Colunistas falam sobre ecos da prisão de Marin na luta contra corrupção
Jornalistas dão opinião sobre o impacto que a sentença recebida pelo ex-presidente da CBF nos Estados Unidos pode ter na velha estrutura do futebol brasileiro

A quarta-feira foi marcada pela condenação imposta a José Maria Marin pela Justiça dos Estados Unidos. O ex-presidente da CBF foi sentenciado a quatro anos de prisão por corrupção e terá que pagar uma multa de US$ 4,5 milhões (pouco mais de R$ 18 milhões.
Colunistas do LANCE! comentaram o acontecimento e o impacto que ele pode ter no comando do futebol brasileiro. O sucessor de Marin na presidente da CBF, Marco Polo del Nero, por exemplo, foi banido do futebol recentemente pela Fifa por "suborno e corrupção". O cartola, também investigado pela justiça americana, deixou de viajar para o exterior para evitar risco de prisão. O Brasil não extradita seus cidadãos para países onde eles são alvo de inquéritos.
Perguntado sobre a situação, Eduardo Tironi acredita que essa prisão terá repercussão mínima pela falta de efetividade da justiça no país e que outras pessoas envolvidas com crimes parecidos permanecem soltas, mesmo que não possam sair do Brasil.
- Acho que isso terá pouca interferência no futebol brasileiro, visto que o Marin precisou ser condenado e preso pela justiça dos Estados Unidos. A justiça brasileira nesse aspecto é muito lenta, muito falha. Quantas investigações não existem contra o Ricardo Teixeira e ele está solto, não podendo sair do país, e o mesmo vale para o (Marco Polo) Del Nero. Não acredito que vá acontecer algo com outros caras enrolados nessas questões, a não ser que eles sejam irresponsáveis de sair do país e acabem presos. Do jeito que as coisas são aqui, eu não vejo muita mudança - disse.
Apesar de a condenação atingir um ex-presidente da CBF, Eduardo Tironi não imagina que aconteçam mudanças significativas na entidade e no comando do futebol brasileiro.
- Inclusive, acho que a estrutura da CBF e das outras federações permanece a mesma, apesar da prisão do Marin. Não creio em grandes mudanças por aqui, acho que o nosso quadro de dirigentes de federações e confederações continua o mesmo. Estão trocando algumas peças, mas acho que não vai mudar nada - completou.
André Kfouri, por sua vez, considera que não foi um fato isolado e que José Maria Marin foi o primeiro a ser julgado em uma série de condenações que podem vir a acontecer no futuro.
- Não foi um caso isolado, na medida em que Marin foi apenas o primeiro cartola envolvido no escândalo da FIFA a ouvir sua sentença. Há outros como ele, que fizeram acordos ou foram condenados em júri popular, aguardando por seus destinos. Outros dirigentes foram condenados no mesmo julgamento de Marin. Não há motivo para deixarem de cumprir penas previstas na Lei. Já os que fizeram acordos e colaboraram com as investigações podem escapar da prisão. - afirmou.
Por fim, João Carlos Assumpção falou sobre a repercussão externa do fato e como fica a reputação da CBF perante à Fifa e outras confederações internacionais. Para ele, a entidade carece de representatividade.
- A reputação do Brasil e do futebol brasileiro já estava péssima antes mesmo da condenação do José Maria Marin, então não vai piorar nesse sentido. A questão é muito grave porque não é apenas ele, o Ricardo Teixeira e o Marco Polo não saem mais do país por medo de prisão e o Del Nero está banido do futebol. A consequência para o futebol brasileiro é que a gente está sem força perante à Fifa e a Conmebol, é uma crise de representatividade. A situação é tão grave que não existe um interlocutor para o Tite dialogar na CBF. Quando vemos uma comissão técnica inchada, como aconteceu na Rússia, é de causar espanto - afirmou.
Além disso, o blogueiro afirma que Marco Polo Del Nero, mesmo estando afastado da CBF, continua sendo uma das pessoas mais influentes nos 'bastidores' da organização e que o técnico Tite foi usado como espécie de proteção, apesar de começar a ser questionado após os resultados na Copa do Mundo da Rússia.
- O técnico foi usado como escudo pela Confederação nesses últimos dois anos, tanto é que ele foi escolha do Del Nero, embora que ele comece pouco a pouco a ser questionado, o que é bom, inclusive pelos clubes. Mas também temos que pensar nos clubes que elegeram quem manda na CBF, pois quem continua forte nos bastidores é o Del Nero, que escolheu Tite, colocou o Coronel Nunes e já tem um sucessor para o ano que vem. A CBF não tem crebilidade nenhuma e a consequência é a perda de representatividade e o enfraquecimento da Seleção Brasileira - completou.

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