Como nova função de Endrick no Lyon pode ser a solução para Real Madrid e Seleção?
Destaque de 19 anos cresce como ponta-direita em seu primeiro mês no futebol francês

- Matéria
- Mais Notícias
Endrick caiu igual um meteoro no Lyon em 2026. Em apenas três partidas pelo clube francês, o fenômeno soma quatro gols e uma assistência, números que ajudam a explicar por que seu nome rapidamente entrou no centro das atenções. O desempenho pode ter sido potencializado por um ajuste sutil no seu posicionamento na França.
Relacionadas
Joga nas 11 ⚽
No Lyon, sob o comando de Paulo Fonseca, Endrick participa com maior frequência aberto pelo lado direito do ataque, posição diferente daquela que o consagrou como camisa 9. Diante desse contexto, o jornal francês "L'Équipe" questionou se essa mudança de função pode se tornar um problema para os seus planos na Seleção Brasileira.
Na sequência, o adulto de 19 anos tratou o tema com maturidade, reforçou sua identificação como centroavante e deixou claro que a prioridade é estar em campo e contribuir. Segundo ele, a liberdade concedida pelo treinador e a possibilidade de atuar em diferentes funções fazem parte do processo, e não representam um obstáculo. Abaixo, confira a resposta do jovem ao veículo francês:
— Todos que conhecem futebol sabem que a minha posição não é na ponta direita, é como camisa nove. Mas é o que eu sempre digo, quero jogar e vou fazer tudo para jogar. Se me pedirem para jogar na ponta direita, vou fazer para ajudar a minha equipe. Na direita, o Paulo (Fonseca) me dá liberdade. E no último jogo, marquei o primeiro gol em uma posição de 9. O Paulo sabe que sou um número 9, mas precisava de mim na direita. Como disse, estou aqui para ajudar o Lyon, como ponta direita ou como número 9 ou mesmo número 10 — iniciou Endrick.
Em seguida, o astro ampliou a explicação e contextualizou que essa adaptação não é uma novidade em sua carreira. Endrick citou experiências anteriores, sobretudo com o técnico Abel Ferreira no Palmeiras, e destacou que a liberdade para circular pelo campo, mesmo partindo do lado, faz parte de suas características e do que considera ideal para extrair o melhor de seu jogo.
— Já joguei nessa posição no Palmeiras, onde também tinha essa liberdade. Aqui, no fim das contas, é a mesma coisa. Sou um número 9 que gosta de participar um pouco mais do jogo. É claro que, quando vou para a direita, tenho a oportunidade de fazer coisas que não faço na posição de número 9, que é um pouco diferente. Mas gosto muito dessa liberdade de poder fazer movimentos pela direita, para que alguém fique por dentro. Gosto de me sentir livre em campo, mas é claro que com obrigações, defensivas e ofensivas — seguiu.
E convenhamos, não existe uma referência fixa de ataque no Lyon. Fonseca costuma alternar a posição de centroavante; nos dois primeiros jogos do brasileiro, em um deles o meia-atacante camisa 10, Pavel Šulc, atuou como 9, enquanto no outro Endrick atuou aberto em parceria de ataque com o jovem Khalis Merah, meia de origem. Ou seja, Bobby parece deslocado em outra parte do campo simplesmente por opção tática e técnica.
➡️ Siga o Lance! no WhatsApp e acompanhe em tempo real as principais notícias do esporte
Bem-sucedido e artilheiro ✅
Das grandes jogadas de risco criadas por Endrick no Lyon, a maioria saiu pelo lado direito, incluindo os gols. Com físico aparentemente ideal após a avaliação da comissão técnica do clube, o brasileiro se destacou nos arranques para conduzir a bola e superar a marcação nos primeiros três jogos pelo time.
Na última partida contra o Metz, na qual marcou um hat-trick, o primeiro gol foi típico de centroavante, com um toque na pequena área. O segundo surgiu em uma arrancada pela lateral e ele superou a marcação em velocidade. O terceiro resultou de um pênalti, originado por uma tentativa de drible do próprio em espaço curto contra dois defensores, também pela direita para dentro.
➡️ VÍDEO: veja os gols de Endrick na partida entre Lyon e Metz, pela Ligue 1
Na estreia contra o Lille pela Copa da França, o primeiro toque de Endrick no terço final pelo Lyon veio pelo lado direito, quando cortou para dentro e finalizou forte de fora da área, o chute obrigou o goleiro a realizar uma grande defesa antes da bola ainda acertar a trave. Novamente pelo lado direito, o primeiro tento do camisa 9 surgiu como sobra na área e finalização de canhota colocada.
A melhor parte da mudança de posicionamento é a potência de seu pé esquerdo, sempre posicionado em ângulo favorável para finalizar ou criar jogadas, cortando para dentro, conduzindo a bola sozinho, tabelando com algum companheiro ou servindo uma assistência. Pode não ser o jogador mais habilidoso em dribles curtos, mas em transições em velocidade sem a bola ou em arrancadas com ela, não há defensor que consiga pará-lo, e nenhum brasileiro na Europa apresenta a mesma capacidade pela direita.
Solução merengue? ⚪
Não é novidade que Endrick deixou o Madrid em busca de maior minutagem em campo, situação que não ocorreu na primeira metade de 2025/26 sob a direção de Xabi Alonso. A promessa disputou apenas 99 minutos pelos Blancos, após retornar de lesão em outubro, sem participar de gols.
A concorrência interna era grande, com a presença de Kylian Mbappé, artilheiro do time na temporada com 36 gols em 29 partidas. Contudo, Endrick chegou a perder a posição de reserva imediato para Gonzalo García, que aproveitou o período de afastamento do brasileiro para se destacar no Mundial de Clubes.
Se Endrick tivesse sido utilizado na ponta direita, talvez já tivéssemos visto um pouco do que ele demonstra atualmente no Lyon. Enquanto a posição de centroavante tem lugar fixo, o lado direito do permaneceu aberto no elenco do Real, mesmo após a saída de Alonso e a chegada de Álvaro Arbeloa à comissão técnica.
Rodrygo, titular histórico da posição, atua por ali, mas prefere se deslocar pelo meio ou até pela ponta esquerda para criar chances de ataque. Das demais opções, nenhuma se destacou: Arda Güler, mais utilizado como meia do que como atacante de lado; Brahim Díaz, no mesmo contexto; Federico Valverde, que já deixou claro não gostar de atuar pelos flancos; e Franco Mastantuono, único ponta-direita de origem, que chegou com status de joia, mas até agora não se destacou, mesmo recebendo oportunidades.
Certamente, Endrick voltará a Madrid em 2026/27. Não por acaso, o atacante aceitou o desafio de atuar no futebol francês por meio de um empréstimo de seis meses, válido até o fim da temporada europeia, em cláusula de opção de compra. O craque tem vínculo com o Real até junho de 2030.
📲 De olho no Lance! e no Futebol Internacional. Todas as notícias, informações e acontecimentos em um só lugar.
Bom, novo, completo e brasileiro 🟢🟡
No Brasil, essa versatilidade poderia reforçar sua convocação. Afinal, Carlo Ancelotti já deixou claro que valoriza jogadores capazes de atuar em mais de uma posição, como no caso do nome de confiança Richarlison, que joga como centroavante e ponta, ou dos defensores Éder Militão e Danilo, que atuam como zagueiro e lateral-direito. Uma das missões de Endrick no Lyon é recuperar seu status para voltar a ser convocado rumo à disputa da Copa do Mundo de 2026.

Claro que, pelo lado direito, hoje há outro criado Cria da Academia em destaque: Estêvão, além de Luiz Henrique, muito elogiado quando convocado. Ainda assim, Endrick pode ser, ao menos, uma opção como plano B para a posição, dependendo da partida, por apresentar maior poder de finalização do que os dois citados.
De todo modo, vale destacar que a posição de centroavante também não parece definida para o Mundial. Sem dúvida, com este início de ano, Endrick figura entre os cotados. O próximo teste da estrela em campo é enfrentar o conhecido Lille, agora pela 20ª rodada da Ligue 1, no Groupama Stadium, neste domingo (1º), às 11h (de Brasília).
- Matéria
- Mais Notícias

















