De Xerém para o mundo: Luiz Henrique se despede do Fluminense, mas leva o carinho da torcida
Luiz Henrique fez seu último jogo pelo Fluminense neste domingo; atacante foi vendido para o Real Bétis (ESP)

Nenhuma despedida é fácil, mas poucas marcarão tanto quanto a de Luiz Henrique. Depois de 10 anos no Fluminense, o garoto fez o seu último ato contra o Botafogo, neste domingo. O atacante, que agora se torna jogador do Real Bétis (ESP), não deixa apenas saudade. Esforçado e identificado, os dribles e a alegria do eterno Moleque de Xerém resgataram algo cada vez mais raro: a capacidade de realizar sonhos entre as quatro linhas. Assim, o menino tímido de Petrópolis se tornou inspiração para a torcida tricolor e para o mundo.
Tudo começou em um campo na comunidade do Carangola, em Petrópolis. Luiz, ainda com sete anos, jogava uma pelada quando foi visto pelo futuro empresário, Johnny Max. Ali, o professor de escolinha viu o talento que o mundo conheceria anos mais tarde. O garoto foi parar na escolinha de futebol local, onde foi notado por um olheiro do Fluminense.
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Aos 11 anos, fez o primeiro teste para a base do Tricolor, em Xerém, e passou logo de primeira. No meio do caminho, havia sua mãe, que temia a distância e o que o futuro poderia trazer. Mesmo assim, Johnny insistiu para que o garoto pudesse exercer o brilhantismo que, até aquele momento, praticamente só ele via. Naqueles anos, aluno e professor faziam o trajeto Petrópolis-Xerém todos os dias.
Em meio às incertezas, Luiz Henrique quase desistiu do futebol na base para lutar judô. A cada fim de contrato, a expectativa - e o medo - pela renovação pesavam. Chegou a falar que não iria mais treinar, mas o empresário, que hoje o jogador considera um segundo pai, o convenceu a voltar. Como o atacante conta, tiveram dias bons, dias ruins, mas abrir mão não era opção. Já naquela época, ele entendeu que viver o sonho era realizar mais que a si mesmo.
Os anos se passaram e o "Zulu", como ainda é conhecido por amigos próximos, avançou. Na concorrida base do Flu, Luiz Henrique não era dos mais visados pela torcida, mas construía um trabalho tão silencioso quanto sólido. Em 2020, o atacante vivia bom momento no sub-20. Assim, fez a transição para o profissional.

Durante a pandemia, Luiz Henrique passou a atuar com a equipe principal. Em um dos momentos mais difíceis para o mundo, o garoto encantou a todos com o sorriso sincero depois de cada lance bonito. A estreia no profissional foi contra o Palmeiras, e mesmo tímido, convenceu a comissão técnica. Desde então se tornou titular e só cresceu. Anos mais tarde, contou que utilizou o primeiro salário para fazer compras para a mãe, que ainda passava necessidades.
Em pouco tempo, a personalidade em campo prevaleceu. Além do talento para os dribles, o "pernudo" também esbanjou carisma. A alegria em campo conquistou os corações dos tricolores, que mesmo sem ir ao estádio no período de portões fechados, exaltavam o jogador nas redes sociais. Como esperado de todo garoto da base, oscilou. Ainda assim, manteve o pé firme e retomou o devido lugar.
Na reta final de 2021, Luiz Henrique realizou o primeiro sonho de muitos: ouvir tricolores cantarem seu nome. No primeiro gol após o retorno do público, chorou com a comemoração junto à arquibancada. Pouco depois, foi flagrado cantando uma música da torcida e revelou que sente o pulsar do 12° jogador em campo. Neste clima, foi importante para a classificação final no Brasileirão e, mais que isso, relembrou que campo e bola é sentimento acima de tudo.
Em 2022, a venda para o Real Bétis (ESP) foi divulgada antes do esperado pela diretoria e criticada por parte da torcida devido ao valor. Nesta época, Luiz Henrique voltou a oscilar e enfrentou as críticas. Porém, a chegada de Diniz mudou o panorama. O jogador resgatou a alegria que sempre fez parte do seu futebol, e voltou a encantar com a inventividade em campo. Na última quinta, a despedida do Maracanã foi marcada por aplausos e lágrimas.
Veja a classificação da Série A do Brasileirão
Apesar da tristeza pela saída de mais um garoto da base, a ida para a Europa é motivo de orgulho. Foram muitas as vezes em que Luiz Henrique disse que outro sonho seu era atuar no Velho Continente, algo que todos já esperavam. Agora, o eterno Moleque de Xerém irá ganhar o mundo, mas sem jamais esquecer onde tudo começou. Como ele mesmo declarou antes do clássico, "é um até logo".

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