Especialista alerta sobre riscos do coronavírus: 'Um paciente pode transmitir para duas ou três pessoas'
Em entrevista exclusiva ao LANCE!, gestora de saúde Chrystina Barros explica pandemia do vírus que vem parando o mundo e cancelando eventos esportivos em diversos países

O coronavírus começou a afetar de vez o mundo do esporte. Após alguns países adotarem realização de eventos sem a presença de público nos estádios e arenas, jogadores de diversos esportes começaram a ser infectados pelo vírus pandêmico, forçando o adiamento de diversos jogos previstos.
Na última quarta-feira, a NBA suspendeu as atividades de sua temporada após os jogadores Rudy Gobert e Donovan Mitchell, do Utah Jazz, serem confirmados com a doença. No futebol, jogadores contraíram a doença em diversos países, como Itália e França. As eliminatórias para a Copa do Mundo foram adiadas, jogos suspensos e o clima de pânico começa a afetar.
O treinador Mikel Arteta, do Arsenal, também contraiu a doença. O proprietário do Olympiakos e do Notthingham Forrest Evangelos Marinakis foi mais um a confirmar. A Fórmula 1 suspendeu o GP da Austrália, primeiro da temporada, após surgirem funcionários das equipes Haas e MacLaren como portadores da doença. Até mesmo o UFC Brasília, que aconteceria no próximo sábado na capital brasileira, está sob sério risco de ser cancelado por decreto do governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha, que proíbe eventos com aglomeração de pessoas.
No Brasil, com poucos casos confirmados e nenhuma morte até o momento, poucas atitudes foram tomadas sobre os eventos esportivos, que continuam acontecendo com a presença de torcedores normalmente. Em entrevista exclusiva ao LANCE!, a especialista Chrystina Barros alertou que os próximos dias serão determinantes para possíveis cancelamentos ocorrerem no Brasil.
- Muitos governantes estão preocupados para diminuir a transmissão e cancelando eventos. O coronavírus se espalha por contato ou por gotículas e as aglomerações favorecem a transmissão. Por isso, alguns países têm optado por cancelar eventos, não somente esportivos, mas todos aqueles que representem uma aglomeração e possam ser adiados. Dependendo do número de casos novos dos próximos dias, pode acontecer esta indicação também aqui no Brasil.
Um paciente que tenha o novo coronavírus pode contaminar, em média, de 2 a 3 pessoas que estejam mais próximas dele. Em um estádio de futebol, por exemplo, as arquibancadas possuem uma distância muito pequena entre as pessoas, que se aproximam e aumentam os riscos de transmissão. Essa estratégia pode ser utilizada durante algum tempo para diminuir a velocidade do contágio e, assim, fazer com que o sistema de saúde consiga atender todas as pessoas de maneira adequada - afirmou.
Como funciona a transmissão do vírus?
Com mais de 25 anos de experiência, Chrystina explicou como funciona a contaminação e propagação do coronavírus, alertando que a taxa de mortalidade entre os pacientes, que pode variar em cada país, gira em torno de 2,5% e 3,5%.
- O Coronavírus é transmitido pelo contato ou por gotícula. Desde o início da epidemia, estamos com a mesma taxa de mortalidade, que gira em torno de 2,5% a 3,5%, principalmente dependendo do país. Idosos e pessoas que têm outras doenças, como diabetes e hipertensão, estão mais suscetíveis a complicações. Na Itália, por exemplo, que é um país mais envelhecido, temos uma taxa um pouco mais alta. 80% dos pacientes tem uma gripe leve, as outras 20% podem precisar de uma assistência médica e dessas, 2% a 3% podem ir à óbito - explicou.
Ministério da Saúde adverte que casos devem aumentar no Brasil nos próximos meses
Até o momento, o governo brasileiro confirma 60 casos oficiais de pacientes portadores do vírus. A especialista também alerta que, segundo o Ministério da Saúde, a propagação de casos do coronavírus deve aumentar pelos próximos cinco ou seis meses, já que o inverno costuma trazer mais doenças respiratórias, como a gripe. Ou seja, grandes eventos esportivos, como o Campeonato Brasileiro, devem ser afetados.
- Nós não sabemos como vírus se comporta no verão. Normalmente no Brasil, as doenças respiratórias são mais comuns no inverno. O próprio Ministério da Saúde diz que teremos uma ampliação de casos do novo coronavírus pelos próximos cinco ou seis meses. Precisaremos estar atentos a este período. O que vemos hoje na China é que os números começam a se estabilizar depois de três meses, mas ainda não temos uma perspectiva de quando estes números estarão estabilizados em todo o mundo -, argumentou.
Como identificar os sintomas do coronavírus?
Chrystina também explica como a população deve se proteger de contrair o vírus, que é praticamente uma gripe com consequências mais graves em certos tipos de pacientes, como idosos, com os mesmos sintomas.
- Para se prevenir da doença é fundamental a higiene e respeito. Se você for tossir, proteja a boca no seu braço. Não coloque mãos em superfícies e as traga para seus olhos, mãos ou nariz. Lave muito e sempre as mãos. Você pode utilizar álcool em gel 70%, mas não adianta usar se suas mãos estiverem sujas.
Os sintomas da gripe são inespecíficos: febre, dor no corpo, mal-estar, dor de cabeça, que normalmente numa gripe sem complicações começam a melhorar em dois ou até três dias. Se nesse período não houver sinais de melhora ou a doença evoluir com dificuldade respiratória, você deve procurar um serviço médico. Assim, você evita a sobrecarga da rede de saúde - finalizou.
*Estagiário, sob supervisão de Tadeu Rocha

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