Cenário político do Cruzeiro é empecilho para a recuperação, diz presidente do conselho gestor
Saulo Froes explicou também que os interesses de alas divergentes prejudicaram a Raposa no passado. Ele também elogiou o trabalho do conselho que sairá do Cruzeiro em maio

A vida política do Cruzeiro continua intensa e tensa, mesmo com a parada forçada do futebol pela pandemia do coronavírus. Com eleições para um mandato "tampão" marcadas para o dia 21 de maio, os bastidores celestes para saber quem ocupará a presidência do clube tem disputas de várias alas políticas.
E, na percepção dos membros do conselho gestor, que apresentaram dados do clube para os candidatos à presidência antes de deixarem o comando da Raposa, as disputas por poder no clube estão sendo muito prejudiciais para a instituição.
-A parte financeira do clube você vai conciliando, como nós fizemos. Negociamos com FIFA, credores, bancos, fornecedores e ganhamos credibilidade pelo fato de estar lá. Só olhar o que foi feito durante os 100 dias em que estivemos lá. Agora, a parte política é muito difícil, é muito interesse-disse Saulo Fróes, presidente do conselho gestor, em entrevista à Rádio 98FM, para em seguida lembrar que um gesto político do conselho trouxe de volta Itair Machado, considerado um dos pivôs da maior crise da história do Cruzeiro.
-Por mais que eu tenha respeito ao Conselho do Cruzeiro, vocês sabem o que aconteceu na gestão passada, quando 132 conselheiros assinaram para o Itair voltar, coisa que já tinha acabado com o Cruzeiro. A parte política é muito prejudicial- acrescentou Froes.
O dirigente do conselho detalhou como foi a reunião virtual com os candidatos à presidência e conselho do Cruzeiro, destacando a importância desse processo transparente.
-Acho que é muito importante que eventuais candidatos conheçam os números para saberem o que vão encontrar. Quando nós entramos, em 23 de dezembro, pensávamos que a situação era muito ruim, mas, na verdade, eram um desastre, um cenário de guerra. Depois disso, fizemos um choque de gestão e conseguimos conciliar as contas dentro de uma certa normalidade-disse o presidente do conselho gestor que fez um balanço positivo do tempo de trabalho do grupo que comanda o Cruzeiro a 100 dias.
-Nesse período de 100 dias fizemos um trabalho profissional, organizamos o clube e agora achamos importante os candidatos à presidência e à presidência do Conselho tomarem conhecimento. Apresentamos um raio X de tudo que foi feito durante esse período e de toda a situação que pegamos e a atual. É um divisor de águas, eu tenho certeza que o conselho vai ficar marcado. Se não fosse um conselho gestor totalmente isento, sem ligações políticas, não conseguiria fazer o choque de gestão e deixar o Cruzeiro em condições de partir para outro caminho- explicou.
O conselho gestor do Cruzeiro ficará no clube até 31 de maio, quando entregará a administração para o futuro presidente. Todavia, a ideia era permanecer na Raposa até o fim do ano, concluindo o plano que foi montado para recuperar o time celeste.
O empresário Emílio Brandi era o nome do conselho gestor para comandar o clube até o fim do ano, mas o cenário conturbado na política cruzeirense demoveu Brandi de seguir com a ideia de ficar até o fim de 2020.
-A nossa ideia era permanecer até o fim do ano para que não houvesse uma eleição agora e outra no fim do ano. Achamos que há um desgaste, a parte que perde acaba indo para o outro lado e virando uma oposição nem sempre salutar. Às vezes é uma oposição nociva ao clube. Infelizmente houve um segmento no Cruzeiro, às vezes das alas antigas de conselheiros, que acho que não pensaram no Cruzeiro, e sim em interesses próprios. Não digo especificamente do fato de a pessoa se candidatar, mas acho que não foi pensado nessa visão de ter apenas uma eleição na disputa. Resolvemos tirar o nosso candidato, Emílio Brandi, que achávamos ser a pessoa ideal para comandar até o fim do ano, e voltar à nossa origem de torcedor-disse Saulo Froes.
O Cruzeiro tem dois candidatos à presidência confirmados, o advogado Sérgio Rodrigues e o ex-vice-presidente Ronaldo Granata, além de um possível terceiro nome, o empresário Giovanni Baroni, que deve deixar a disputa pelo conselho e tentar o cargo máximo da Raposa. As chapas e os candidatos deverão ser oficializados até 11 de maio, dez dias antes das eleições.

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