Rodrigo Bellão evita projeções e define foco do Botafogo: 'Ganhar'
Técnico reconheceu momento turbulento do Alvinegro e explicou mudanças feitas na derrota para o Flamengo

O Botafogo perdeu por 3 a 0 para o Flamengo, neste domingo (30), no Maracanã, pela 25ª rodada do Campeonato Brasileiro. Após o clássico, o técnico Rodrigo Bellão reconheceu o momento difícil vivido pelo Alvinegro, que somou apenas um ponto nos últimos 12 disputados, mas evitou projetar metas para a sequência da competição. Para o treinador, a prioridade é recuperar os resultados.
— Eu acredito muito que o Botafogo, enquanto estiver aqui, a gente vai entrar para vencer partidas. Eu penso sempre um passo de cada vez, eu não sou uma pessoa de fazer projeções. Eu penso no que eu posso resolver. O problema que eu tenho, eu preciso resolver. Então, se no momento a gente está precisando de vitórias, o meu foco é tentar fazer, porque a gente está criando, está produzindo, mas não está ganhando.
Bellão afirmou que a definição sobre objetivos como Libertadores, Sul-Americana ou permanência cabe à diretoria. O treinador, por sua vez, prefere concentrar a preparação no próximo compromisso e destacou a dificuldade da sequência, que ainda terá confrontos contra equipes que brigam na parte de cima da tabela.
— E o meu foco vai ser, tem sido e vai continuar sendo ganhar. Buscar melhoria para ganhar, algum ajuste para ganhar. Eu não me preocupo com uma projeção futura ou não. Para mim é ganhar o jogo. Então o próximo trabalho que a gente vai fazer é ganhar o próximo jogo, eu vou trabalhar para isso e, na sequência, a mesma coisa. Aí cabe talvez à diretoria responder quais são as pretensões do clube.

Estratégia para conter o Flamengo
O treinador também explicou a formação utilizada no primeiro tempo. O Botafogo começou com uma linha de cinco e três meio-campistas, buscando fechar o corredor central e impedir a construção do Flamengo por dentro. Segundo Bellão, a estratégia funcionou durante boa parte da etapa inicial, mas a equipe perdeu capacidade de manter a posse perto do intervalo.
— A gente tinha uma estratégia de poder controlar o jogo fechando o corredor central. Isso era muito importante pela qualidade de jogo que o Flamengo proporciona e desestabiliza muito os adversários conseguindo construir por dentro. Então a gente conseguiu entrar num 5-3-2 e, com essa linha de cinco e os três meio-campistas, fechamos o corredor central por boa parte do primeiro tempo.
Na segunda etapa, o Botafogo tentou aumentar a profundidade com Danilo Pereira e manter dois jogadores por dentro para criar superioridade pelos lados. Bellão explicou que a ideia era explorar as costas dos laterais do Flamengo sem deixar um ponta e um lateral ocupando o mesmo espaço.
— Eu optei por colocar o Danilo Pereira para a gente conseguir ter mais profundidade, por ter um jogador que faz muita ruptura, tem muita mobilidade, e vir com o segundo atacante. Eu optei não por um ponta, eu optei manter um centroavante e um segundo atacante por dentro.

Rotatividade no elenco
Bellão também defendeu a alternância nas escalações desde que assumiu o Botafogo. O técnico explicou que a sequência de jogos e a necessidade de conhecer melhor jogadores que chegaram recentemente influenciam nas escolhas, além das características de cada adversário.
— A gente tem uma semana cheia, consegue ajustar situações, trabalhar melhor e respirar mais no nosso trabalho. E todas as três partidas eu fui variando as escalações. Eu acho que todo mundo está tendo oportunidade. Alguns jogadores chegaram mais recentes e eu estou precisando de tempo para conhecê-los melhor, para entender como usá-los melhor.
Para o treinador, a rotação também é uma consequência do calendário com três competições e faz parte da tentativa de potencializar diferentes características do elenco.

Botafogo busca mais efetividade
Apesar da derrota, Bellão afirmou que o Botafogo vem criando oportunidades e apontou a necessidade de melhorar a efetividade, especialmente nas jogadas pelos lados. O treinador ressaltou que esse é um aspecto trabalhado internamente pela comissão técnica.
— Acho que é uma questão geral de comportamento da nossa equipe de trabalhar pelos lados. Acho que a gente precisa de mais efetividade. É uma questão que a gente está trabalhando para que isso aconteça.
Na avaliação de Bellão, o momento negativo não significa perda de qualidade no trabalho. O técnico afirmou que a equipe ainda apresenta empenho e capacidade, mas precisa transformar esse desempenho em pontos na tabela.
— Essa oscilação pode estar acontecendo, mas a gente não está deixando de ter habilidade, de ter empenho. A gente entende essa situação, essa situação ruim e difícil.

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