Após abandonar gramado, Senegal volta, vence Marrocos e conquista a Copa Africana de Nações
Final de jogo foi marcado por intenso drama, com Brahim Díaz perdendo o pênalti derradeiro

A Copa AFricana de Nações teve um desfecho apoteótico. Neste domingo, Senegal venceu o Marrocos por 1 a 0, em Rabat, e conquistou o bicampeonato da competição. A decisão foi marcada por um duelo dramático, equilibrado e repleto de tensão, que precisou da prorrogação para ser definida após um pênalti desperdiçado por Brahim Díaz nos acréscimos do tempo regulamentar. O gol do título foi marcado por Pape Gueye, no primeiro tempo da prorrogação. A partida foi realizada em um Estádio Príncipe Moulay Abdellah lotado de marroquinos, já que a seleção derrotada jogava em casa.
Primeiro adversário do Brasil na próxima Copa do Mundo, Marrocos buscava quebrar um jejum de 50 anos. O único título que conquistou na Copa Africana das Nações foi em 1976.
A final entrou para a história não apenas pelo título senegalês, mas pelo roteiro caótico nos minutos finais do tempo normal. Senegal chegou a balançar as redes nos acréscimos, teve o gol anulado por falta na origem da jogada. Na sequência imediata, viu a arbitragem marcar pênalti para Marrocos após revisão do VAR. A decisão gerou revolta entre os senegaleses, que abandonaram o campo em protesto, provocando uma paralisação de cerca de 20 minutos.
Sob a liderança de Sadio Mané e do técnico Pape Thiaw, os Leões de Teranga retornaram ao gramado. Na cobrança, Brahim Díaz tentou uma cavadinha, mas Edouard Mendy aguardou até o último instante e defendeu, levando a final para a prorrogação. No tempo extra, Senegal mostrou maior organização emocional e aproveitou uma das poucas chances claras para definir o título.
Como foi o jogo entre Senegal e Marrocos?
A decisão da Copa Africana de Nações colocou frente a frente duas seleções que chegaram à final com campanhas sólidas. Desde os primeiros minutos, o duelo confirmou a expectativa de equilíbrio, intensidade e alternância de domínio. Senegal e Marrocos se lançaram ao ataque desde o início, disputando cada espaço do campo com forte imposição física e alto ritmo.
Logo aos quatro minutos, Senegal criou a primeira grande chance da partida. Em cobrança de escanteio, a bola atravessou toda a área e sobrou para Pape Gueye na segunda trave. Bounou tentou sair do gol, mas ficou no meio do caminho. O goleiro marroquino só não foi batido porque conseguiu se recuperar a tempo e evitar o gol em cima da linha, em um dos lances mais perigosos da final.
Após o início intenso, o jogo entrou em um período de maior equilíbrio, com disputas concentradas no meio-campo. Senegal voltou a assustar aos 37 minutos do primeiro tempo, quando conseguiu escapar da pressão marroquina pela esquerda. Nicolas Jackson recebeu e acionou Ndiaye em velocidade pelo lado direito. O atacante saiu livre, cara a cara com Bounou, mas o goleiro cresceu no lance e conseguiu defender.
Nos acréscimos da primeira etapa, o tom dramático do confronto voltou a se manifestar. Senegal recuperou a bola e acelerou o ataque com Ndiaye, que tocou para Camara. Enquanto Pape Gueye passava livre, o capitão optou pelo chute, mas a finalização foi bloqueada pela defesa. No rebote, Marrocos armou um contra-ataque rápido e perigoso. Brahim Díaz conduziu, acionou Hakimi, que encontrou Saibari na área. O chute rasteiro, no entanto, foi rebatido, encerrando um primeiro tempo intenso e sem gols.

O segundo tempo manteve o nível de competitividade. Aos 12 minutos, Marrocos teve sua melhor chance até então. Em jogada rápida, Khannouss avançou pela direita e encontrou El Kaabi e Brahim Díaz infiltrando na área. Com um passe de trivela, deixou o centroavante em boas condições. Mendy saiu do gol, El Kaabi conseguiu finalizar, mas exagerou na força e mandou para fora.
Pouco depois, foi a vez de Ezzalzouli levar perigo. Brahim Díaz recuperou a bola e puxou contra-ataque. El Kaabi finalizou bloqueado, e a sobra caiu nos pés de Ezzalzouli, que, quase sem ângulo, conseguiu tirar de Mendy, mas novamente a finalização saiu sem direção.
O jogo precisou ser interrompido após um choque de cabeça entre El Aynaoui e Diouf, que deixou a partida paralisada por alguns minutos. Após a retomada, o ritmo demorou a se reestabelecer, mas Marrocos passou a controlar melhor as ações, acumulando presença ofensiva.
Nos acréscimos do segundo tempo, Senegal chegou a marcar, mas o gol foi anulado por falta na origem da jogada. A decisão inflamou o clima no estádio. Logo depois, em cobrança de escanteio para Marrocos, a bola foi alçada na área, houve disputa aérea e Diouf deslocou Brahim Díaz com um agarrão. O VAR foi acionado e o juiz confirmou a penalidade, gerando revolta imediata dos senegaleses.
Pape Thiaw ordenou que seus jogadores deixassem o campo em protesto. A paralisação durou cerca de 20 minutos, até que, após diálogo entre arbitragem, comissões técnicas e líderes das equipes, Senegal retornou ao gramado.
Brahim Díaz assumiu a responsabilidade da cobrança. No último lance do tempo regulamentar, tentou uma cavadinha, mas Edouard Mendy permaneceu firme, esperou até o final e fez a defesa, levando a decisão para a prorrogação.
Título é decidido na prorrogação
Logo no início do tempo extra, Senegal conseguiu desarmar no campo defensivo e puxar um ataque rápido. Pape Gueye carregou pelo meio e, da entrada da área, finalizou com precisão para marcar um golaço, abrindo o placar da decisão.
Pouco depois, Marrocos tentou reagir. Brahim Díaz recebeu, limpou o marcador e chutou, mas Mendy defendeu novamente. O jogo ficou ainda mais aberto, com Senegal apostando em transições rápidas e Marrocos pressionando em busca do empate.
Os Leões do Atlas não se entregaram. En-Nesyri levou perigo em jogada aérea que passou raspando a trave. No início do segundo tempo da prorrogação, Marrocos intensificou a pressão e passou a ser superior no duelo. Em cobrança de escanteio, a bola foi desviada na área e explodiu no travessão, arrancando suspiros da torcida local.
Mesmo sob pressão, Senegal não abdicou do ataque. Em uma das últimas chances, Cherif Ndiaye recebeu na área, finalizou rasteiro, Bounou defendeu e deu rebote. Com o gol livre e o goleiro no chão, o atacante desperdiçou a chance de ampliar, tocando novamente em Bounou, que conseguiu atrapalhar a finalização.
Com o avanço do tempo, a chuva passou a cair com força em Rabat e o cansaço ficou evidente. O duelo se tornou mais truncado, com faltas e disputas físicas constantes. No limite físico, quando as pernas já não respondiam ao comando, o apito final confirmou o título senegalês.
✅ FICHA TÉCNICA
Senegal 1x0 Marrocos
Final – Copa Africana de Nações
🗓️ Data e horário: domingo, 18 de janeiro, às 16h (de Brasília)
📍 Local: Estádio Príncipe Moulay Abdellah, em Rabat (MAR)
🥅 Gols: Idrissa Gueye (4'/1T Prorrogação)
🟨 Cartões amarelos: Camara (SEN), Ismaïla Sarr (SEN), Diouf (SEN), Mendy (SEN), Salah-Eddine (MAR), Mamadou Sarr (SEN)
🟥 Cartões vermelhos: --
🟢🟡🔴 Senegal (Técnico: Pape Thiaw)
Edouard Mendy; Antoine Mendy (Abdoulaye Seck), Mamadou Sarr, Niakhaté, Diouf (Jakobs); Camara (Ismaïla Sarr), Idrissa Gueye, Pape Gueye; Ndiaye (Mbaye), Nicolas Jackson (Cherif Ndiaye), Mané
🔴🟢🔴 Marrocos (Técnico: Walid Regragui)
Bounou, Mazraoui (Igamane), Masina, Aguerd, Hakimi; El Aynaoui; Brahim Díaz (Akhomach), Khannouss (Targhalline), Saibari (Salah-Eddine), Ezzalzouli; El Kaabi (En-Nesyri)
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