Abandono, reviravolta e cavadinha: Senegal conquista Copa Africana de Nações contra o Marrocos
Leões de Teranga ampliaram o seu domínio no continente africano

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Diante de 66,5 mil torcedores no Estádio Príncipe Moulay Abdellah, Senegal derrotou o anfitrião Marrocos por 1 a 0, na prorrogação, e conquistou o bicampeonato da Copa Africana de Nações, silenciando um país inteiro e reafirmando sua posição como potência dominante do continente.
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O título fora de casa foi contra a melhor geração marroquina em décadas, em uma partida marcada por lances polêmicos. Senegal, inclusive, chegou a abandonar o gramado por 20 minutos, após a marcação de um pênalti nos acréscimos da etapa final.
Desde 2019, os senegaleses ocupam um lugar de destaque no futebol africano. Das últimas quatro edições da Copa Africana de Nações, estiveram em três finais e conquistaram dois títulos. Em um continente marcado pelo equilíbrio histórico e pela alternância constante de campeões, a seleção dos Leões da Teranga construiu uma superioridade rara, sustentada por uma geração experiente.
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Senegal e Marrocos: duas das grandes forças africanas
Do outro lado, Marrocos - que fará a estreia na Copa do Mundo diante da Seleção Brasileira - reunia alguns dos nomes mais valorizados do futebol africano atual. Achraf Hakimi, apontado como um dos melhores laterais-direito do mundo, Brahim Díaz, artilheiro e líder ofensivo do torneio, e jogadores consolidados como Ezzalzouli, Mazraoui e En-Nesyri. O cenário parecia desenhado para um título em casa, algo que o país não vivia desde 1976.
O caminho marroquino até a final reforçava essa condição de favorito. Em seis partidas antes da decisão, a equipe venceu quatro e empatou duas, marcou nove gols e sofreu apenas um. No mata-mata, passou por Tanzânia, Camarões e Nigéria.
Jogando em Rabat, diante de um estádio completamente tomado por torcedores locais, o título parecia questão de tempo. Era a geração que tinha recolocado o continente africano entre os protagonistas do futebol mundial com o quarto lugar na Copa de 2022 e que agora buscava consolidar esse status no próprio continente.
Senegal, porém, atravessava um momento distinto. Seus principais líderes já estavam longe do auge físico, mas a campanha mostrou que a experiência pode ser determinante. Em sete jogos, a seleção venceu seis, marcou 13 gols e sofreu apenas dois. O time comandado por Pape Thiaw exibiu intensidade sem bola, transições rápidas e um sistema defensivo capaz de resistir à pressão constante.
Além do desafio técnico, Senegal também enfrentava a estatística. Em finais de Copa Africana disputadas contra anfitriões, os donos da casa haviam vencido 11 vezes, enquanto os visitantes só levantaram a taça em três ocasiões. Marrocos, ainda, tentava encerrar um jejum de mais de meio século sem títulos continentais.
Uma final emocionante, eletrizante e com reviravoltas
Desde os primeiros minutos, a decisão confirmou o equilíbrio esperado. Senegal começou melhor e criou a primeira grande chance logo aos quatro minutos, quando Pape Gueye apareceu livre na segunda trave após escanteio. O goleiro Bono se recuperou no último instante e evitou o gol em cima da linha.
O jogo seguiu intenso, com duelos físicos constantes no meio-campo e alternância de domínio. Senegal voltou a assustar aos 37 minutos, quando Nicolas Jackson acionou Ndiaye em profundidade. Cara a cara com o goleiro, o atacante parou novamente em Bono.
Marrocos respondeu nos acréscimos do primeiro tempo em contra-ataque rápido puxado por Brahim Díaz, que encontrou Hakimi. A jogada terminou com finalização bloqueada e manteve o placar zerado.
No segundo tempo, o time da casa cresceu. El Kaabi desperdiçou uma chance clara após passe de trivela de Khannouss, e Ezzalzouli quase marcou em chute sem ângulo. O domínio territorial marroquino aumentava, mas Senegal continuava perigoso nas transições.
As polêmicas vieram nos acréscimos. Senegal chegou a marcar, mas o gol foi anulado por falta na origem da jogada. Na sequência imediata, após escanteio para Marrocos, o VAR assinalou pênalti por deslocamento de Brahim Díaz dentro da área. A decisão provocou revolta generalizada.
Os jogadores senegaleses deixaram o campo em protesto, e a final ficou paralisada por cerca de 20 minutos. O capitão Mané liderou o retorno ao gramado.
Na cobrança, Brahim Díaz tentou uma cavadinha. Edouard Mendy esperou até o último instante e defendeu, levando a decisão para a prorrogação.
Com os ânimos mais controlados, a prorrogação começou em ritmo intenso. Logo no início, Senegal recuperou a bola no campo defensivo e acelerou a transição. Pape Gueye conduziu pelo meio, encarou Hakimi e, da entrada da área, acertou um chute preciso, indefensável, para marcar o gol do título.
O estádio, antes ensurdecedor, mergulhou em silêncio. Marrocos tentou reagir. Brahim Díaz voltou a assustar, En-Nesyri levou perigo pelo alto e uma bola chegou a explodir no travessão. Senegal, mesmo pressionado, manteve a organização e ainda desperdiçou chances claras de ampliar.
A chuva passou a cair forte em Rabat e o desgaste físico se tornou evidente. Quando o apito final soou, Senegal confirmou uma das conquistas mais simbólicas da história recente do futebol africano.
Os Leões de Teranga são os reis da África
O título senegalês extrapola o aspecto esportivo. Senegal é uma nação jovem, independente desde 1960, e construiu no futebol uma de suas principais ferramentas de identidade nacional. O termo "teranga", oriundo do idioma wolof, simboliza hospitalidade, união e coletividade – valores incorporados à seleção desde seus primeiros jogos internacionais, em 1961.
A escolha do leão como símbolo reforça essa identidade. Assim como outras seleções africanas, Senegal adotou o animal como representação de força e resistência. Mas foi a partir da geração liderada por Sadio Mané que o país encontrou um protagonista capaz de transformar simbolismo em conquistas.
Mané encerrou a Copa Africana declarando que aquela poderia ser sua última participação no torneio. Maior artilheiro da história da seleção, líder técnico e emocional, ele foi decisivo não apenas com gols ou assistências, mas com postura em momentos de crise – como na paralisação histórica da final.
Enquanto Marrocos teve em Brahim Díaz o artilheiro da competição, com cinco gols e o prêmio de Chuteira de Ouro, Senegal levou o troféu mais importante. Um contraste que ajuda a explicar o desfecho da final: eficiência emocional, leitura de contexto e capacidade de decisão sob pressão extrema.
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