Abandono, reviravolta e cavadinha: Senegal vence Copa Africana de Nações com roteiro digno de cinema
Leões de Teranga ampliaram o seu domínio no continente africano

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O futebol internacional testemunhou, em Rabat, um dos confrontos mais intensos e dramáticos do futebol de seleções desde a final da Copa do Mundo de 2022. Diante de 66,5 mil torcedores no Estádio Príncipe Moulay Abdellah, Senegal derrotou o anfitrião Marrocos por 1 a 0, na prorrogação, e conquistou o bicampeonato da Copa Africana de Nações, silenciando um país inteiro e reafirmando sua posição como potência dominante do continente.
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O título veio fora de casa, contra a melhor geração marroquina em décadas, após uma final marcada por tensão extrema, decisões do VAR, abandono de campo, pênalti desperdiçado nos acréscimos e um gol decisivo que sintetizou o espírito senegalês: força mental, disciplina tática e liderança em momentos-limite.
Desde 2019, Senegal passou a ocupar um lugar central no futebol africano. Das últimas quatro edições da Copa Africana de Nações, esteve em três finais e conquistou dois títulos. Em um continente marcado pelo equilíbrio histórico e pela alternância constante de campeões, a seleção dos Leões da Teranga construiu uma hegemonia rara, sustentada por uma geração experiente e por uma identidade competitiva sólida.
Sob a liderança de Sadio Mané, Edouard Mendy e Kalidou Koulibaly, Senegal atravessou um torneio disputado em território hostil e destronou um Marrocos impulsionado pelo próprio contexto: anfitrião, embalado pela histórica campanha na Copa do Mundo de 2022 e sustentado por uma geração técnica e madura.
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Senegal e Marrocos: duas das grandes forças africanas
Do outro lado, o elenco marroquino reunia alguns dos nomes mais valorizados do futebol africano atual. Achraf Hakimi, amplamente apontado como o melhor lateral-direito do mundo, Brahim Díaz, artilheiro e líder ofensivo do torneio, além de jogadores consolidados como Ezzalzouli, Mazraoui e En-Nesyri. O cenário parecia desenhado para um título em casa, algo que o país não vivia desde 1976.
O caminho marroquino até a final reforçava essa condição de favorito. Em seis partidas antes da decisão, a equipe venceu quatro e empatou duas, marcou nove gols e sofreu apenas um. No mata-mata, passou por Tanzânia, Camarões e Nigéria, sempre com controle territorial, organização defensiva e eficiência ofensiva.
Jogando em Rabat, diante de um estádio completamente tomado por torcedores locais, o título parecia questão de tempo. Era a geração que recolocou a África no centro do futebol mundial em 2022 e que agora buscava consolidar esse status no próprio continente.
Senegal, porém, atravessava um momento distinto. Seus principais líderes já estavam longe do auge físico, mas a campanha mostrou que a experiência, quando bem organizada, pode ser determinante. Em sete jogos, a seleção venceu seis, marcou 13 gols e sofreu apenas dois. O time comandado por Pape Thiaw exibiu intensidade sem bola, transições rápidas e um sistema defensivo capaz de resistir à pressão constante.
Além do desafio técnico, Senegal também enfrentava a estatística. Em finais de Copa Africana disputadas contra anfitriões, os donos da casa haviam vencido 11 vezes, enquanto os visitantes só levantaram a taça em três ocasiões. Marrocos, ainda, tentava encerrar um jejum de mais de meio século sem títulos continentais.
Uma final emocionante, eletrizante e com reviravoltas
Desde os primeiros minutos, a decisão confirmou o equilíbrio esperado. Senegal começou melhor e criou a primeira grande chance logo aos quatro minutos, quando Pape Gueye apareceu livre na segunda trave após escanteio. O goleiro Bounou se recuperou no último instante e evitou o gol em cima da linha.
O jogo seguiu intenso, com duelos físicos constantes no meio-campo e alternância de domínio. Senegal voltou a assustar aos 37 minutos, quando Nicolas Jackson acionou Ndiaye em profundidade. Cara a cara com o goleiro, o atacante parou novamente em Bounou.
Marrocos respondeu nos acréscimos do primeiro tempo em contra-ataque rápido puxado por Brahim Díaz, que encontrou Hakimi. A jogada terminou com finalização bloqueada e manteve o placar zerado em uma primeira etapa eletrizante.
No segundo tempo, o time da casa cresceu. El Kaabi desperdiçou uma chance clara após passe de trivela de Khannouss, e Ezzalzouli quase marcou em chute sem ângulo. O domínio territorial marroquino aumentava, mas Senegal seguia perigoso nas transições.
O ponto de ruptura veio nos acréscimos. Senegal chegou a marcar, mas o gol foi anulado por falta na origem da jogada. Na sequência imediata, após escanteio para Marrocos, o VAR assinalou pênalti por deslocamento de Brahim Díaz dentro da área. A decisão provocou revolta generalizada.
Os jogadores senegaleses deixaram o campo em protesto, e a final ficou paralisada por cerca de 20 minutos. A imagem do capitão Mané liderando o retorno ao gramado sintetizou o peso simbólico daquele momento.
Na cobrança, Brahim Díaz tentou uma cavadinha. Edouard Mendy, frio e paciente, esperou até o último instante e defendeu, levando a decisão para a prorrogação.
Com os ânimos mais controlados, a prorrogação começou em ritmo intenso. Logo no início, Senegal recuperou a bola no campo defensivo e acelerou a transição. Pape Gueye conduziu pelo meio, encarou Hakimi e, da entrada da área, acertou um chute preciso, indefensável, para marcar o gol do título.
O estádio, antes ensurdecedor, mergulhou em silêncio. Marrocos tentou reagir. Brahim Díaz voltou a assustar, En-Nesyri levou perigo pelo alto e uma bola chegou a explodir no travessão. Senegal, mesmo pressionado, manteve a organização e ainda desperdiçou chances claras de ampliar.
A chuva passou a cair forte em Rabat, o desgaste físico se tornou evidente e o jogo entrou em um estágio de sobrevivência. Quando o apito final soou, Senegal confirmou uma das conquistas mais simbólicas da história recente do futebol africano.
Os Leões de Teranga são os reis da África
O título senegalês extrapola o aspecto esportivo. Senegal é uma nação jovem, independente desde 1960, e construiu no futebol uma de suas principais ferramentas de identidade nacional. O termo "teranga", oriundo do idioma wolof, simboliza hospitalidade, união e coletividade – valores incorporados à seleção desde seus primeiros jogos internacionais, em 1961.
A escolha do leão como símbolo reforça essa identidade. Assim como outras seleções africanas, Senegal adotou o animal como representação de força e resistência. Mas foi a partir da geração liderada por Sadio Mané que o país encontrou um protagonista capaz de transformar simbolismo em conquistas.
Mané encerrou a Copa Africana declarando que aquela poderia ser sua última participação no torneio. Maior artilheiro da história da seleção, líder técnico e emocional, ele foi decisivo não apenas com gols ou assistências, mas com postura em momentos de crise – como na paralisação histórica da final.
Enquanto Marrocos teve em Brahim Díaz o artilheiro da competição, com cinco gols e o prêmio de Chuteira de Ouro, Senegal levou o troféu mais importante. Um contraste que ajuda a explicar o desfecho da final: eficiência emocional, leitura de contexto e capacidade de decisão sob pressão extrema.
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