Logo do Lance! branca com exclamação amarela

Exclusivo: Zé Roberto aponta substituto ideal para Seleção em 2028

Em entrevista ao Lance!, tricampeão olímpico planeja transição de comando após os Jogos de Los Angeles e aponta Paulo Coco para o cargo

PorDavi Caldas•São Paulo (SP)
13/10/2026 16:30

Supervisionado porThiago Fernandes,
Zé Roberto joga a bola para o alto em treino da Seleção feminina de vôlei no Maracanãzinho antes do Sul-Americano
Zé Roberto em treino da Seleção antes do Sul-Americano de vôlei (Foto: Mauricio Val/FV Imagem/CBV)

"Tudo tem começo, meio e fim." Foi com essa premissa que José Roberto Guimarães definiu o encerramento da sua vitoriosa trajetória à frente da Seleção Brasileira feminina de vôlei, após as Olimpíadas de Los Angeles 2028. Em entrevista exclusiva ao Lance!, o técnico admite a dor de planejar a despedida do cargo, mas garante que a decisão de abrir espaço para uma nova liderança é necessária.

"Era um sonho de criança e uma das coisas que eu mais gosto na vida é de representar o meu país. Eu sinto orgulho disso, e quando você deixa tudo para trás, é um sentimento difícil", explicou o tricampeão olímpico. Zé Roberto comenta que vai sentir falta da adrenalina da profissão e de viver momentos que presenciou durante os anos, como ganhar medalhas, escutar o hino nacional e criar memórias emocionantes fora do Brasil.

continua após a publicidade

Indicação para o comando da Seleção

Contudo, o treinador trata o momento como uma sucessão de legado. Para Guimarães, uma nova pessoa também ter a oportunidade de levar o Brasil ao lugar mais alto do pódio, como ele mesmo teve e aproveitou, é essencial para a continuidade do projeto. Com essa visão, o ex-jogador entende que o melhor nome possível para comandar a Seleção após sua saída é Paulo Coco, seu auxiliar.

— Gostaria de participar da escolha, porque eu tenho visto, convivido e acompanhado o trabalho de vários treinadores. Lógico que a confederação é que vai ter a decisão final, mas eu tenho certeza de que eles também vão pedir a minha opinião — afirmou Zé Roberto.

Na sua visão, Paulo Coco, carinhosamente apelidado de "Paulinho" na entrevista, merece a chance, principalmente pelo quanto ajudou o Brasil a conquistar os pódios que tem conquistado nos últimos anos. "Ele tem trabalhado comigo há muitos anos e está cada vez melhor", complementou. Nos Estados Unidos, o assistente assumiu a função principal da comissão técnica no LOVB Miami, trabalho elogiado por Zé Roberto.

continua após a publicidade
Paulo Coco ergue o braço esquerdo como gesto de orientação durante jogo da Seleção Brasileira feminina de vôlei nos Jogos Pan-Americanos 2023
Assistente técnico de José Roberto Guimarães, Paulo Coco treinou a Seleção Brasileira nos Jogos Pan-Americanos de 2023 (Foto: Miriam Jeske/COB)

Legado e futuro de Zé Roberto Guimarães

Na Seleção Brasileira feminina de vôlei desde 2003, o treinador afirma que faz parte da construção de uma grande história, que vai desde seus antecessores até os futuros sucessores. Conquistou a medalha de ouro nas Olimpíadas de Beijing 2008 e Londres 2012; antes disso, já havia vencido os Jogos de Barcelona 1992 com a equipe masculina.

Mesmo com um currículo gabaritado, Zé Roberto mostra uma certa humildade ao explicar que sempre está adquirindo mais conhecimento: "Eu participei de várias gerações e aprendi sempre com todas elas." Ele entende que a manutenção do legado que será deixado é importante para o país não perder a cultura que criou no esporte, sempre com adaptações, melhorias e inovações implementadas ao longo dos anos.

continua após a publicidade

Mesmo com a mudança, Guimarães não pretende sair do mundo esportivo. "O esporte sempre foi a minha vida, desde que eu me conheci por gente", explicou. No início, ganhou uma camisa de futebol e começou a jogar bola. Aos 12 ou 13 (como se recorda), conheceu o vôlei, mesmo mantendo uma vontade de se tornar "jogador de futebol". Depois, na hora de escolher uma profissão, seria médico ou engenheiro se fosse seguir as vontades de seus pais, mas optou por ser professor de educação física.

— Quando eu tomei essa decisão em casa, foi uma loucura, porque não era uma profissão adequada para ganhar dinheiro, mas isso não era o que eu pensava. Eu pensava em aprender, ensinar pessoas a praticar esporte — comentou.

Passou por diferentes esportes, ensinando desde ginástica e natação até handebol e atletismo. Quando começou a pensar em virar treinador, já se classificava como "professor de alma". "Isso para mim sempre foi muito forte. Gosto de estar na quadra; minha vida inteira passei dentro de uma quadra. Então eu me vejo ainda dentro do esporte, ajudando principalmente o projeto de Barueri, do qual eu sou gestor juntamente com a minha família. Eu acho que é um projeto que tem ajudado muito o voleibol brasileiro", complementou.

continua após a publicidade

Apesar de ter citado o projeto de vôlei, Zé Roberto não se limita ao esporte que tanto fez história. O técnico afirma que "nunca se fechou a nada" e está aberto a ajudar, com ideias e experiências, "tudo que é esporte e está ligado à organização e ao desenvolvimento".

— Se eu puder ajudar em algum sentido, principalmente no meu país, com certeza estou sempre à disposição. Colaborar no que vi fora do Brasil, no que consegui absorver de conhecimento — concluiu.

Sugerida para você!

Mais LANCE!