Com pausa de Macris, Zé Roberto busca opções na Seleção B
Em entrevista exclusiva ao Lance!, técnico detalha importância da equipe alternativa, planejamento para a VNL e uso de tecnologia nos treinos
Com o ciclo para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028 em andamento, o técnico José Roberto Guimarães lida com constantes desafios para a escolha do elenco da Seleção Brasileira feminina de vôlei. Diante da pausa na carreira da levantadora Macris por conta da gravidez, o treinador acionou o radar para novas opções na posição e destacou o papel estratégico da Seleção B e da Liga das Nações (VNL) como laboratório para rodar o grupo.
— A situação da Macris ainda é muito recente. Tem que esperar e aguardar para ver, mas temos que ter uma atenção grande nessas levantadoras que têm possibilidade de servir à Seleção — explicou Zé Roberto em entrevista exclusiva ao Lance!.
O tricampeão olímpico esclareceu que, quando se trata de Seleção, os treinadores nunca podem estar fechados a novas opções de atletas. Dentro desse contexto, Guimarães exaltou a importância da Seleção B para testar atletas e descobrir novos talentos para o time principal.
Seleção B com papel fundamental no ciclo
Como exemplo prático dessa integração, o técnico relembrou a convocação de Sabrina e Vivian, que se destacaram no grupo alternativo e ganharam espaço no time principal durante a disputa do Sul-Americano. Para Zé Roberto, vestir a camisa do Brasil gera responsabilidades, cobranças e vivências que a Superliga ou qualquer outra competição de clubes não consegue reter.
— Uma das melhores coisas que a gente fez nesses últimos anos foi a Seleção B. Gera algumas críticas de que ela não vai participar de tantos campeonatos ou não vai ser tão útil. Ao contrário, é uma maneira que encontramos de ter essas jogadoras mais próximas da gente e da Seleção A — explicou.
A tática foi uma forma inteligente de conseguir trabalhar com mais atletas. Zé Roberto explicou que não é possível analisar o desempenho de 30 ou mais jogadoras em um mesmo treino, já que cada uma teria poucos toques na bola durante os exercícios. Ao invés disso, identifica como mais adequado trabalhar com um número mais próximo de 16 atletas, mantendo um bom ritmo, volume e intensidade.
Anunciada em setembro de 2025, a criação da Seleção B foi a maneira que o treinador encontrou de conseguir ampliar a quantidade de atletas analisadas. "Você pode colocar mais 16 ou até 18 jogadoras que estão próximas da Seleção A, e você está vendo na quadra do lado. De repente, alguém da Seleção A vai para B, ou da B para A. Você pode fazer esse rodízio e elas podem participar do treinamento e de jogos da Seleção A", complementou. Ao observar um número maior de jogadoras, o técnico consegue dar mais abertura a novas atletas, convocadas para a equipe reserva, mas que podem se destacar e subir para a principal.
Além de jovens destaques, Zé Roberto entende que a Seleção B também pode dar oportunidade a jogadoras mais experientes e que, mesmo fora da convocação vigente, vivem bons momentos em seus clubes. O treinador exemplificou o caso com Carol Gattaz e Camila Brait nos Jogos Olímpicos de Tóquio: "Eram duas jogadoras que tinham sido cortadas em duas Olimpíadas anteriores, mas voltaram à Seleção, correram atrás, se dedicaram e tentaram sempre estar entre as melhores jogadoras do Brasil. Em 2021, elas estavam prontas e ajudaram muito na conquista da medalha de prata."
Mas, para que esse modelo funcione, Guimarães destaca o comprometimento das atletas. O comandante revelou que todas as jogadoras levam uma "lição de casa" ao retornarem para seus clubes, e a comissão técnica da Seleção mantém contato direto com treinadores e preparadores físicos do mundo inteiro para monitorar a evolução de cada uma.
— Não tem nada fechado, sempre tem uma abertura e depende de cada uma. A gente precisa que elas cheguem em forma, prontas para o desafio, porque não temos muito tempo. Elas chegam e já temos jogos três semanas depois. O calendário nos coloca nessa situação e temos que pensar caso a caso para que não sejam sobrecarregadas — ressaltou Zé Roberto.
VNL como preparação para a Copa do Mundo
Além da Seleção B, outra tática da comissão técnica é esse cuidado individualizado para lidar com o calendário e evitar novas lesões. "Não podemos correr riscos, nós temos tido contusões todo ano", afirmou.
Como exemplo dessa prática, Zé Roberto usou a capitã Gabi, que atua no Conegliano, da Itália, e deve disputar as fases finais da Champions League até o início de maio. Como a Liga das Nações (VNL) começa poucas semanas depois, o treinador garante que, neste caso, daria folga à atleta antes de reincorporá-la aos treinos.

Para 2027, o planejamento tem um objetivo principal traçado: a Copa do Mundo (antigo Mundial), que será disputada entre 20 de agosto e 5 de setembro, no Canadá e nos Estados Unidos. A VNL, campeonato que antecede o torneio de maior foco, servirá como etapa direta de preparação.
— Serão jogos preparatórios. É difícil dizer quando cada uma vai participar, porque teremos que estudar caso a caso. Temos que caminhar individualizando os trabalhos. As jogadoras vão ter campeonatos muito fortes e intensos onde estão, seja no Japão, Itália, Turquia, Rússia… Como elas vão chegar? Será que elas vão estar muito cansadas? Estressadas? Foram muito solicitadas? Tem que dar um passo para trás e entender o momento que elas estão vivendo — explicou Zé Roberto.
Avanços tecnológicos nos treinamentos
Para garantir o controle físico e tático das jogadoras sem correr riscos de novas lesões, a comissão técnica do Brasil também aposta no que há de mais moderno em inovação tecnológica. Zé Roberto revelou que a equipe utiliza o sistema KINEXON – tecnologia alemã de rastreamento de dados e performance em tempo real por meio de sensores – e já trabalha no desenvolvimento de um projeto de Inteligência Artificial.
A ferramenta de IA está sendo desenhada para captar e analisar do alto, em visão superior da quadra, a biomecânica e o deslocamento exato de cada atleta durante treinos e partidas. O objetivo é mapear padrões de movimento e identificar microalterações físicas ou desgastes invisíveis a olho nu, prevenindo lesões e aprimorando a tomada de decisão tática de forma individualizada.
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