Zé tenta transformar 'luto em luta' e confia na permanência de veteranas
Tricampeão olímpico confirma que seguirá no comando da equipe feminina por mais um ciclo e não descarta a revisão dos planos de Sheilla e Fabiana, que se despediram no Rio

O tricampeão olímpico José Roberto Guimarães tenta apagar aos poucos a tristeza pela derrota na Rio-2016 e já olha para Tóquio-2020. Nesta sexta-feira, ele confirmou que seguirá no comando da Seleção Brasileira feminina de vôlei por mais um ciclo olímpico e disse confiar na permanência da oposto Sheilla e da central Fabiana, que anunciaram a aposentadoria da equipe após a eliminação para a China nas quartas de final.
- Uma transição é sempre difícil. Ainda não estou muito convencido de que algumas jogadoras não possam vir a jogar mais pela Seleção. Até porque, são jovens de idade e privilegiadas no físico. Prestaram serviços muito importantes, como Sheilla e Fabiana. Elas têm bola para continuar. Temos de respeitar esse tempo, porque elas têm outros sonhos. Ainda não conversamos após os Jogos. Elas já tinham pensado em deixar a Seleção após o Mundial de 2014, mas seguiram para os Jogos Olímpicos. Sempre se dispuseram a fazer sacrifícios - disse o treinador, em entrevista coletiva no Rio de Janeiro.
Zé acredita que precisará contar com nomes experientes para promover a renovação do grupo. O processo promete, na avaliação do comandante. Ele mostrou otimismo sobre as atletas das categorias de base do time brasileiro. A viagem ao Rio também serviu para que o treinador analisasse o andamento dos treinos da equipe Sub 19, em Saquarema. Desde o ano passado, ele acompanha mais de perto nomes que possam vir a ser aproveitados no futuro.
- Eu ainda não me via fora da CBV e do vôlei brasileiro. Estamos completando 13 anos à frente da Seleção, agora também acompanhando as Seleções de base. Ontem, eu estava em Saquarema, onde a equipe Sub 19 está treinando para o Sul-Americano. Está tudo caminhando bem, temos jogadoras jovens aparecendo. Temos um futuro promissor pela frente - avaliou o técnico.
Apesar do sorriso no rosto em diversos momentos, Zé Roberto não escondeu o desapontamento com a eliminação precoce na Olimpíada, que persiste até hoje. Ele não sabe quando conseguirá superar a frustração. O que o conforta é a certeza de que o sentimento é compartilhado com as 12 jogadoras e demais membros da comissão técnica presentes no Maracanãzinho.
- Não consegui sair de casa, não consegui viajar. Ainda estou muito triste. Mas o luto tem de passar a ser luta. Foi um período complicado. Faz parte da derrota. Temos de tentar assimilar o golpe da melhor forma possível. Não sei quando vai passar. Só conversei com a Fernanda Garay depois, e vi no olhar esse sentimento. Ficou uma tristeza grande. Elas queriam entregar um resultado diferente do que foi entregue - afirmou o comandante.

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