Do sonho europeu ao retorno brasileiro: o caso Jhon Arias no Palmeiras
Primeiros passos no Velho Continente mostram desafios para talentos do futebol nacional

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Jhon Arias desembarca de volta ao Brasil após seis meses de sua saída do Fluminense e, agora, troca o Rio de Janeiro pela capital paulista para vestir a camisa do Palmeiras. A mudança, porém, levanta questionamentos sobre os planos do atleta ao deixar o país para sua primeira experiência europeia com as cores do Wolverhampton. O Lance! analisa os caminhos dessa curta trajetória recente e apresenta diferentes pontos de vista sobre a situação.
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Expectativa individual 👏
Contratado por 17 milhões de euros (R$ 110 milhões) em valores fixos, Arias chegou ao Wolves com o status de um dos principais jogadores da América do Sul e, não por acaso, recebeu a camisa 10 logo em sua chegada.
O reconhecimento foi resultado direto do desempenho do colombiano com a camisa do Fluminense, clube que defendeu entre 2021 e 2025, período em que conquistou seis títulos, entre eles a Libertadores de 2023 e a Recopa Sul-Americana de 2024, além de se destacar especialmente no Mundial de Clubes de 2025, fator decisivo para despertar o interesse europeu.
Realidade coletiva 🤯
O Wolves, em 2024/25, protagonizou uma recuperação relâmpago na segunda metade do campeonato, impulsionado pela chegada do técnico Vítor Pereira e, principalmente, pelos gols de Matheus Cunha e Jørgen Strand Larsen, além das assistências de Rayan Aït-Nouri. A equipe deixou a zona de rebaixamento e terminou na 16ª colocação, duas posições acima do descenso.
Em 2025/26, o Wolves não repetiu o desempenho anterior. Embora parte do elenco tenha sido mantida, os principais destaques deixaram o clube, e Arias chegou justamente como uma das reposições, sem conseguir corresponder às expectativas. Afundado na lanterna desde as primeiras rodadas, Pereira caiu e deu lugar ao inexperiente Rob Edwards, que até o momento não promoveu mudanças significativas. A equipe soma apenas oito pontos após 25 rodadas e está a 18 do primeiro clube fora da zona de rebaixamento.

Futebol sem bola ❌
Individualmente, Arias encerra sua breve passagem pela Inglaterra com 26 jogos, dois gols e uma assistência, números distantes do brilho que o consagrou no Brasil. Em campo, o jogador que ganhou protagonismo pelo Fluminense atuando pela ponta direita, com liberdade para circular por outras zonas do campo, especialmente sob o comando de Fernando Diniz, não exerceu o mesmo papel no futebol inglês.
Arias foi deslocado majoritariamente como a terceira peça de meio-campo em uma trinca formada ao lado dos brasileiros André e João Gomes. Atrás, o time atua com um trio de zagueiros e dois alas abertos, além de dois atacantes à frente, o que representou um posicionamento diferente daquele ao qual estava acostumado no Brasil e que potencializou seu desempenho. Mesmo no Mundial, quando o Fluminense utilizou um esquema com três zagueiros, o baixinho foi escalado por Renato Gaúcho como parceiro de ataque do centroavante, no caso Germán Cano, e não como meia.
Pelo contexto vivido pelo Wolves nesta temporada, a equipe raramente manteve o domínio da posse de bola e passou a apostar de forma recorrente em contra-ataques e transições em velocidade, cenário no qual Arias até poderia encontrar espaços, mas distante daquilo que melhor potencializa suas características em campo. Trata-se de uma realidade diferente da vivida no Tricolor, com maior controle, protagonismo e participação ofensiva constante.
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Vestido ideal? 🐺
É nesse ponto que as questões passam a pesar e a gestão de carreira começa a ser colocada em debate. Arias deixou o futebol brasileiro com a afirmação de que realizaria o maior sonho de sua trajetória, ao jogar na Europa e morar no continente. O plano se concretizou, já que o jogador recusou uma proposta do Zenit, da Rússia, enquanto o Fluminense rejeitou uma oferta do Girona, da Espanha, até que o consenso entre as partes resultou na aceitação da proposta do Wolves.
O contexto, que se mostrou inadequado, cobrou seu preço. Agora, Arias precisou lidar com um cenário delicado: após poucos meses sem destaque no lanterna da Premier League, o jogador dificilmente teria espaço no futebol europeu, seja na Inglaterra ou em outro grande centro.
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Bom filho à casa torna 🟢🟡
Assim, em um hiato de arrependimento imediato no novo clube, recebeu propostas apenas do mercado onde seu desempenho já havia sido comprovado. Nesse cenário, Palmeiras e Flamengo demonstraram interesse, impulsionados pelo poder financeiro, além do próprio Fluminense, que tentou repatriar o ícone.
Quem venceu a queda de braço foi o Verdão, que ofereceu 25 milhões de euros (R$ 154 milhões), proposta aceita tanto pelo Wolves quanto por Arias. O jogador recusou o Rubro-Negro por consideração ao Flu, e o ex-clube não alcançou os valores apresentados pelos paulistas. Assim, retorna a um território confortável com o objetivo de retomar o protagonismo exibido recentemente.
Baile da Colômbia 🟡🔵🔴
A principal motivação dos atletas, recorrente nesta janela de transferências, tem sido a Copa do Mundo de 2026, como ilustram os movimentos de Endrick no Lyon, Lucas Paquetá no Flamengo e, agora, Arias no Palmeiras. São exemplos de jogadores que buscam maior minutagem, visibilidade e ascensão competitiva com o objetivo de garantir espaço em suas respectivas seleções para o Mundial.

Arias, que era presença constante no ciclo da próxima Copa do Mundo na Colômbia, perdeu espaço entre os selecionáveis para o torneio de meio de ano, em grande parte porque não era titular absoluto no Wolves. Na seleção, ele atuava como meia em um losango no meio-campo e pode exercer função semelhante no Palmeiras, que trabalha com dupla de ataque e varia o esquema para o 4-4-2 sob a estratégia de Abel Ferreira.
Mesa de bar 🗣️
O recomeço de Arias suscita um último ponto mais reflexivo: vale a pena se arriscar na Europa mesmo quando há espaço consolidado e protagonismo garantido no Brasil?
Jamais haverá uma resposta definitiva para essa pergunta, talvez justamente por isso o futebol se mantenha como um dos esportes mais imprevisíveis. Tudo passa por contextos, tanto do próprio atleta quanto do destino que encontra no Velho Continente.
Cada vez mais, jogadores brasileiros ou sul-americanos que se destacam no futebol nacional se transferem para o exterior, não conseguem repetir o desempenho e acabam retornando. Um movimento que não se restringe aos anos recentes, já que desde as décadas de 1980 e 1990 diversos atletas seguiram esse mesmo caminho, com resultados variados. Renato Gaúcho, Sócrates, Edmundo, Vampeta, Marcelinho Carioca, Viola, Luizão, Ricardinho, entre outros.
No caso de Arias, dificilmente a torcida do Wolves guardará grande identificação, tanto pelo curto período no clube quanto pelo momento coletivo adverso vivido pela equipe. O mesmo raciocínio se aplica a nomes como Kaio Jorge, Matheus Pereira, Pedro Guilherme, Arthur Melo, Gerson, Gabriel Barbosa, Reinier e até mesmo Paquetá.
O futebol da vida real não é videogame e envolve inúmeros fatores nessa equação. A oportunidade de morar em um lugar mais seguro, conhecer novas culturas, receber salários mais altos e disputar as principais competições contra os melhores jogadores do mundo pesa nas decisões.
Invariavelmente, o Brasil não ocupa o topo da cadeia alimentar do mercado do futebol mundial, e essa lógica segue dominante, embora represente cada vez mais como um cenário hostil para parte de atletas com potencial de ídolos em gigantes nacionais.
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Arias no Palmeiras: vitória do futebol brasileiro ✅
Agora, voltando ao campo e à bola, o Palmeiras recebe um jogador com potencial de titularidade em um elenco já forte, projetado para brigar por todos os títulos em 2026. Conhecido pelo controle de bola e pela dificuldade em perdê-la mesmo conduzindo em velocidade ou driblando em espaço curto, Arias marcou era na ponta direita do Fluminense como um adversário difícil de ser enfrentado.
Sempre atento à melhor opção de passe ou à finalização precisa, Arias deixou o Fluminense após 230 jogos, com 47 gols e 55 assistências, e até então com certo carinho da torcida tricolor. O Palmeiras, que novamente incorpora ao elenco um jogador identificado com um rival local, como ocorreu no caso de Marlon Freitas, ex-Botafogo, busca oferecer um novo ponto de partida ao colombiano após meses "desperdiçados".
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