Análise: Marcão se prova como solução do Fluminense para 2026
Treinador mostrou profundidade para guiar o elenco

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MENDOZA (ARG) - O Fluminense ainda precisa definir quem será o sucessor de Luis Zubeldía, mas encontrou dentro do próprio clube uma solução segura para atravessar o período sem treinador. Em menos de uma semana, Marcão assumiu um time pressionado, venceu o líder Palmeiras de virada e classificou o Tricolor às quartas de final da Libertadores diante do Independiente Rivadavia.
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Os resultados são a parte mais evidente. O trabalho nos dois jogos, porém, mostrou mais. Marcão recuperou a confiança de um elenco que vinha de oito partidas sem vitória, tomou decisões importantes na escalação, preparou alternativas para diferentes cenários e ganhou o respaldo público de jogadores importantes.
— O Marcão tem a confiança de todo o grupo. A diretoria que vai fazer a escolha, isso não cabe a nós. Mas enquanto ele estiver no comando pode ter certeza que o grupo vai estar abraçado com ele — contou Guga, após a classificação.
Palmeiras foi primeiro sinal
A primeira missão já era complicada. Dois dias depois da demissão de Zubeldía, o Fluminense recebeu o Palmeiras, líder do Brasileirão, precisando recuperar confiança antes da decisão continental. Marcão entendeu que não bastava pensar apenas no resultado. Recolocou Ganso como titular e capitão para diminuir o ritmo das transições, recuperou jogadores que vinham abaixo e conseguiu fazer o time competir em alto nível novamente.
O Fluminense saiu atrás duas vezes, respondeu nas duas e buscou o 3 a 2 aos 46 minutos do segundo tempo, com Germán Cano. A vitória entregou exatamente o que a diretoria pretendia ao trocar o comando: um choque capaz de recuperar confiança.
Marcão admitiu depois que aquele jogo já estava relacionado ao que faria na Argentina. A estratégia contra o Palmeiras serviu também como preparação para enfrentar um Rivadavia que tem justamente transição e jogo direto entre suas principais armas.
Plano do Fluminense contra o Ind. Rivadavia funciona
O Fluminense havia sofrido nos três confrontos anteriores contra o Rivadavia principalmente com dois movimentos: as transições depois de perder a bola e as jogadas aéreas. A preparação foi construída em cima disso.
— A ideia era tentar tirar um pouquinho essa transição do Rivadavia, uma equipe muito direta, ataca muito, com bolas aéreas muito fortes. Treinamos muito isso para tentar evitar. Defensivamente, nos portamos bem — explicou Marcão.
Até a expulsão de Canobbio, no segundo tempo, o plano funcionava. O Fluminense tinha dificuldades para criar, mas também não permitia ao adversário encontrar os contra-ataques que haviam machucado o time nos confrontos anteriores. A defesa controlava Arce e não sofria nas bolas levantadas na área. Até a bola parada, outro ponto de preocupação, recebeu um ajuste feito horas antes do jogo. Thiago Silva revelou que ele, Fábio e a comissão de Marcão discutiram uma mudança específica na marcação.
— Fizemos um ajuste ali na concentração antes da reunião principal. Foi justamente a jogada de bolas paradas deles. No um contra um aqui a gente sofreu bastante. Eles tocaram quase todas as bolas naquele jogo. Fizemos um ajuste, eu, o Fábio e a comissão do Marcão, para esvaziar um pouco o nosso primeiro pau, colocando mais uma marcação lá dentro, porque eles atacavam muito bem o segundo pau. Acho que funcionou, porque eles não tiveram tanta criação nesse sentido como tiveram naquele jogo.
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Expulsão muda tudo, e Marcão responde
A maior prova para o interino veio com a expulsão de Canobbio. Com um jogador a menos durante quase toda a parte final da partida, o planejamento original deixou de existir. Marcão precisou reorganizar o time enquanto o Rivadavia aumentava a pressão. Saíram Ganso e Hulk. Entraram Lucho Acosta e Kevin Serna. Mais tarde, Millán também foi acionado para formar uma linha com três zagueiros.
— Naquele momento, a gente não conseguiria fazer isso com o Paulo e com o Hulk. Já tinha conversado com o Paulo antes do jogo, que ele teria um limite de tempo. A gente tinha que marcar forte lá atrás e ter essa transição, que foi o que aconteceu com o Serna — explicou.
A solução produziu justamente o gol tricolor. Hércules encontrou Serna nas costas da defesa, e o colombiano marcou no contra-ataque. Marcão também revelou que o cenário de inferioridade numérica não pegou a comissão desprevenida.
— Quando a gente assume a equipe, eu gosto de trabalhar a equipe por fases, por setores. Até por conta dessa situação, se perder um jogador em algum momento, podemos ter a possibilidade de uma linha mais baixa, com uma linha de cinco.
Thiago Silva vira parceiro de Marcão
A proximidade entre Marcão e Thiago Silva é crucial nesse processo. Contra o Palmeiras, o zagueiro seria poupado, mas pediu para permanecer no banco e passou a partida auxiliando nas orientações. Em Mendoza, participou do ajuste defensivo feito antes do confronto.
Thiago, que se prepara para trabalhar como treinador no futuro, destacou a abertura encontrada com o interino.
— Eu estou dando a minha contribuição, mas a última palavra é sempre do mister Marcão. Em todos os momentos em que ele foi acionado para ajudar o Fluminense, em momentos de dificuldade, ele deu conta do recado. Nós, brasileiros, temos que valorizar essa rapaziada, ele, o Cadu, que está fazendo um trabalho excelente. Temos que continuar assim, com os pés no chão, humildade, com tranquilidade.
Para Thiago, a confiança recuperada nos últimos dias é justamente aquilo que o Fluminense precisa proteger.
— A confiança você não pega e larga a hora que você quer. A hora que a gente tem ela na mão, tenta segurar o máximo possível para que ela se estenda um pouquinho mais. E o Marcão com certeza está fazendo grandes escolhas.


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