Filipe Luís pode ser o próximo treinador do Chelsea? Entenda
Ex-Flamengo não tem a licença necessária, mas poderia fazer manobra

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A demissão de Liam Rosenior do Chelsea, confirmada nesta quarta-feira (22), reacendeu nos bastidores um nome familiar à torcida dos Blues: o de Filipe Luís. De acordo com informações da imprensa inglesa e brasileira, o ex-lateral, que defendeu o clube londrino na temporada 2014/15, é um dos cotados para assumir o comando de Stamford Bridge.
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A especulação, no entanto, vai além da nostalgia. Filipe Luís, que esteve livre no mercado desde que deixou o Flamengo no início da temporada, já havia negociado com o conglomerado BlueCo, dono do Chelsea e do Strasbourg, durante as tratativas para sua renovação com o clube carioca. O imbróglio, inclusive, teria sido um dos fatores que desgastaram sua relação com a diretoria rubro-negra antes de sua demissão.
O imbróglio, inclusive, teria irritado a diretoria rubro-negra. Quando descobriu as conversas, o presidente Bap se sentiu enganado. Filipe seguiu no Flamengo naquele momento, mas a relação nunca mais foi a mesma, culminando em sua demissão no início da temporada de 2026.
Bastidores da demissão de Liam Rosenior
A saída de Liam Rosenior não foi uma surpresa dentro do clube. O técnico inglês perdeu o controle do vestiário há semanas – vazamentos de escalação, jogadores ignorando auxiliares e o apelido de "professor substituto" minaram sua autoridade – e a derrota por 3 a 0 para o Brighton foi a gota d'água. Os números são avassaladores: foram sete derrotas nas últimas oito partidas.
O que o caso de Rosenior escancara, no entanto, é um problema estrutural que vai além de suas limitações individuais. O Chelsea e o Strasbourg são controlados pela mesma holding. A tentativa de transferir o técnico que fazia um trabalho aceitável na França para resolver a crise inglesa expôs a fragilidade do modelo: Rosenior chegou sem o currículo e sem a autoridade que um elenco de estrelas exige.
A situação do Chelsea é um alerta para a BlueCo. A aposta em um técnico jovem e sem expressão na Europa, baseada apenas na confiança mútua entre os clubes do grupo, falhou. Agora, com o cargo vago novamente, a diretoria busca um nome que una identificação com o clube e, idealmente, um perfil de jogo mais claro, apostando em uma experiência de sucesso fora do continente.

O estilo Filipe Luís é compatível com o Chelsea?
Se Rosenior nunca conseguiu impor um padrão consistente, as ideias de Filipe Luís são bem mais fáceis de identificar. Durante sua passagem vitoriosa pelo Flamengo, o técnico brasileiro se notabilizou por um futebol de construção paciente, que busca envolver o adversário e manipular a marcação com passes curtos e movimentação constante na última linha. Longe de ser reativo, seu time preza pela posse de bola e pela ocupação sistemática do campo ofensivo.
Sem a bola, a filosofia é igualmente agressiva. Filipe implementou uma pressão alta e coordenada na saída de bola adversária, tentando recuperar a posse o mais perto possível do gol rival – exatamente o tipo de intensidade que a torcida inglesa costuma valorizar. Não à toa, especialistas o descrevem como o oposto do "chutão" clássico, aproximando-se da escola de técnicos como o próprio Guardiola.
Essa capacidade de "ler o jogo" e ajustar a equipe não é novidade para quem acompanhou sua carreira. No Atlético de Madrid, como jogador, ele absorveu a disciplina tática de Simeone; na seleção brasileira e no Flamengo, refinou sua visão ofensiva. Unir essas duas facetas – a organização defensiva e a criatividade no ataque – é seu grande trunfo.
O obstáculo real: a Licença da Uefa e o "Caminho Fàbregas"
Se o estilo agrada e a identificação com o Chelsea é real, o maior inimigo de Filipe Luís neste momento é a burocracia. Para treinar oficialmente um clube na Inglaterra ou em qualquer competição da Uefa, como a Champions League, é obrigatória a Licença Pro da Uefa.
Atualmente, o brasileiro possui apenas as licenças A e B da CBF Academy. Além de não ter o curso mais alto, ele não cumpre o segundo requisito exigido pelas federações europeias: a experiência. A Uefa exige no mínimo três anos de trabalho como técnico principal em clubes de primeira divisão ou seleções para validar uma licença estrangeira. Como Filipe comandou o Flamengo por menos de dois anos, ele não atende ao critério.
Como contornar a situação? A BlueCo poderia tentar uma manobra parecida com a que Cesc Fàbregas usou no Como. O espanhol só obteve a licença recentemente, mas na prática já comandava a equipe enquanto um auxiliar registrado aparecia como técnico principal nos documentos.
O risco, claro, é grande. Diferente do Como, o Chelsea é um clube de altíssima pressão. Haveria paciência para essa "solução de quebra-galho"? A diretoria inglesa precisaria de uma justificativa sólida para convencer a torcida e a imprensa de que o "cabeça por trás do cargo" é o brasileiro. Ainda assim, a existência do precedente mantém o nome de Filipe na lista.
Enquanto a diretoria decide o próximo passo, o auxiliar permanente, Calum McFarlane, assumirá o time de forma interina. A prioridade imediata é a semifinal da Copa da Inglaterra contra o Leeds United, e uma vitória ali pode comprar tempo para a busca pelo substituto definitivo.
Ainda que Filipe Luís seja o favorito (ao lado de Cesc Fàbregas), outros nomes mais "prontos" e sem as amarras burocráticas estão na lista. Andoni Iraola, que não terá o contrato renovado pelo Bournemouth, é um dos mais cotados, assim como Marco Silva (Fulham) e o alemão Edin Terzic (ex-Borussia Dortmund). A diferença é que, enquanto esses precisam apenas de um acerto salarial, o brasileiro exigiria um plano de desenvolvimento especial da rabeira diretoria.
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