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Quem foi maior pela Argentina, Messi ou Maradona?

Messi e Maradona construíram legados distintos com a camisa da Albiceleste

PorFábia Anselmo Pessoa•Rio de Janeiro (RJ)
06/10/2026 07:40

Supervisionado porLeonardo Damico,
Messi e Maradona lado a lado
Messi e Maradona juntos na Copa do Mundo de 2010 (Foto: Reprodução/ Instagram)

Messi encerra sua carreira na Seleção Argentina nesta terça-feira (6), contra o Benim, às 20h (de Brasília), no Monumental de Núñez, em Buenos Aires. O camisa 10 e capitão da Albiceleste se despede após 207 jogos, chegando a 208 com sua última partida, com a mesma pergunta que pairou sobre o craque desde que assumiu o protagonismo deixado por Maradona. Afinal, quem é maior: Messi ou Maradona?

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Diego Maradona teve uma carreira como jogador completa, com passagem por seis clubes: Argentinos Juniors, Boca Juniors, Barcelona, Napoli, Sevilla e Newell's Old Boys, além da Seleção Argentina. Com a camisa da Albiceleste, Diego disputou 91 jogos e marcou 34 gols, além de disputar quatro Copas do Mundo: 1982, 1986, 1990 e 1994. O título veio em 1986, quando ficou marcado pela 'Mão de Deus' e pelo 'Gol do Século'.

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Argentina bicampeã e 'La Mano de Dios'

Após a Copa do Mundo da Espanha, em 1982, Diego já havia demonstrado os primeiros lampejos de uma qualidade acima da média e mostrado que poderia ser a principal figura da Argentina. No México, em 1986, Maradona esteve no auge do seu talento e foi o principal jogador da campanha que levou a Argentina ao título mundial.

Nas quartas de final da Copa do Mundo de 1986, Maradona protagonizou uma das partidas que atravessaram gerações e ajudaram a eternizar sua carreira. O camisa 10 ficou marcado pelos dois gols mais famosos de sua trajetória: a 'Mão de Deus' e o chamado 'Gol do Século'.

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Maradona durante o gol de mão, em 1986, ano do bicampeonato da Argentina
Maradona durante o gol de mão, em 1986, ano do bicampeonato da Argentina (Foto: Reprodução)

O peso do confronto estava diretamente ligado à Guerra das Malvinas, à rivalidade histórica, travada em 1982 entre Argentina e Reino Unido pelo controle das ilhas localizadas no Atlântico Sul. O conflito durou pouco mais de dois meses, terminou com a vitória britânica e deixou centenas de mortos, além de profundas cicatrizes na sociedade argentina.

O primeiro gol nasceu de um toque de mão de Maradona sobre o goleiro Peter Shilton. O segundo veio poucos minutos depois, quando o camisa 10 arrancou do meio-campo, driblou cinco ingleses e marcou um dos gols mais bonitos da história das Copas. Aos 36 minutos do segundo tempo, Gary Lineker diminuiu para a Inglaterra, que buscou uma pressão nos minutos finais.

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Por isso, para os argentinos, aquele confronto ganhou um significado que ultrapassava o campo esportivo; a partida se tornou uma revanche simbólica diante dos ingleses, com Maradona como grande protagonista dessa história.

Maradona em ação contra a Inglaterra na Copa do Mundo de 1986
Maradona em ação contra a Inglaterra na Copa do Mundo de 1986 (Foto: Acervo Lance!)

O triunfo também marcou uma mudança de patamar para a Argentina naquela Copa. Depois de Maradona decidir o duelo com dois gols históricos, a seleção avançou às semifinais e voltou a contar com o camisa 10 para superar a Bélgica por 2 a 0. Na decisão, contra a Alemanha Ocidental, os argentinos venceram por 3 a 2 no Estádio Azteca e levantaram a taça, conquistando o segundo título mundial da história do país.

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Lionel Messi e a linha do tempo com a Albiceleste

Na história, Lionel Messi disputou 207 jogos com a Seleção Argentina e chega a 208 com sua última partida. É o líder disparado em gols, com 125 marcados, 70 a mais que o segundo colocado, Gabriel Batistuta, com 55 gols. Em assistências, ele tem mais do que o dobro de passes para gol do que o segundo colocado: Messi tem 68, enquanto Di María tem 32.

Além disso, o camisa 10 é o único jogador do país a disputar seis Copas do Mundo. Em comparação, Diego disputou quatro. Messi também é o artilheiro da Argentina na competição, com 21 gols nas edições em que participou; Maradona tem oito.

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Em contrapartida, Lionel Messi teve um começo conturbado com a camisa da Albiceleste. Em sua estreia pela seleção principal, contra a Hungria, em 2005, Messi recebeu cartão vermelho apenas 43 segundos depois de entrar. No entanto, com apenas 19 anos, foi convocado para defender a Argentina na Copa do Mundo de 2006, em que era reserva da seleção e estreou apenas na segunda partida da fase de grupos. Mesmo com poucos minutos, o craque já balançou as redes na goleada por 6 a 0 sobre a Sérvia e Montenegro.

Messi comemora seu primeiro gol, sobre a Sérvia em 2006
Messi comemora seu primeiro gol, sobre a Sérvia em 2006 (Foto: Laurence Griffiths/Reprodução)

Na partida seguinte, contra a Holanda, Messi foi titular, mas não teve o desempenho esperado. O camisa 19 voltou ao banco para as oitavas de final contra o México e entrou no segundo tempo para ajudar na vitória por 2 a 1. Sem entrar em campo, o craque assistiu à Argentina ser eliminada nos pênaltis após empatar com a Alemanha no tempo normal em 1 a 1.

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Entre 2014 e 2016, veio o período mais doloroso: a Argentina perdeu três finais consecutivas: a Copa do Mundo de 2014 e as Copas América de 2015 e 2016. Após perder um pênalti na decisão da Copa América Centenário, Messi anunciou sua aposentadoria da seleção.

2010

Em 2010, Messi já era uma das principais estrelas do Barcelona e havia conquistado a Bola de Ouro no ano anterior. Por isso, chegou à Copa do Mundo da África do Sul cercado de expectativas e apontado como o grande nome da Argentina. Dentro de campo, porém, o desempenho não correspondeu ao status. O atacante terminou o Mundial sem balançar as redes e viu a seleção argentina ser eliminada nas quartas de final, após a goleada por 4 a 0 para a Alemanha.

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Maradona consolando Messi na Copa do Mundo 2010
Maradona consolando Messi na Copa do Mundo 2010 (Foto: Reprodução)

2014

Já estabelecido entre os maiores nomes do futebol mundial, Messi chegou à Copa do Mundo de 2014, no Brasil, carregando quatro Bolas de Ouro e a responsabilidade de liderar a Argentina. O craque correspondeu às expectativas, especialmente na fase de grupos, quando marcou quatro gols: um diante da Bósnia, um contra o Irã e dois na vitória sobre a Nigéria. Com atuações decisivas, conduziu a seleção argentina até a final do Mundial. No entanto, mais uma vez, a Alemanha apareceu no caminho de Messi. Em uma partida equilibrada, os alemães venceram por 1 a 0 na prorrogação, com gol de Mario Gotze, e ficaram com o título.

2018

Já com 31 anos, Messi chegou em 2018 para tirar o gosto amargo do vice-campeonato de 2014. Mas o início da Argentina na Copa do Mundo da Rússia foi desastroso. O time comandado pelo camisa 10 estreou com um empate contra a Islândia e, na sequência, sofreu uma derrota por 3 a 0 para a Croácia, que viria a ser segunda colocada naquele Mundial. A Argentina até conseguiu avançar para as oitavas de final da Copa do Mundo de 2018, mas enfrentou logo a favorita França e foi derrotada por 4 a 3 pelos europeus, com grande atuação de Mbappé. Messi, então, terminou a competição com apenas um gol marcado contra a Nigéria, na primeira fase.

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A virada definitiva aconteceu em 2021, quando a Argentina venceu o Brasil no Maracanã e conquistou a Copa América. Um ano depois veio o momento máximo: Messi marcou duas vezes contra a França na final da Copa do Mundo de 2022 e finalmente levantou o troféu que faltava.

Messi após partida contra a França, em 2018, pela Copa do Mundo
Messi após partida contra a França, em 2018, pela Copa do Mundo (Foto: Reprodução)

Messi em 2022

A Copa do Mundo de 2022 representava, para Messi, a última grande oportunidade de conquistar o título que ainda faltava em sua carreira. Aos 35 anos, o argentino chegava ao Mundial depois de ter encerrado o longo jejum de títulos com a Seleção na Copa América de 2021 e já carregava outro peso: pela primeira vez, a Argentina tinha uma equipe consolidada ao seu redor e chegava ao torneio como uma das favoritas.

Messi observa troféu da Copa do Mundo conquistada em 2022
Messi observa troféu da Copa do Mundo conquistada em 2022 (Foto: Kirill KUDRYAVTSEV / AFP)

A estreia, porém, foi um choque. A Argentina perdeu de virada para a Arábia Saudita por 2 a 1 e colocou em risco uma campanha que começava cercada de expectativas. Messi marcou o gol argentino naquela partida, mas a derrota obrigou a equipe a vencer o México e a Polônia para avançar às oitavas de final. Contra os mexicanos, o camisa 10 voltou a aparecer e abriu o caminho para a vitória por 2 a 0. Na rodada seguinte, diante da Polônia, a Argentina venceu por 2 a 0 e terminou na liderança do grupo.

A partir do mata-mata, Messi passou a ser ainda mais decisivo. Nas oitavas de final, marcou na vitória por 2 a 1 sobre a Austrália. Nas quartas, diante da Holanda, participou dos dois gols argentinos: deu a assistência para Molina abrir o placar e marcou de pênalti no segundo. A partida terminou empatada em 2 a 2 e foi decidida nos pênaltis, com a Argentina avançando para a semifinal.

Contra a Croácia, Messi teve uma de suas atuações mais marcantes no Mundial. O camisa 10 abriu o placar de pênalti e, no segundo tempo, protagonizou uma das jogadas mais lembradas daquela Copa. Aos 39 anos, o argentino recebeu pela direita, deixou Gvardiol para trás com uma mudança de direção e cruzou para Julián Álvarez marcar. A Argentina venceu por 3 a 0 e Messi chegou à sua segunda final de Copa do Mundo, oito anos depois da derrota para a Alemanha em 2014.

Messi levantando trófeu da Copa do Mundo em 2022
Messi levantando trófeu da Copa do Mundo em 2022 (Foto: Franck Fife/AFP)

A decisão contra a França se transformou em uma das maiores finais da história dos Mundiais. Messi abriu o placar de pênalti e viu Di María ampliar ainda no primeiro tempo. A Argentina parecia ter o controle da partida, mas Mbappé marcou duas vezes em poucos minutos e levou a decisão para a prorrogação. Messi voltou a colocar a Argentina na frente, mas Mbappé completou seu hat-trick e deixou tudo igual novamente. O empate por 3 a 3 levou a final para os pênaltis.

Nas cobranças, a Argentina venceu por 4 a 2 e conquistou o tricampeonato mundial. Messi marcou sua cobrança e, depois de duas tentativas frustradas em finais anteriores, finalmente levantou a Copa do Mundo. O camisa 10 terminou o torneio com sete gols e três assistências, participou diretamente de dez gols e foi eleito o melhor jogador da competição, conquistando a Bola de Ouro do Mundial.

Messi em 2026

Em 2026, Messi voltou a ser decisivo por uma Argentina que, anos antes, ainda questionava seu peso com a camisa da Seleção. Depois dos títulos da Copa América de 2021 e da Copa do Mundo de 2022, o craque já havia conquistado a confiança que durante tanto tempo lhe foi cobrada. Aos 39 anos, já sem depender da mesma explosão física dos primeiros anos de carreira, passou a controlar os jogos de outra maneira, usando a leitura tática, o posicionamento e a inteligência para encontrar espaços e decidir as partidas.

Na campanha do Mundial, Messi terminou com oito gols e quatro assistências, participando diretamente de 12 gols da Argentina. Também marcou duas vezes de fora da área e alcançou um feito inédito: deu assistências em seis edições diferentes da Copa do Mundo. Capitão da Argentina em três finais de Mundial, em 2014, 2022 e 2026, chegou a 21 gols e 12 assistências em 34 partidas pela competição, além de conquistar duas Bolas de Ouro da Copa.

Lionel Messi, da Argentina, comemora o segundo gol da equipe, marcado por Lautaro Martínez, durante a partida da semifinal da Copa do Mundo da FIFA 2026 entre Inglaterra e Argentina
Lionel Messi, da Argentina, comemora o segundo gol da equipe, marcado por Lautaro Martínez, durante a partida da semifinal da Copa do Mundo da FIFA 2026 entre Inglaterra e Argentina (Foto: Shaun Botterill / AFP)

Aos 39 anos, Messi não precisava mais ser o jogador que corria mais ou que dependia da velocidade para desequilibrar. Sua importância estava também na capacidade de entender o jogo antes dos outros, encontrar o passe decisivo e aparecer no momento certo. Depois de conquistar os títulos que durante anos foram usados para questionar seu legado na Argentina, chegou à Copa de 2026 com outro status: o de um jogador que já havia provado seu valor e continuava encontrando maneiras de decidir.

Apesar disso, a campanha terminou com mais um vice-campeonato para Messi e a Argentina. Na decisão, diante de uma Espanha repleta de jovens talentos e jogadores do Barcelona, clube que fez parte de mais da metade da trajetória profissional do argentino, a Seleção foi derrotada por 1 a 0, com gol de Ferrán Torres. O resultado marcou o fim da caminhada de Messi com a camisa argentina e abriu espaço para a despedida do craque da seleção.

Messi chora após derrota da Argentina para a Espanha na Copa do Mundo
Messi chora após derrota da Argentina para a Espanha na Copa do Mundo (Foto: Paul Ellis/AFP)

Então, quem é maior?

Se os números fossem suficientes para definir quem foi o maior jogador da história, o debate já teria terminado. Messi tem mais Bolas de Ouro, conquistou os principais títulos possíveis por clubes e pela Argentina, incluindo a Copa América e a Copa do Mundo, além de acumular recordes de gols e assistências. Maradona, porém, construiu uma relação diferente com o povo argentino. Sua origem humilde, a personalidade forte, a irreverência e a disposição para enfrentar autoridades fizeram com que ele se tornasse mais do que um jogador virou um símbolo do país e de uma geração.

Messi seguiu outro caminho, mais reservado fora de campo e pouco interessado em declarações políticas, construiu sua imagem principalmente pelo que fez dentro das quatro linhas. Durante anos, essa postura também foi usada para diferenciá-lo de Maradona. Enquanto Diego tinha uma presença pública marcante e se posicionava sobre assuntos que ultrapassavam o futebol, Messi manteve o foco na carreira esportiva. Por isso, mesmo com números e títulos superiores em diversos aspectos, o argentino precisou construir, ao longo dos anos, uma identificação com a torcida que Maradona já havia estabelecido.

Messi e Maradona juntos na Copa do Mundo da África do Sul, em 2010
Messi e Maradona juntos na Copa do Mundo da África do Sul, em 2010 (Foto: Arquivo LANCE!)

Então, quem é maior? A resposta depende do peso dado a cada critério. Em números, longevidade e conquistas, Messi leva vantagem e, com a Copa do Mundo de 2022, também alcançou o principal título que faltava em sua trajetória. Maradona, por outro lado, ainda tem um peso histórico e emocional único para os argentinos, principalmente pela conquista de 1986 e pela forma como se tornou símbolo de um país.

Se a comparação for feita pelo desempenho e pela carreira completa, Messi tem os argumentos mais fortes. Se entrar na conta a influência, a personalidade e a relação construída com a Argentina, Maradona continua tendo motivos para ser colocado acima. É justamente por isso que, mesmo depois de Messi ter conquistado tudo, a pergunta permanece: afinal, quem foi maior?

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