas de maratona aquática, nado sincronizado e polo aquático na Olimpíada do Rio de Janeiro. Os danos chegam a R$ 1,2 milhões. Leia mais aqui.
O principal problema encontrado foi um repasse feito por meio de convênio com o Ministério do Esporte. Do total de R$ 1,56 milhão, 79% teriam sido pagos a uma empresa de fachada, a Natação Comércio de Artigos Esportivos. Sua sede está registrada em um endereço onde funciona um pet shop, no Alto da Lapa, zona oeste de São Paulo.
Coaracy nega todas as denúncias e diz que elas foram motivadas por disputa política. A Justiça determinará se as recomendações do MPF serão acatadas. Os patrocinadores da CBDA não se pronunciaram. O Ministério do Esporte disse acompanhar as investigações, que seguem em andamento, para garantir da aplicação correta do dinheiro. O caso começou a ser revelado pela ESPN Brasil.
Taekwondo e Tiro Esportivo
No dia 24 de agosto, três dias após o fim dos Jogos Olímpicos Rio-2016, a Polícia Federal deu início à operação Nemeus para investigar fraudes em licitações e desvio de recursos públicos cedidos pelo Ministério do Esporte, por meio de convênios na Confederação Brasileira de Taekwondo (CBTKD), que vem sendo investigada por irregularidades desde 2012, e na Confederação Brasileira de Tiro Esportivo (CBTE) também teve seu nome envolvido.
A ação foi feita em conjunto com o Ministério Público Federal e a Controladoria Geral da União. A operação teve como foco convênios da empresa SB Marketing com diversas entidades esportivas. A investigação, segundo o delegado responsável Tácio Muzzi, titular da Delegacia de Repressão à Corrupção e Crimes Financeiros (Delecor) já dura três anos.
As investigações descobriram indícios de que a SB Marketing ganhava contratos para prestar assessoria administrativa, mas, durante a execução do trabalho, emitia notas fiscais frias para justificar serviços não foram prestados. A empresa obteve contratos no total de R$ 2,4 milhões com verba de convênios do Ministério do Esporte.
O empresário Sérgio Borges, dono da SB, foi preso preventivamente. Já o presidente da confederação de taekwondo, Carlos Fernandes, teve confirmado seu afastamento da entidade. Os mandados foram cumpridos no Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Manaus e Caxias do Sul.
Na ocasião, o Ministério do Esporte informou ter identificado irregularidades e disse colaborar com as investigações. A CBTKD disse que as acusações são infundadas e também reforçou apoio aos trabalhos. A CBTE informou que "a atual administração tem todo o interesse de esclarecer os fatos". As investigações seguem em andamento.
Basquete
De acordo com reportagem do Uol de novembro do ano passado, o presidente da Confederação Brasileira de Basquete (CBB), Carlos Nunes, utilizou o cartão corporativo da entidade diversas vezes com sua esposa, Clarice Garbi. O casal teria se beneficiado da verba em viagens, jantares e compra de produtos. A CBB negou as acusações.
Ex-patrocinadora da confederação, a Eletrobras teria cobrado R$ 4 milhões pelas irregularidades cometidas na gestão do dinheiro. Do, R$ 2.308.235,25 (dois milhões, trezentos e oito mil, duzentos e trinta e cinco reais e vinte e cinco centavos) seriam de despesas recusadas na prestação de contas.
As denúncias aconteceram meses depois de Nunes afirmar que a confederação não tinha dinheiro em caixa para quitar uma dívida com a Federação Internacional de Basquete (Fiba), de cerca de US$ 1,3 milhões, referente ao convite para a participação da Seleção masculina na Copa do Mundo de 2014, na Espanha.
Na época, o COB disse não ter encontrado problemas na prestação de contas da entidade relacionados aos recursos da Lei Agnelo/Piva, provenientes do prêmio pago aos apostadores de todas as loterias federais do país e repassados pelo Comitê às confederações. Patrocinadores da CBB, Bradesco e Nike não comentaram o caso.
Vôlei
Em março de 2014, reportagens da ESPN Brasil denunciaram irregularidades em contratos da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) com o Banco do Brasil, segundo as quais duas empresas de dois ex-dirigentes da entidade, Marcos Pina e Fabio Azevedo, teriam recebido R$ 10 milhões cada uma em comissões para intermediação de contratos diretamente tratados com patrocinadores.
No mesmo mês, o então presidente Ary Graça, atual mandatário da Federação Internacional de Vôlei (FIVB), a quem os dois eram ligados, pediu renúncia e foi sucedido por Walter Pitombo Laranjeiras, o Toroca. Mas o cartola sempre negou as acusações.
A confederação contratou uma auditoria externa que confirmou o pagamento de recursos sob suspeita. Em seguida, disse que os contratos (com duração até 2017) seriam suspensos.
O caso foi investigado pela CGU (Controladoria-Geral da União). O órgão federal emitiu relatório que gerou a suspensão do contrato com o Banco do Brasil, que perdurava desde 1991 e pagava anualmente R$ 70 milhões à CBV. O banco retomou o patrocínio depois de a CBV cumprir uma série de exigências.

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