Ex-Corinthians, Pedrinho revela bastidores da adaptação na Rússia e destaca apoio dos brasileiros do Zenit
Jogador contou em entrevista ao Lance! como tem sido a experiência na Rússia

A chegada de Pedrinho ao futebol russo representou uma mudança completa na vida do ex-Corinthians. Aos 18 anos, o jogador deixou o Brasil para defender o Zenit e precisou se adaptar não apenas a um novo estilo de futebol, mas também a uma cultura, idioma e rotina completamente diferentes. Em entrevista ao Lance!, o meia falou sobre esse processo de adaptação e contou como tem sido viver essa experiência. Nesse período, os brasileiros do elenco tiveram papel fundamental para ajudá-lo a lidar com a nova realidade.
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Desde janeiro de 2024 no clube, Pedrinho encontrou no Zenit um ambiente com forte presença brasileira. Wendel, Nino, Mantuan, Douglas Santos, Jhon Jhon, Luiz Henrique e Felipe Augusto estão entre os compatriotas que fizeram ou fazem parte do grupo, enquanto outros brasileiros também passaram pelo clube durante o período.
Antes mesmo de chegar à Rússia, Pedrinho já havia conversado com jogadores do Zenit para entender melhor como seria a mudança. As referências recebidas ajudaram a diminuir a incerteza de deixar o Brasil ainda jovem.
— Eu queria ir na hora (quando veio a proposta), mas não tinha como porque eu tinha que completar 18 anos. Eu falei com alguns jogadores daqui, os jogadores falaram da cidade aí, do país, que era muito bom, o clube que era muito bom… Então eu cheguei e era real sobre o que falaram mesmo. E, como eu falei, todos me acolheram muito bem aqui — contou Pedrinho.
Brasileiros foram fundamentais na adaptação
A adaptação ao futebol russo não foi simples. Pedrinho conta que precisou de aproximadamente um ano para se acostumar ao estilo de jogo, principalmente pela intensidade física encontrada no campeonato.
— Para mim, no começo, falando do campeonato, foi muito difícil, né? Era… é muito diferente do Brasil, que é um futebol muito mais físico. Então eu tive que ir me adaptando. Em treinamentos, em jogos… Eu acho que um ano assim para eu me adaptar. Hoje eu tô adaptado muito bem, tô fazendo grandes jogos aqui, me adaptei bem no campeonato e nessa força física — explicou.
Nesse período, a presença dos compatriotas ajudou também na rotina dentro do clube. Pedrinho afirma que todos os brasileiros do elenco se tornaram parceiros e que a convivência facilitou a adaptação ao novo país.
— Eu acho que todos os brasileiros [são meus parceiros]. Acho que todos são meus amigos que posso contar a qualquer hora. No campo a gente se entende muito. Tem o Wendel, o Nino, o Mantuan… Todos os jogadores brasileiros me acolheram muito bem e fazem parceria comigo — afirmou.

Relação além do campo com os brasileiros
A relação entre os brasileiros ultrapassa os limites do campo. Segundo Pedrinho, a convivência criou um grupo de jogadores com quem ele pode contar no dia a dia. O brasileiro também revelou que a comunicação entre os compatriotas durante as partidas acontece naturalmente em português, mesmo que os demais jogadores e árbitros não entendam o que está sendo dito.
— A gente fala em português no campo, a maioria dos jogadores aqui não entende. Então a gente fala no campo e eles não vão entender nada, nem o juiz nem os jogadores. Mas não é nada demais, é só a comunicação dentro de campo mesmo — brincou.
Apesar da predominância do português entre os brasileiros, o elenco do Zenit reúne jogadores de diferentes nacionalidades. Pedrinho destaca que existe uma tentativa coletiva de superar as barreiras linguísticas.
— O único que fala russo aqui fluente é o Nino. Ele estudou bem, então ele sabe conversar bastante. Mas a gente tem muito brasileiro no time, tem colombian. A gente sempre tenta falar com os russos alguma coisa em inglês, brincando, eles falam com a gente também algumas coisas tentando falar em português… Tenho certeza de que o grupo todo tenta se conversar de alguma maneira — relatou.
Claudinho também ajudou antes da chegada
O apoio dos brasileiros começou antes mesmo de Pedrinho desembarcar na Rússia. Na época da transferência, o jogador buscou informações com atletas que já conheciam a realidade do Zenit.
Claudinho, que também passou pelo clube russo, foi um dos jogadores consultados pelo ex-Corinthians.
— Eu conversei mais com os jogadores aqui do clube mesmo, né? Não conhecia muito os jogadores brasileiros que estavam em outros times a não ser do Zenit. Tinha o Claudinho, que era da mesma empresa (de agenciamento) que a minha… Então eles ajudaram muito também na conversa e falaram muito bem do clube — revelou.
William também foi importante por causa do idioma
Além dos jogadores, Pedrinho contou com a ajuda de um brasileiro que trabalha no Zenit: William, auxiliar técnico do time, que é brasileiro e ajuda nas traduções das orientações.
A barreira linguística era um dos obstáculos para o jovem jogador nos primeiros meses, mas o auxílio de William facilitou a comunicação durante treinamentos e partidas.
— Dentro do campo, todo mundo se entende. Mas fora tudo é tranquilo na medida do possível, a comunicação com o técnico é em inglês. Mas tem um auxiliar aqui, o William, brasileiro, ele traduz tudo o que o treinador fala, então isso facilita também — explicou Pedrinho.
Família como parte da adaptação
A adaptação de Pedrinho não ficou restrita ao futebol. A mudança para a Rússia também envolveu a construção de uma nova vida longe dos amigos e familiares que ficaram no Brasil.
O jogador admite sentir saudade do país, mas conta que conseguiu criar uma rotina confortável na Rússia ao lado da família.
— Falar que não sinto saudade [do Brasil] é mentira, né? Mas claro que nos dias livres dá pra aproveitar feliz aqui. Mas tem a saudade de estar do lado dos meus familiares e dos amigos que eu tenho aí no Brasil — contou.
Hoje, Pedrinho vive na Rússia com a esposa, o filho e o cozinheiro. A presença da família também foi importante para que o jogador se sentisse mais em casa. Além da presença familiar, outra coisa que o ajudou foi o contato com a comida brasileira, que Pedrinho fez questão de não abandonar.
— Eu acho que a família perto é a melhor coisa pra gente. No começo eu vim com a minha mãe, né, com a minha esposa e com a minha irmã. Mas hoje em dia tá a minha esposa, meu filho e meu cozinheiro. A gente traz na mala as coisas daí (Brasil): arroz, farofa… Enfim, traz molhos, traz só pra complementar e deixar tudo certinho aqui pra gente — afirmou.
Mais de dois anos depois de deixar o Brasil, Pedrinho já se considera adaptado à Rússia. O processo que começou ainda aos 18 anos, foi marcado por mudanças dentro e fora de campo, mas também pela presença de uma rede de brasileiros que ajudou o jogador a construir sua vida no Zenit.

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