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Em 'terra inimiga', Corinthians mergulha na rivalidade de Rosário

Timão realizou o último treino antes do duelo com o Rosario Central no CT do Newell's Old Boys

PorGuilherme LesnokRosário (ARG)
12/08/2026 21:11
Fachada do Gigante de Arroyito, estádio do Rosario Central
Fachada do Gigante de Arroyito, estádio do Rosario Central (Foto: Guilherme Lesnok/Lance!)

"En un clásico, no hay medias tintas." A definição dada por um morador de Rosário resume a dimensão da rivalidade entre Rosario Central e Newell's Old Boys, dois clubes que dividem não apenas a história, mas também as ruas e a paixão pelo futebol na cidade argentina.

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Após o sorteio da Conmebol, o Corinthians foi colocado no caminho do Rosario Central nas oitavas de final da Libertadores. Fundado em 1889, o clube é um dos mais tradicionais do futebol argentino e terá o Timão como adversário na noite desta quinta-feira (13), no Gigante de Arroyito.

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Antes do confronto, porém, o Corinthians viveu uma situação curiosa. Na tarde desta quarta-feira (12), a equipe realizou sua última atividade antes da partida no Centro de Treinamento Jorge B. Griffa, no complexo de Bella Vista, em Rosário. O local é a casa do Newell's Old Boys, justamente o maior rival do Rosario Central.

A rivalidade entre os dois clubes atravessa gerações. O Rosario Central foi fundado em 24 de dezembro de 1889, enquanto o Newell's Old Boys nasceu em 3 de novembro de 1903. Os clubes construíram ao longo das décadas uma das rivalidades mais intensas do futebol argentino.

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Uma cidade dividida

Em Rosário, a disputa entre os dois clubes vai muito além dos 90 minutos. A rivalidade também está presente nas ruas. É comum encontrar postes, muros e calçadas pintados nas cores dos dois times.

O vermelho e preto identifica os bairros e espaços ligados ao Newell's, enquanto o azul e amarelo marca a presença do Rosario Central. Durante o deslocamento pela cidade, a reportagem do Lance! ouviu um motorista de aplicativo, torcedor do Newell's, que explicou na frase citada no começo do texto, como a rivalidade está incorporada ao cotidiano dos moradores.

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— Em um clássico, não há meio-termo.

Postes pintados com as cores do Newell's Old Boys pelas ruas de Rosário, na Argentina
Postes pintados com as cores do Newell's Old Boys pelas ruas de Rosário, na Argentina (Foto: Guilherme Lesnok/Lance!)

A intensidade dessa disputa também é destacada pelo jornalista Néstor Manta, da Cadena 3 Rosario, veículo de imprensa na Argentina. Para ele, o fato de Rosário ter apenas dois clubes com protagonismo na elite argentina contribui para aumentar a dimensão do clássico.

— A rivalidade entre Rosario e Newell's Old Boys, obviamente, é de muitos anos, desde a fundação de cada uma das equipes. São clubes bastante contemporâneos; há pouca diferença entre os nascimentos de um e do outro. E a diferença que talvez exista em relação a outras equipes é que, na cidade, são apenas os dois clubes, Newell's e Rosario — explicou ao Lance!.

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— E existe essa rivalidade, que se vê mais refletida na torcida, nas provocações e nas brincadeiras. Mas, como eu digo... em algum momento, há questões que têm a ver com isso, com o efeito da violência, que obviamente nunca se quer, mas isso está acontecendo. É como Corinthians e Palmeiras, uma coisa assim. É uma rivalidade que deveria ficar no campo. Um ganha, o outro perde; um festeja, o outro fica triste. Mas não deveria passar disso — completou.

Ruas de Rosário pintadas com as cores do Rosario Central,
Ruas de Rosário pintadas com as cores do Rosario Central (Foto: Guilherme Lesnok/Lance!)

Como surgiu a rivalidade?

A origem de uma das principais provocações entre os clubes remonta a 1920. Naquele ano, uma comissão do Hospital Carrasco, em Rosário, convidou Newell's Old Boys e Rosario Central para disputar um amistoso cuja renda seria destinada ao combate à hanseníase, doença que na época era conhecida como "lepra".

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O Newell's aceitou o convite, mas o Rosario Central recusou. A decisão provocou a reação dos torcedores do Newell's, que passaram a chamar o rival de "canallas", termo que pode ser traduzido como "canalhas". A resposta veio rapidamente: os torcedores do Newell's passaram a ser chamados de "leprosos".

Os apelidos permanecem até hoje. O Rosario Central é conhecido como "Canalla", enquanto o Newell's carrega a alcunha de "Leproso".

Provocações que atravessam gerações

A história do clássico é recheada de episódios utilizados pelos torcedores para provocar o rival. Um dos mais marcantes aconteceu em 1974, quando o Newell's conquistou seu primeiro Campeonato Argentino justamente diante do Rosario Central.

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O empate por 2 a 2 no Gigante de Arroyito garantiu o título ao Newell's e transformou aquela partida em um dos capítulos mais lembrados da história do futebol de Rosário.

Outro episódio celebrado pelos torcedores do Newell's aconteceu em 8 de março de 1992. Na ocasião, o clube venceu o Rosario Central por 1 a 0 atuando com uma equipe formada majoritariamente por reservas. A vitória deu origem à provocação conhecida como "Día del Padre", em referência ao rival.

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E algumas dessas histórias ainda estão presentes no local onde o Corinthians treinou nesta quarta-feira (12). Logo na entrada do Centro de Entrenamiento Jorge B. Griffa, torcedores do Newell's colaram adesivos com referências a vitórias e provocações direcionadas ao Rosario Central.

Placa com adesivos de provocação do Newell's Old Boys ao Rosario Central
Torcedores do Newell's provocam o Rosario Central com adesivos (Foto: Guilherme Lesnok/Lance!)

Equilíbrio dentro de campo

Apesar de não estarem entre os clubes argentinos com maior número de títulos nacionais, Rosario Central e Newell's construíram um clássico reconhecido pela dimensão e pela intensidade da rivalidade.

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O Rosario Central soma cinco títulos nacionais da primeira divisão, sete copas nacionais e uma conquista internacional, a Copa Conmebol de 1995. O Newell's, por sua vez, possui seis títulos do Campeonato Argentino e três copas nacionais.

No confronto direto, o equilíbrio também é significativo. Em 99 clássicos, o Newell's venceu 21 vezes, houve 42 empates e o Rosario Central ganhou 36 partidas. O Rosario marcou 103 gols, contra 74 do rival.

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É justamente esse cenário que faz o clássico rosarino ser tratado como algo maior do que uma simples disputa esportiva. Em uma cidade dividida entre azul e amarelo e vermelho e preto, cada vitória sobre o rival é transformada em memória, provocação e orgulho.

Nesta quinta-feira (13), porém, a rivalidade será apenas pano de fundo para o Corinthians. O Timão entra em campo diante do Rosario Central pelas oitavas de final da Libertadores, enquanto uma parcela significativa da cidade estará torcendo contra o adversário brasileiro.

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Se o Corinthians terá ao seu lado os milhões de torcedores que acompanham o clube no Brasil, em Rosário também encontrará um aliado improvável. Do outro lado da cidade, entre as cores vermelha e preta do Newell's, haverá quem torça pelo Timão pelo simples prazer de ver o maior rival sofrer.

Antes de se despedir, o motorista de aplicativo resumiu a lógica que move a rivalidade em Rosário: quando o Rosario Central está de um lado, o Newell's está do outro, mesmo que, desta vez, isso signifique apoiar um clube brasileiro.

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"Vamos a eliminar a los canallas!"

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