Cartão vermelho pra homofobia! Lembre árbitros gays no futebol nacional
Na década de 1980, Jorge Emiliano dos Santos, conhecido como 'Margarida', foi um dos juízes que assumiram publicamente sua homossexualidade

O presidente do Vasco, Eurico Miranda, voltou a causar polêmica nesta semana ao manifestar em uma entrevista a Antônia Fontenelle, no YouTube, sua oposição à presença de árbitros gays nos gramados brasileiros. No entanto, a presença de homossexuais assumidos apitando jogos de futebol no país já acontece há muitas décadas.
Um dos pioneiros foi Jorge José Emiliano dos Santos, conhecido como "Margarida", que estreou no Campeonato Carioca de 1988, e destacou-se na vitória do Flamengo sobre o Volta Redonda, por 3 a 1. Com gestos espalhafatosos na hora de assinalar faltas e distribuir cartões, o árbitro, aos poucos, tornou-se uma atração à parte na competição.
Além de seus trejeitos inusitados em campo, "Margarida" chamou atenção pela seriedade: com a experiência adquirida do futebol de areia, não se intimidava com os jogadores que o "peitavam" (e, em alguns momentos, tentavam derrubá-lo). Era severo ao distribuir cartões mas, reza a lenda que usava um tom mais ameno ao advertir certos jogadores, dentre eles, o atacante Renato Gaúcho.
Após marcar época no futebol, Jorge Emiliano dos Santos se despediu de vez em 1995, de insuficiência respiratória, em consequência da Aids, deixando um legado de espaço aberto para o futebol sem preconceitos. Na mesma época outros nomes não se intimidaram com o machismo no futebol.
Valter Senra assumiu publicamente que era homossexual e chegou a enfrentar resistências na cúpula de futebol. Apelidado de maneira jocosa de "Bianca", o árbitro seguiu em atividade, desabafou à imprensa se dizendo "perseguido por ser gay" após receber ofensas por supostos erros em uma vitória do Flamengo sobre o Bangu, por 2 a 1, no Carioca de 1996. Depois de deixar os gramados, Valter foi encontrado morto em 2002, e a causa da morte não foi divulgada.
Cearense radicado no Rio de Janeiro, Paulino Rodrigues da Silva foi outro juiz que não escondeu sua homossexualidade. Apelidado de "Borboleta", o árbitro teve de superar a agressão de jogadores e até ameaça de morte de torcedores irritados com suas marcações. Marcas de uma luta que segue difícil de superar.

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