Pitaco do Guffo: o que ficou da Copa Africana de Nações
Além de bons times e novos talentos, torneio este ano também deixou alguns ensinamentos

- Matéria
- Mais Notícias
Em uma final disputadíssima, o Senegal venceu o Marrocos por 1 x 0 e consagrou-se bicampeão da CAN, a Copa Africana de Nações. Trata-se do torneio de seleções que mais move paixões e tradições no planeta. Sempre revela bons times e novos talentos. Este ano, também deixou alguns ensinamentos. Afinal, o que ficou da Copa Africana de Nações?
Relacionadas
A África sempre viveu ciclos de domínio do futebol no continente. Desde a ideia de panafricanismo das Estrelas Negras do Gana nos anos 60, passando pelo extinto Zaire (hoje República Democrática do Congo), o Egito, Camarões e Argélia. Nos últimos 5 anos, duas seleções brigam por esse trono: justamente Marrocos e Senegal.
➡️ Pitaco do Guffo: leia todas as colunas
Uma final histórica
Jogando em casa, em frente à sua apaixonada torcida, Marrocos era o grande favorito ao título. Após um jogo caótico e muito disputado no tempo regulamentar, a partida foi para a prorrogação. Nela, a pressão agressiva dos atacantes de Senegal ajudou a criar oportunidades de contra-ataque. Sadio Mané e Ibrahim Mbaye apoiaram Cherif Ndiaye, enquanto Senegal buscava explorar o espaço pelo lado de fora da linha de três improvisada do Marrocos. O golaço de Pape Gueye surgiu das transições mortais nas costas da linha defensiva dos donos da casa.
Mas antes do gol do título, o jogo poderia ter terminado a favor do Marrocos, com um pênalti desperdiçado por Brahim Diaz, cobrado com enorme displicência. Antes da cobrança, o técnico de Senegal decidiu tirar o time de campo, em uma forma de protesto ao pênalti marcado. E foi aí que apareceu a liderança de Sadio Mané.

➡️ Siga o Lance! no WhatsApp e acompanhe em tempo real as principais notícias do esporte
Qual é o tamanho de um ídolo?
Para você jovem que não sabe, Sadio Mané nasceu muito pobre em um vilarejo de 2 mil habitantes no interior do Senegal, para se tornar o maior artilheiro da história da sua seleção e o maior ídolo da história do seu país. E não se trata apenas de futebol. Mané colaborou com centenas de iniciativas humanitárias, entre elas, a construção de um hospital.
Seus companheiros de time olham para ele com o brilho do ídolo, mas também com a obediência do líder. Quando o técnico Pape Thiew mandou o time abandonar a partida, foi Mané que puxou seus companheiros de volta, em uma ação que mostra que o espírito esportivo tem alma. E que essa alma não foge à luta. E que essa luta será disputada até o apito final. E valeu a pena: pênalti perdido, prorrogação, Senegal campeão.
Além desse lindo momento de liderança positiva, o que ficou da Copa Africana de Nações? A possibilidade de que o técnico de Marrocos, Walid Regragui, seja demitido (o que pode ser bom para o Brasil), destaques táticos como o Mali de Tom Saintfiet e o Burkina Faso de Brama Traoré e a certeza que as seleções africanas não irão à passeio na Copa do Mundo deste ano.
Pitaco do Guffo: leia mais colunas
Gustavo Fogaça escreve sua coluna no Lance! nas noites de segunda e quinta-feira. Leia outras publicações do colunista nos links abaixo:
➡️O problema dos estaduais
➡️As causas da queda de Xabi Alonso
➡️Por que eu não gosto da Copinha
➡️O que está acontecendo com Vini Júnior?
➡️Onde foi que perdemos os modos?
- Matéria
- Mais Notícias


















