Logo do Lance! branca com exclamação amarela

Das 'perdas' às conquistas: Rebeca Andrade relembra infância no alto rendimento

Ginasta conta como conciliava treinos, escola e as escolhas que fez ainda criança

PorAnna Carolina Ramos•Rio de Janeiro (RJ)
12/10/2026 15:02

Para muitas crianças, uma festa de 15 anos, um passeio com a escola ou simplesmente passar mais tempo ao lado da família fazem parte das memórias que ficam da infância. No caso de Rebeca Andrade, algumas dessas experiências precisaram ficar de lado por causa da ginástica. Ainda assim, ao olhar para trás, a campeã olímpica não enxerga aquele período como uma infância marcada por privações. Pelo contrário: guarda a lembrança de uma criança feliz.

➡️ Olimpíadas: Brasil tem mais de 30 atletas garantidos em Los Angeles 2028

A rotina era dividida entre escola e ginásio, com pouco espaço para improviso. Havia horários, treinos e compromissos que faziam parte da vida de uma atleta em formação, mas também existiam as brincadeiras e as amizades. Enquanto encontrava os colegas do bairro, Rebeca se divertia com as companheiras de equipe no ginásio.

continua após a publicidade

— Quando estava em casa, conseguia brincar com os meus coleguinhas do bairro e, quando estava dentro do ginásio, me divertia também com as minhas amigas da ginástica — em entrevista ao Lance!.

Mais do que a divisão entre diferentes ambientes, foi a sensação de segurança que ajudou a tornar aquela experiência positiva. O carinho vinha de todos os lados, com professores, colegas de escola, amigas da ginástica e, principalmente, a família. Em meio às exigências do esporte de alto rendimento, esse suporte permitiu que cada fase fosse vivida sem que a atleta deixasse de se sentir criança.

continua após a publicidade

— Sempre fui muito abraçada em todos os âmbitos da minha vida. Então, sempre me senti muito segura e muito livre em todos os lugares em que estava. Acho que consegui passar por cada etapa de uma maneira muito boa.

Entre escolhas e renúncias

Nem tudo, porém, pôde ser vivido da mesma maneira que por outras meninas da mesma idade. A distância da família aparece como a principal renúncia na memória de Rebeca Andrade, acompanhada por ocasiões que acabaram ficando para trás: festas de 15 anos, passeios escolares e outros momentos que poderiam ter feito parte daquela fase.

continua após a publicidade

— Acho que abrir mão foi de estar ao lado da minha família. Acho que esse é o maior de todos. Mas tem festas de 15 anos de uma amiga, um passeio da escola, de outro lugar, que seriam muito legais de serem feitos e vividos também.

➡️ Tudo sobre os esportes olímpicos agora no WhatsApp. Siga o nosso novo canal Lance! Olímpico

Ainda assim, não há arrependimento. Desde pequena, havia uma compreensão clara sobre aquilo que queria alcançar, o que tornou mais simples lidar com as escolhas necessárias para seguir no esporte. Se algumas experiências ficaram pelo caminho, outras chegaram muito antes do esperado. Viagens, Mundiais e Copas do Mundo passaram a fazer parte da vida de uma menina que ainda estava descobrindo o mundo.

continua após a publicidade

— Seria maravilhoso ir a uma festa de 15 anos, mas, para mim, foi muito mais incrível ir a um Mundial, ir para uma Copa do Mundo, coisa que muitas meninas da minha idade não estavam fazendo. Conhecer o mundo muito mais cedo do que eu poderia conhecer se não tivesse me esforçado.

É nesse equilíbrio entre o que precisou ser deixado de lado e tudo o que foi vivido que Rebeca constrói a lembrança daquela infância. As restrições existiram, mas não apagaram as brincadeiras, as amizades ou a sensação de liberdade que ela carrega até hoje. Por isso, quando imagina a possibilidade de voltar no tempo e viver tudo novamente, não há dúvida sobre a resposta: faria as mesmas escolhas.

continua após a publicidade
Rebeca Andrade em ação no Campeonato Brasileiro de 2017 pelo Flamengo
Rebeca Andrade em ação no Campeonato Brasileiro de 2017 pelo Flamengo (Foto: Reprodução/X/Time Flamengo)
Sugerida para você!

Mais LANCE!