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Olimpíadas: legado de pioneiras que segue inspirando mulheres

A celebração deste Dia Internacional da Menina destaca como conquistas históricas de Adriana Samuel e Maurren Maggi abriram portas no Brasil

PorDavi Caldas•São Paulo (SP)
11/10/2026 12:00

Supervisionado porThiago Fernandes,
As duplas Adriana Samuel e Mônica Rodrigues, e Jaqueline Silva e Sandra Pires, foram recebidas com festa pelos brasileiros em 1996 (Foto: Reprodução/Instagram/Adriana Samuel)
As duplas Adriana Samuel e Mônica Rodrigues, e Jaqueline Silva e Sandra Pires, foram recebidas com festa pelos brasileiros em 1996 (Foto: Reprodução/Instagram/Adriana Samuel)

Adriana Samuel fez história nas Olimpíadas de 1996, em Atlanta. A atleta se tornou, junto às outras finalistas, a primeira mulher brasileira a ganhar uma medalha olímpica. Na final do vôlei de praia, Adriana e Mônica Rodrigues ficaram com a prata, enquanto a outra dupla brasileira, Jaqueline Silva e Sandra Pires, ficou com o ouro.

Segundos antes de uma exclusiva ao Lance!, a lenda do esporte olímpico brasileiro visualizou uma fã. A menina, que estava com um álbum das Olimpíadas em uma das mãos – com uma foto da ex-atleta – e uma caneta na outra, ficou realizada com o autógrafo e uma selfie.

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Após alguns minutos de entrevista, a interação com a garota virou assunto de Adriana ao relatar como ela enxerga a importância daquela medalha olímpica para as conquistas femininas no esporte brasileiro. "Você viu, um pouco antes da gente começar a conversar, aquela mulher pedindo autógrafo e falando: 'Queria agradecer vocês porque foi por causa daquela final que eu comecei a gostar de vôlei'. Acho que isso já diz muito sobre o tamanho daquilo tudo", comentou.

Em 1996, essa recepção foi ainda maior. Adriana relatou que, quando ela e Mônica voltaram ao Brasil, a dupla foi recebida no aeroporto do Galeão como heroínas. No Rio, as duas ainda participaram de um desfile em um carro de bombeiros, algo inesquecível para a ex-atleta. 

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"Parabéns, parabéns", ouvia sem parar, principalmente de outras mulheres, enlouquecidas com o momento histórico. A lembrança na memória de Adriana ainda é tão vívida que a ex-atleta lembra até o percurso do desfile. 

— Eu me lembro de que o trajeto foi pelo centro do Rio de Janeiro, na Avenida Rio Branco, e tinha milhares de pessoas, nas janelas dos escritórios, jogando papel picado, e muitas mulheres fazendo questão de parar na frente do carro de bombeiros e falar: 'Vocês são o nosso orgulho' — complementou.

Para Adriana Samuel, o esporte em si já explica e reflete o sentimento que foi aquela conquista. Além da realização do sonho de toda uma geração, a medalha significava a representação do poder da mulher vitoriosa: "Nós simbolizamos uma série de tantas outras mulheres. É um orgulho e foi uma mensagem muito forte."

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A ex-jogadora acredita que aquela final abriu portas para futuras conquistas femininas no esporte brasileiro, principalmente no vôlei de praia. "Talvez não teria se tornado a modalidade que se tornou, supervitoriosa", questionou. A verdade é que, após 1996, o vôlei de praia feminino brasileiro conquistou medalhas em quase todas as Olimpíadas, com exceção apenas de Pequim 2008 e Tóquio 2020.

— O esporte precisa de grandes conquistas para que possa se desenvolver dentro de um país. E que inspire a todos, jovens principalmente, que vão ver que é possível e vão querer fazer igual. É a tal da referência — afirmou Adriana Samuel.

Para a ex-atleta, um dos pontos mais importantes daquela prata foi justamente "plantar uma semente" na modalidade. Mesmo sem saber, na época, o impacto que aquilo teria, Adriana a classificou como "imensurável".

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Adriana Samuel estava na final histórica das Olimpíadas no vôlei de praia em 1996, com duas duplas brasileiras (Foto: Reprodução/Adriana Samuel)
Com duas duplas brasileiras, vôlei de praia teve final histórica nas Olimpíadas de 1996 (Foto: Reprodução/Adriana Samuel)

Primeiro ouro individual nas Olimpíadas

Enquanto as primeiras medalhas olímpicas femininas na história do Brasil vieram em 1996, outro feito inédito só ocorreu 12 anos depois. Nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, Maurren Maggi venceu a prova do salto em distância e tornou-se a primeira mulher brasileira e sul-americana a conquistar uma medalha de ouro em uma modalidade individual nas Olimpíadas.

Contudo, a ex-atleta relatou que, no momento da vitória, não sabia todo o contexto que fez aquele ouro se tornar tão histórico. "Não fui com isso na cabeça. Eu não sabia qual seria a proporção e dimensão disso tudo", complementou.

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Assim que a prova terminou, Maurren soube o peso que aquela conquista carregava. No encerramento daquela edição, a atleta conduziu a bandeira do Brasil, algo descrito como "uma honra". Mesmo décadas depois, a ex-saltadora afirma que ainda colhe os frutos daquele ouro.

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