Sheilla apoia Tifanny após já criticar participação de atletas trans
Bicampeã olímpica se solidarizou com Tifanny após nova regra da CBV, embora tenha sido contrária à participação da atleta na Superliga em 2018

A bicampeã olímpica Sheilla Castro manifestou apoio a Tifanny Abreu após a nova política da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) impedir a participação de atletas trans nas competições femininas. A declaração, porém, contrasta com o posicionamento adotado pela ex-jogadora em 2018, quando se mostrou contrária à presença de Tifanny na Superliga Feminina e apontou uma possível vantagem física sobre atletas cisgênero.
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A nova diretriz restringe a participação no naipe feminino a atletas do sexo biológico feminino. Com a mudança, Tifanny, jogadora do Osasco, fica impedida de disputar competições organizadas sob a nova regulamentação.
Ex-oposta, bicampeã olímpica e ex-capitã da seleção brasileira, Sheilla destacou a importância de olhar para Tifanny além da condição de atleta e das discussões sobre regras e elegibilidade.
— Tenho acompanhado tudo o que aconteceu nos últimos dias com a Tifanny. Ela construiu sua carreira no voleibol brasileiro cumprindo os critérios estabelecidos pelas próprias entidades esportivas e agora está vivendo um momento que impacta diretamente sua carreira e sua vida. No meio de tantas opiniões, discussões e julgamentos, acho importante não esquecer de quem está vivendo tudo isso. Porque tem horas em que, para além da discussão sobre regras e elegibilidade, precisamos olhar para a pessoa. Para a Tifanny. Para a atleta que construiu sua história dentro das quadras. Hoje eu só quero deixar aqui meu respeito, meu carinho e meu apoio a ela.

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Sheilla já foi contra participação de Tifanny
A manifestação recente da ex-jogadora chama atenção por um posicionamento adotado por Sheilla em 2018. Na época, a bicampeã olímpica declarou ser contrária à participação de atletas trans na Superliga Feminina e citou especificamente o caso de Tifanny.
Em entrevista ao podcast Dibradoras, Sheilla afirmou que havia mudado de opinião após conversar com médicos e buscar mais informações sobre o debate envolvendo possíveis diferenças físicas entre atletas trans e cisgênero.
— Eu sou contra, depois de ter lido o que ele escreveu, depois de ter falado com outros médicos. Ela [Tifanny] tem ainda corpo de homem por mais que os hormônios estejam agora compatíveis, tem formação de corpo de homem.
Na mesma entrevista, Sheilla argumentou que o desenvolvimento muscular, ósseo e cardiopulmonar de Tifanny poderia representar uma vantagem física em relação às demais atletas. A ex-jogadora também foi criticada pelo uso incorreto de pronomes e por outras declarações feitas durante a conversa.
Após a repercussão, Sheilla se pronunciou nas redes sociais para explicar sua mudança de posicionamento. Segundo ela, inicialmente era favorável à participação de Tifanny na Superliga Feminina, mas passou a defender outra posição após buscar informações e ouvir opiniões de médicos sobre a questão.
— Depois, após ler a opinião de médicos, vi outro lado da história, que está na vantagem física que a Tifanny leva sobre as demais jogadoras, mesmo hoje controlando os hormônios. Então, me reposicionei. Disse que sou contra.
Mesmo defendendo, naquele momento, uma posição contrária à participação de atletas trans na categoria feminina, Sheilla afirmou que seria necessário encontrar soluções para evitar a exclusão. Em sua manifestação publicada neste domingo, a bicampeã olímpica não voltou a discutir as regras de elegibilidade. Desta vez, concentrou sua mensagem no impacto que a nova política da CBV terá sobre a carreira e a vida de Tifanny.
O que muda com a nova política da CBV
A CBV anunciou na sexta-feira (14) a adoção de novos critérios para a participação de atletas transgêneros em suas competições. Entre as exigências está a realização de uma triagem genética para identificar a presença do gene SRY, relacionado ao desenvolvimento sexual masculino.
Segundo a entidade, a recusa em realizar o procedimento não será considerada uma infração disciplinar. No entanto, a atleta que não apresentar a comprovação dos requisitos previstos na nova política ficará impedida de disputar as competições em que a regulamentação estiver em vigor.
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