Corinthians tenta adiar sonho de Di María por título inédito no Rosario Central
Atacante argentino retorna ao clube de infância em busca da conquista que ainda falta na carreira

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Quando a bola rolar para Rosario Central e Corinthians, nesta quinta-feira, no Gigante de Arroyito, pelas oitavas de final da Libertadores, um jogador em especial iniciará uma campanha para levar o clube argentino a um lugar que jamais conseguiu alcançar: a glória eterna.
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Ángel Di María empilhou taças ao longo da carreira. Campeão do mundo com a Argentina e vencedor de títulos na França, na Espanha, na Itália e em Portugal, o atacante agora vive um desafio diferente: conduzir o Rosario Central ao título da Libertadores. Aos 38 anos, o jogador voltou ao clube onde nasceu, foi formado e que sempre esteve presente em seus planos para o fim da carreira.
A relação entre Di María e o Rosario Central ganhou ainda mais força no reencontro entre o ídolo e a torcida. Na apresentação, o atacante foi às lágrimas após o clube exibir um vídeo que relembrava sua infância em Rosario, desde as andanças de bicicleta pela cidade até as idas ao Gigante de Arroyito.
— Fazia anos que Di María falava em retornar, que queria finalizar sua carreira em Rosario, que é o clube onde nasceu, onde fez a base. E, verdadeiramente, isso foi concluído recentemente, há um ano, quando já havia deixado de ser jogador da seleção — explicou Néstor Manta, da Cadena 3 Rosario.
A volta provocou comoção na cidade, principalmente entre os torcedores mais jovens, que não acompanharam a primeira passagem do atacante pelo clube. As imagens de Di María estão espalhadas por Rosario, em outdoors, lojas oficiais, propagandas e, principalmente, nas camisas dos torcedores do Central.
Ameaças antes do retorno
O caminho até o reencontro com o clube, porém, foi marcado por meses de tensão e medo. Antes de aceitar o retorno ao Rosario Central, Di María e sua família foram alvos de ameaças graves, que fizeram o jogador hesitar sobre a possibilidade de voltar à cidade.
— Houve uma ameaça no bairro dos meus pais que foi noticiada em todos os lugares e, simultaneamente, houve outra ameaça na imobiliária da minha irmã que ninguém ficou sabendo porque ela e meu cunhado se assustaram e não denunciaram — contou Di María.
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Segundo o atacante, uma caixa com uma cabeça de porco e uma bala de revólver foi deixada no local. A mensagem fazia uma ameaça direta à sua filha, Pia, caso ele retornasse ao Rosario Central. "Se eu voltasse ao Rosario Central, a próxima cabeça seria da minha filha", relatou.
As ameaças não pararam ali. Pouco tempo depois, tiros foram disparados contra um posto de gasolina. Para Di María, o episódio mostrou que não se tratava apenas de intimidações, mas de situações que poderiam ter terminado em tragédia.
— Depois, mais uma ameaça no posto de gasolina com tiros, que aconteceu há pouco tempo. Poderiam ter matado qualquer funcionário ou pessoa que estivesse ali, uma loucura. Creio que foram muitas coisas que me fizeram tomar esta decisão. Não são apenas 'cartinhas', houve tiros e coisas graves — afirmou.
O cenário fez com que o sonho de voltar ao clube se transformasse em uma espera dolorosa para Di María e sua família.
— Só de ver o nome da minha filha em um cartaz e que mandem uma caixa com o que mandaram já superava qualquer coisa que eu poderia fazer. Foram meses horríveis. Nós apenas pensávamos e chorávamos todas as noites por não poder cumprir o sonho (de voltar ao Rosario Central) — completou.

Di María pelo Rosario Central
A segunda passagem pelo clube mostra que, apesar da idade, Di María ainda é decisivo. Em 41 partidas, sendo 38 como titular, o atacante marcou 14 gols e deu oito assistências. São 2,6 passes decisivos e 0,5 grandes chances criadas por jogo, além de 1,8 drible certo por partida. A nota média no Sofascore é de 7,46.
Somando as duas passagens pelo Rosario Central, Di María disputou 80 partidas, foi titular em 57 delas, marcou 20 gols e deu sete assistências.
— Sem dúvida, essa é a cota de qualidade que a equipe tem hoje, apesar da idade, que obviamente já não tem a mesma explosão de alguns anos atrás. Mas realmente tem muita qualidade — avaliou Manta.

O sonho do título da Libertadores
A contratação de Di María passa diretamente pelo sonho do Rosario Central de conquistar a Libertadores. O clube argentino jamais levantou a taça e tem como melhores campanhas duas semifinais, em 1975 e 2001.
Em competições internacionais, o principal título da história do Rosario Central é a Copa Conmebol de 1995, torneio que antecedeu a atual Copa Sul-Americana. A Libertadores, portanto, representa a grande conquista que ainda falta na galeria do clube.
É nesse cenário que o Corinthians aparece como o próximo obstáculo. Contra o clube brasileiro, Di María tentará superar mais um desafio de uma carreira repleta de conquistas, mas que agora ganhou um objetivo particular: transformar o sonho de infância em uma história inédita para o Rosario Central.
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