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Premier League vive 'modo Brasileirão' e tem nove trocas de técnicos

Veja as diferenças entre as duas ligas

PorTiago Teixeira MendesRio de Janeiro (RJ)
15/08/2026 14:37

Supervisionado porNathalia Gomes,
Enzo Maresca em amistoso de pré-temporada do Manchester City
Enzo Maresca observa amistoso de pré-temporada do Manchester City da área técnica (Foto: Divulgação)

A Premier League começa a temporada 2026/27 com uma marca inédita: nove dos 20 clubes mudaram de treinador antes da primeira rodada. O número supera o recorde anterior de oito trocas, registrado no início da temporada 2016/17, e coloca a competição inglesa diante de um cenário de incerteza que, à primeira vista, lembra o Brasileirão – embora as razões e a forma como essas mudanças acontecem sejam diferentes.

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A quantidade de alterações chama atenção principalmente porque envolve clubes de diferentes patamares. Chelsea, Liverpool, Manchester City, Manchester United e Tottenham, cinco dos chamados "Big Six", chegam à nova temporada com mudanças recentes no comando. Ao mesmo tempo, equipes como Fulham, Newcastle, Nottingham Forest e Ipswich também iniciam novos projetos, aumentando a dimensão da renovação.

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Premier League em ritmo de Brasileirão?

A comparação com o Brasileirão faz sentido quando o assunto é rotatividade, mas não significa que as duas ligas tenham chegado ao mesmo nível de instabilidade. No futebol brasileiro, a troca constante de treinadores costuma estar diretamente ligada à pressão imediata por resultados, à cobrança de torcedores e dirigentes e a um calendário que oferece pouco tempo para treinamento e recuperação dos jogadores.

No Brasileirão de 2025, por exemplo, 18 treinadores já haviam sido demitidos após 24 rodadas, enquanto a temporada de 2024 terminou com 17 mudanças no comando. O cenário ajuda a dimensionar a diferença: a Premier League estabeleceu seu recorde histórico de trocas antes mesmo de a temporada começar, enquanto no Brasil a rotatividade costuma continuar crescendo ao longo da competição.

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A semelhança, portanto, está mais no sintoma do que na origem. Nos dois campeonatos, a pressão por desempenho pode encurtar projetos e tornar o cargo de treinador particularmente instável. A diferença é que, na Inglaterra, nove mudanças representam um ponto fora da curva; no Brasil, números elevados de demissões já fazem parte do funcionamento habitual do campeonato.

A Premier League também apresenta uma particularidade importante nesta temporada. Entre os 11 treinadores que permaneceram em seus cargos, Michael Carrick e Roberto De Zerbi não estavam originalmente à frente de Manchester United e Tottenham no começo do ano. Ou seja, a fotografia da competição no início de 2026 é ainda mais marcada por mudanças do que o número oficial de nove substituições sugere.

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Michael Carrick é o treinador do Manchester United (Foto: Darren Staples / AFP)
Michael Carrick é o treinador do Manchester United (Foto: Darren Staples / AFP)

A duração dos trabalhos reforça essa sensação. Apenas Mikel Arteta e Unai Emery estão há mais de três anos nos respectivos clubes. Régis Le Bris, que chegou ao Sunderland em 2024, aparece como o quarto treinador há mais tempo no cargo na liga. David Moyes, de volta ao Everton há 18 meses, é o sétimo. Marco Rose, contratado pelo Bournemouth, sequer comandou uma partida pelo clube antes do início da temporada.

O contraste com 2025 é significativo. No começo da temporada passada, apenas Thomas Frank, que deixou o Brentford para assumir o Tottenham, e Keith Andrews, promovido pelo próprio Brentford, representavam mudanças entre os 20 clubes. Em 12 meses, a Premier League passou de um cenário relativamente estável para o maior movimento de treinadores de sua história.

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Grandes clubes também entram na dança

A diferença em relação ao Brasileirão fica ainda mais evidente quando se observa quem decidiu mudar. Na Inglaterra, a troca de treinador não está concentrada apenas em clubes que lutam contra o rebaixamento ou atravessam crises esportivas. Entre os principais times do país, as mudanças também fazem parte de decisões estratégicas e de projetos de longo prazo.

O Liverpool inicia uma nova era com Iraola, que deixou o Bournemouth para assumir o comando da equipe após a saída de Arne Slot. No Manchester City, Enzo Maresca substitui Pep Guardiola, enquanto Xabi Alonso chega ao Chelsea para ocupar a vaga deixada por Rosenior. No Manchester United, Carrick deixou a condição de interino e foi efetivado após assumir temporariamente o cargo em janeiro. Já De Zerbi chegou ao Tottenham em abril e agora começa sua primeira temporada completa à frente do clube.

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Esses movimentos mostram que nem toda mudança pode ser interpretada como uma demissão provocada por uma sequência de resultados ruins. Há casos em que o clube procura uma nova identidade, outros em que um treinador troca de equipe e situações em que uma solução provisória acaba se tornando definitiva.

O Newcastle, por exemplo, contratou Matthias Jaissle para substituir Eddie Howe. O novo comandante chega após trabalhar na liga saudita, enquanto o clube também perdeu jogadores importantes e apostou em jovens no mercado. No Fulham, Marco Silva deixou o cargo depois de cinco temporadas, dando lugar a Álvaro Arbeloa, que tinha apenas uma experiência anterior como treinador profissional.

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Arbeloa no comando do Real Madrid
Arbeloa no comando do Real Madrid (Foto: Oli Scarff/AFP)

No Nottingham Forest, Oliver Glasner chega para substituir Pierre Sage, enquanto o Crystal Palace aposta justamente no francês como sucessor. O Forest, porém, vive uma sequência particularmente instável: Glasner será o quinto treinador do clube em um período de um ano.

O caso do Ipswich é outro exemplo de como a mudança pode representar um risco esportivo. Kieran McKenna permaneceu cinco anos no clube e conduziu a equipe por três acessos. Gary O'Neil assume a missão de substituir o treinador que construiu a trajetória recente do time e, pela primeira vez desde o Hull City em 2016/17, um clube promovido à Premier League começa a temporada com um técnico diferente daquele que conquistou o acesso.

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Esse cenário não significa necessariamente que a temporada será um fracasso para os clubes que trocaram de treinador. A própria Premier League oferece um precedente. Em 2016/17, quando oito equipes fizeram mudanças no comando durante a preparação para a temporada, Antonio Conte levou o Chelsea ao título, enquanto José Mourinho conduziu o Manchester United à conquista da Copa da Liga Inglesa e da Europa League.

O Manchester City de Guardiola também terminou aquela temporada em uma posição melhor do que havia terminado a anterior, apesar de o primeiro ano do treinador no clube ter ficado abaixo do padrão estabelecido posteriormente por seu trabalho.

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Por isso, o recorde atual não permite concluir que a Premier League esteja reproduzindo a lógica do Brasileirão. O que existe é uma coincidência interessante: uma competição conhecida pela estabilidade de seus grandes projetos começa justamente sua temporada mais movimentada no comando técnico.

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