Jogador, filho e irmão: a história de Zé Lucas, reforço do Cruzeiro

O garoto foi criado nas categorias de base do Sport

PorEduardo StatutiBelo Horizonte (MG)
28/07/2026 06:15
Zé Lucas sendo anunciado pelo Cruzeiro
Zé Lucas sendo anunciado pelo Cruzeiro (Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro)

Nova contratação do Cruzeiro, Zé Lucas será oficialmente apresentado na tarde desta terça-feira (28), na Toca da Raposa II. Antes da primeira entrevista do jogador com o uniforme celeste, o Lance! conversou com familiares da revelação pernambucana para conhecer melhor a história de vida do atleta.

Nascido em 23 de março de 2008, José Lucas Gomes da Silva, inicialmente Luquinhas e atualmente Zé Lucas, iniciou a trajetória no futebol ainda aos quatro anos, sendo orientado por seu pai, Paulo Marcelino, na Escolinha de Futebol do Engenho do Meio, que leva o nome do bairro da zona oeste de Recife.

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– Eu tenho um projeto, uma escolinha na comunidade onde morávamos. Desde os quatro anos ele jogava lá, fazia treinamentos de coordenação com a bola. Depois, aos oito anos, ele foi para o futsal do Sport. Em seguida, migrou para o campo e estreou com 16 anos. Ele treinava com garotos de oito anos, ainda com quatro, fazendo fundamentos, conezinho – relembra o pai do atleta.

Zé Lucas aos quatro anos jogando em Recife
Zé Lucas aos quatro anos jogando em Recife (Foto: Arquivo Pessoal)

Ainda revelação, o garoto se destacava. No intervalo, antes e depois dos jogos do pai na várzea, Zé Lucas brincava com a bola em campo e chamava a atenção dos amigos do pai.

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– Eu fazia campeonato no bairro, de várzea. E antes do jogo, no intervalo e depois, ele aproveitava o tempo no campo. Ele chutava no gol e os outros diziam que ele era diferente. O tempo passou, ele se aperfeiçoou. Sempre trabalhou, buscou, foi melhorando – comentou Paulo ao Lance!.

Futebol sempre esteve no sangue

Aos 18 anos, Zé Lucas é o terceiro de uma linha familiar de jogadores. Seu pai atuou como lateral em Recife e seu avô, Marcílio, apelidado de Faufifa, também jogava como volante, ou médio.

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– A relação dele com o futebol é herança genética. O avô, por parte de pai, jogava futebol. O pai dele também. Então é genético. Desde pequeno ele jogou bola com os amigos, morávamos em frente a um campo de várzea. Ele, pequeno, já ia jogar – conta a mãe de Zé Lucas, Adriana Maria.

– Eu joguei até os juniores, que hoje é o Sub-20, no Recife, que era um clube intermediário. Mas não fui muito longe, queria muito, mas não consegui. A vida proporcionou meu filho. Mas quem jogou muita bola foi meu pai (Marcílio, apelidado de Faufifa). Acho que é genética. Ele era conhecido. Meu pai atuava como volante. Eu fui lateral, mas ele jogava como volante, médio na época. Tentamos – explica o pai.

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Chegada de Zé Lucas ao Sport

Quatro anos depois de dar seus primeiros passos no Engenho do Meio, Zé Lucas iniciou a trajetória no Sport. Desde pequeno, o garoto mobilizou pessoas próximas em torno do seu sonho.

– Tínhamos um amigo chamado Ricardo, apelidado de Pelado. Toda vez ele perguntava pelo Luquinhas. Eu dizia que não tinha tempo para levar, pois precisava trabalhar. Então ele me ligou e disse que o levou ao treino, que gostaram e ele iria ficar. Eu não tinha como pagar mensalidade, e ele disse que cuidaria. Um dia fui ver o treino e o técnico do Sub-9 me disse que Lucas tinha muita projeção. Eu disse que não tinha condições de arcar com os custos, e eles ajudaram, os pais ajudavam a pagar passagens. O pessoal abraçou. Depois ele subiu para o campo. Morou no CT, estudava lá, não morava conosco, para focar. Ia para casa apenas no fim de semana – relembra Paulo.

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Zé Lucas em corredor da Ilha do Retiro
Zé Lucas em corredor da Ilha do Retiro (Foto: Paulo Paiva / Sport Recife)

Migração do futsal para o futebol

Inteligente e de personalidade, Zé Lucas tentou conciliar futsal e futebol, aproveitando os ensinamentos que construiu como ala e fixo para atuar no campo.

– Eu falei para ele que o meio de campo era o lugar mais difícil de jogar, mas ele quis jogar de meia. Atuou no Sub-19 aos 17 anos, no Sub-17 aos 15. Sempre foi um dos mais jovens. Sentiu um pouco a mudança da quadra para o campo. São esportes diferentes, bola e espaço também. Jogava nos dois, mas pediram que escolhesse apenas um – diz o pai.

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– O Zé Lucas virou esse nome porque o pessoal o chamava de Luquinhas e eu achava que diminuía. Pedi para chamá-lo de Zé Lucas, para não ficar no diminutivo. O pessoal falava que ele não cresceria. Comecei a levá-lo aos endocrinologistas, o pessoal não sabia. Hoje ele tem quase 1,75m. É inteligente, joga muito para frente, lê bem o jogo – explica Paulo.

Zé Lucas no profissional do Sport

Zé Lucas avançou rapidamente no Leão da Ilha e estreou no elenco profissional aos 16 anos. Destacou-se em clássico contra o Santa Cruz, fora de casa com torcida única, e não voltou ao Sub-20.

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– O que chama atenção nele é a personalidade, não temer o jogo, estar sempre concentrado. Com 16 anos, jogou Sport x Santa Cruz no Arruda lotado, torcida única. Foi um dos melhores em campo. Foi quando perceberam que ele era diferente. Desde então, foi sucesso e chegou à Seleção Brasileira – conta Paulo.

– Os outros garotos do Sub-20 que jogaram com ele foram rebaixados, mas ele continuou. Foi convocado para a Seleção Sub-17, disputou o Mundial, caiu na semifinal, e agora está no Cruzeiro. É uma nova fase. Estamos muito felizes. É o começo de grandes momentos. Ele tem muito a evoluir – relembra a mãe de Zé Lucas.

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Primeiro encontro com Artur Jorge

Na Toca da Raposa II desde a última sexta-feira (24), Zé Lucas encontrou Artur Jorge antes de chegar ao Cruzeiro. Durante a Copa do Mundo Sub-17 da última temporada, o português acompanhou o duelo entre Brasil e Portugal.

– Ele disputou a Copa do Mundo e fez uma boa competição. O próprio Artur Jorge esteve no jogo contra Portugal. Jogou com alguns garotos do Cruzeiro, como Felipe Morais e Vitão. Ficamos muito felizes, o pessoal nos recebeu bem no Cruzeiro. O Pedrinho, o Bruno, ficamos ainda mais satisfeitos com a recepção – diz o pai do volante.

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Zé Lucas ao lado de Artur Jorge
Zé Lucas ao lado de Artur Jorge (Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro)

Zé Lucas filho e irmão

Terceiro filho de Paulo e Adriana, Zé Lucas é descrito por sua irmã Duda, de 22 anos, como o mais brincalhão entre os irmãos Erick e Stefhany.

– Ele é muito brincalhão. Principalmente quando estamos nós quatro. Nossa relação é muito tranquila. Ele é um irmão de verdade, amigo, conselheiro. É muito sereno, é um homem. Sempre fomos muito unidos – disse Maria Eduarda ao Lance!.

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Os pais do atleta o definem como um profissional disciplinado e um filho atencioso e educado.

– Como filho, ele é especial. Nunca deu trabalho na escola, sempre soube conciliar os estudos com o futebol. Terminei o ensino médio no ano passado. Nunca fui chamada na escola, sempre tirou boas notas. É um filho maravilhoso, educado e obediente. Conversamos bastante – destaca Adriana.

– Zé Lucas sempre foi trabalhador, dedicado e disciplinado. Chamou a atenção de muitos clubes, principalmente do Cruzeiro. Ficamos orgulhosos de vê-lo em evidência no país. É manter os pés no chão e trabalhar. Ele é melhor como pessoa, dentro e fora de casa, do que jogando bola. A cabeça dele é a melhor parte. É um bom filho, irmão e atencioso – comenta Paulo.

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